Mini-entrevista: Rogério Gastaldo

[ Mini-entrevista: Rogério Gastaldo, editor, direto de São Paulo ]

Fiquei muito honrada com a participação do Rogério Gastaldo, editor de literatura. Arigatô! Ele é bacharel em Ciências Sociais pela FFLCH-USP. Trabalha na área editorial há 27 anos. Editou muitas centenas de livros de literatura (adulta, juvenil e infantil), técnicos, dicionários e obras de referência. Foi sócio-fundador das Edições Epopéia e trabalhou nas editoras Max Limonad e Melhoramentos. Atualmente exerce o cargo de gerente editorial de literatura infantil e juvenil, de obras de apoio didático (selos Atual, Saraiva e Formato) e de interesse geral, da Editora Saraiva. Paralelamente, desenvolve um trabalho autoral na área de fotografia.

Nos conhecemos há muito tempo. Primeiro ele foi editor do livro O sumiço das palavras, do Nelson de Oliveira (agora Luiz Bras), com as lindas ilustrações do Nelson Cruzeditora Saraiva. O livro já está na 4ª edição! E agora é editor de A família Fermento contra o super-vírus de computador, livro meu e do Luiz, com as divertidas ilustrações da Bruna Brito, Atual Editora.

Também já nos conhecíamos por intermédio de outros livros que ele editou, como os das escritoras Tânia Martinelli e Telma Guimarães  (confiram as minis-entrevistas no Abraços) e de tantos outros. Para alguns (didáticos, paradidáticos e de literatura infantojuvenil), tive a oportunidade de fazer o projeto de capa e miolo.

Tempos depois eu tive a honra de  fazer o projeto gráfico do miolo do dicionário do Rogério: Saraiva Infantil de A a Z – Dicionário da Língua Portuguesa, 3ª edição.

Depois dessa pequena apresentação, aproveito para agradecer pela participação, arigatô! E agora apreciem a mini-entrevista!

Um dia desses, você comentou que começou a faculdade de Engenharia na Poli e depois se formou em Filosofia na USP, correto?

RG: Sabe, Tereza, a minha vida estudantil sempre foi pautada pela máxima einsteniana de que a curiosidade é tão importante quanto o conhecimento. De tal sorte que no colegial, acabei optando pelo caminho das Ciências Biológicas. Encantei-me com muitas disciplinas do curso e os seus respectivos professores, da Escola Caetano de Campos. Por lá, aliás, também já havia passado a primeira mulher a ocupar um cargo de ministra no Brasil (na pasta da Educação), Esther de Figueiredo Ferraz, que tive o prazer de conhecer pessoalmente e a oportunidade de editar a coletânea de textos Falas de ontem e de hoje, pela Saraiva.

Ao lado da Caetano de Campos, na Praça Roosevelt, minhas curiosidades foram também saciadas, semanalmente, na seção circulante da Biblioteca Mário de Andrade.

A propósito dessa praça, acho que vale a pena contar uma história, já que situações de regozijo e descontentamento são marcas das suas diversas fases arquitetônicas. Numa das reuniões que tivemos na Editora Saraiva, para a reedição da obra Marinheiro rasgado, no selo Formato, o autor Ricardo Azevedo me contou que o personagem principal dessa história foi inspirado na figura de um mendigo, que ficava por lá, andando para cima e para baixo, acompanhado por um séquito de vira-latas. Disse também que chegou a jogar bola nessa praça, pois estudou no Colégio Visconde de Porto Seguro. Na época do Ricardo, a praça era um espaço amplo, com chão asfaltado e terra batida, usado como estacionamento e feira livre. Depois, com a reestilização da praça, no início da década de 1970, aquele espaço havia se tornado um monstrengo de concreto frio, desumano, desajeitado e artificial, segundo palavras do Ricardo arquiteto. Mas esse monstrengo, para mim guardava um tesouro. Lá descobri Sidarta, do alemão Hermann Hesse. Lá vi o filme Siddartha, baseado nessa obra, no Cine Bijou. Com o olhar enlevado para o jovem brâmane Sidarta, aos dezoito anos, também buscava o Nirvana.

Depois veio o vestibular. E aí pintou a dúvida! Que curso escolher? Na minha família, dois primos haviam seguido a carreira de Engenharia. Então, não deu outra! Mas estava na Universidade de São Paulo e a curiosidade me fez ir além das atividades escolares que o curso demandava. Participei do Cineclube da Poli, onde, juntamente com colegas de outras faculdades (Biologia, Química, História, Veterinária), organizamos mostras cinematográficas, a revista Fora de Foco e um curta-metragem em Super 8mm. E como o dia é longo para um jovem universitário repleto de ideais, também encontrava tempo para dar aulas a turmas de Educação de Jovens e Adultos, na periferia da cidade, em associações de moradores, em salões paroquiais de igrejas. Durante quatro anos seguidos, pude por na prática os ensinamentos de Paulo Freire com esses alunos. Em muitas ocasiões, tive o cinema como companheiro no processo de ensino-aprendizagem. Um dos filmes exibidos, devido à temática da migração, foi O homem que virou suco, de João Batista de Andrade. Inspirado nesse filme, um jovem engenheiro desempregado, com espírito empreendedor, abriu a casa O Engenheiro que Virou Suco. Acho que fui O estudante de Engenharia que também virou suco.

Aos poucos, com tantas e tamanhas prazerosas vivências paralelas, acabei me distanciando do curso de Engenharia. E, para encurtar a conversa, acabei prestando vestibular novamente. Sem sair da USP, graduei-me em Ciências Sociais na Faculdade de Filosofia Letras e Ciências Humanas.

E o que o levou a ser editor, inclusive de livros infantojuvenis, de uma das maiores editoras do Brasil, a Saraiva?

RG:  Como já havia experimentado as Ciências Biológicas e as Exatas, a curiosidade me levou às Ciências Sociais, aos textos de Florestan Fernandes, Max Weber, Levi-Strauss, Pierre Bourdieu, Benjamin, Adorno, Mary Shelley e muitos outros, à Antropologia, à Ciência Política, à Sociologia, à Psicologia, à Economia, à Geografia, à Comunicação, à História e à Linguística.

Paralelamente, na Max Limonad, com a recomendação de Constança Lucas ao Moisés Limonad e ao Samuel Leon, tive a minha primeira experiência profissional no ramo editorial, numa editora com quarenta anos de tradição na área jurídica e que dava os primeiros passos na publicação de livros de literatura e ensaios. Trabalhei com textos do Conde de Lautréamont (Cantos de Maldoror, traduzido pelo sociólogo Claudio Willer), de Alfred Jarry (Ubu Rei, traduzido por José Rubens Siqueira, com prefácio de Cacá Rosset), de Apollinaire (As façanhas de um jovem Don Juan), de Rubens Francisco Lucchetti (roteirista de As sete vampiras, no filme dirigido por Ivan Cardoso), entre outros.

Em seguida, nas Edições Epopeia, ao lado de Constança Lucas e Ana Victória Lucas, participei da edição de livros de literatura infantil (Histórias de crocodilos, foi um deles, com contos de Maria Angélica de Oliveira, ilustrados por Constança Lucas), da edição das obras de Fernando Pessoa (Contos, com prefácio de Fernando Segolin, e Primeiro Fausto, com organização e introdução de Duílio Colombini, até então inédita no mercado editorial), entre outras publicações.

Era ainda época da Linotipia, a composição a quente, que fundia linhas de texto em pequenos lingotes de metal; do Past-up, onde textos, ilustrações e fotos eram montados a mão, sobre papel couché e fotografados e do Fotolito.

E o Brasil havia decretado moratória, suspendendo o pagamento da divida externa. Depois dos planos econômicos Cruzado I e II, era a vez do Plano Bresser.

Foi um período muito difícil para a manutenção de pequenas iniciativas empresariais. A situação econômica era tão grave que a inflação atingiu 2.751%, entre 1989 e 1990. Por sorte, desde a infância, influenciado pelo meu pai, tinha o hábito de ler os jornais de cabo a rabo. E, por isso, não deixava de lado sequer a seção de classificados de empregos do Estadão.

Nesse mesmo mês de fevereiro desse ano de 1990, após ter respondido a um anúncio da Cia. Melhoramentos de São Paulo, dei início a um período de intenso trabalho editorial, em pleno ano do centenário da empresa. Estava a trabalhar na editora que imprimiu o primeiro livro em quatro cores no Brasil, em 1915: o livro infantil O patinho feio, de Hans Christian Andersen, ilustrado por Francisco Richter. Também tive a oportunidade de trabalhar com uma das vedetes da Melhoramentos, a linha de Dicionários Michaelis (português, inglês, francês, espanhol, italiano, alemão), em coleções de livros de culinária, livros infantis e informativos (de editoras francesas, italianas, inglesas e norte-americanas) e obras de interesse geral.

Através das mesmas páginas dos classificados do Estadão, há dezesseis anos e meio estou na Editora Saraiva, como gestor editorial de um catálogo de cerca de mil títulos, entre livros de literatura infantojuvenil (ampliando coleções como a Jabuti, Entre Linhas, Unidunitê, Brincadeiras, Mindinho e seu vizinho, Três por Três… e criando novas coleções como a Forrobodó, HQ Saraiva, Clássicos Saraiva, entre outras), livros informativos (dos selos Saraiva, Atual e Formato) e obras de referência. Nesse período, tenho tido a sorte de ver os livros editados nas mãos de milhares de crianças, jovens e adultos, e em acervos de milhares de escolas públicas e particulares.

Numa dessas voltas que o mundo dá, recentemente tive a oportunidade de editar três obras do Renato Canini, pela Formato: Um redondo pode ser quadrado, (cujos esboços recebi em papel de pão e logo que ficou pronto foi parar em dezenas de escolas públicas de Belo Horizonte, entre outras), Tibica – o defensor da ecologia  (a reunião das tirinhas do índio Tibica, a obra de cunho mais pessoal do autor) e O cigarro e o formigo (um livro de imagem singelo).

Como foi a sua infância/adolescência e como a leitura e outras expressões culturais passaram a fazer parte da sua vida?

RG: Nessa época, morei no Jardim da Saúde, um bairro residencial planejado, nos moldes da Cia. City, com um elevado número de praças, com ruas arborizadas e tranquilas, que chegou a ser tombado pelo patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental do Estado de São Paulo, no final do século passado. Boa parte dos descendentes de japoneses, na cidade de São Paulo, optaram pelo bairro para viver. Com cerca de 100 mil moradores, atualmente é o bairro, ao lado da Liberdade e Aclimação, que mais concentra a colônia japonesa.

Os meus amigos sanseis, entretanto, assim como você, infelizmente também não puderam ir a fundo no estudo da língua japonesa. Dessa época, ainda guardo algumas palavras: Gohan, arigatô, saionará, orraiô gozaimássu, anko-moti, kinako-moti, denki nabe, missô, misoshiru, tatame, sumô, saquê…

Brincávamos de bolinha de gude, empinávamos pipa (quadrado), jogávamos futebol, vôlei e taco na rua (será que era uma adaptação do gateball?), futebol de botão, beijo-abraço-aperto-de-mão, queimada, guerra de mamonas, polícia-e-ladrão (de bicicleta), carrinho de rolimã. No ano em que fui alfabetizado, foi aberta a Biblioteca pública do bairro.

Lembro-me do carrinho de mão, desses de construção, usado pelo jornaleiro do bairro, que fazia entrega domiciliar. Aos domingos, chegavam jornais volumosos e outras encomendas como as dos livros da coleção Clássicos da Literatura Juvenil, da Abril Cultural. Mark Twain, com Aventuras de Huck, sem dúvida, está no topo da minha lista, um escritor cuja imagem está associada tanto ao público infantojuvenil quanto à dos clássicos da literatura norte-americana e universal. Ao todo, chegaram a ser publicados 50 volumes na coleção, com capa dura e ilustrações em preto e branco. Obras de Robert Louis Stevenson (A ilha do tesouro), Alexandre Dumas (O Conde de Monte Cristo e Os três mosqueteiros), Miguel de Cervantes (Dom Quixote), Lewis Carroll (Alice no País das Maravilhas/Alice no País do Espelho), entre outros.

E muitos autores brasileiros também marcaram essa época: José Mauro de Vasconcelos (ao trabalhar na Melhoramentos, tive acesso ao rico acervo histórico dessa Editora centenária, inclusive às edições de Meu pé de laranja lima), Érico Verissimo (a trilogia O Tempo e o Vento e Incidente em Antares), Josué Guimarães (Tambores silenciosos, entre outros), Machado de Assis (O alienista), Lúcia Machado de Almeida (O escaravelho do diabo, lançado em 1972, ainda está em catálogo na coleção Vaga-lume), entre outros nomes.

Pude também desfrutar da chamada Era de Ouro da Disney no Brasil, com as revistinhas O Pato Donald, Mickey e Tio Patinhas, e acompanhar o trabalho do Renato Canini com o Zé Carioca.

Acho que tive uma infância-adolescência multimídia, antes mesmo da chegada dos microcomputadores e tablets, com direito a cinema (numa época em que havia cerca de 30 salas no centro da cidade de São Paulo), vendo filmes da Walt Disney Productions como Se meu fusca falasse, “A Ilha do Tesouro” (o primeiro filme do estúdio com atores, baseado no livro de Robert Louis Stevenson), “Vinte Mil Léguas Submarinas” (baseado no livro de Júlio Verne), Alice no País das Maravilhas  (adaptação do romance de Lewis Carrol); televisão (com a censura do regime militar, aparecem os seriados televisivos norte-americanos: A feiticeira, Túnel do tempo, Perdidos no espaço, Jeannie é um gênio… mas também pudemos ver Vila Sésamo – uma adaptação do Sesame Street); história em quadrinhos; rádio: em ondas curtas, em português, devido ao advento da Guerra Fria (Voz da América, Rádio Moscou, Rádio Nederland, Rádio Pequim); vinil e vitrola; fita cassete (para gravar e organizar as nossas músicas e programas de rádio prediletos); jornais: Pasquim, Movimento, Coojornal, entre outros.

Era uma época em que as crianças podiam caminhar com liberdade pelas ruas do bairro. O episódio do desaparecimento do pequeno Etan Patz, de 6 anos, nas ruas da cidade de Nova York, no seu caminho para a escola, e que daria origem ao Dia Internacional da Criança Desaparecida, ocorreria somente em 25 de maio de 1979. Ir de um bairro a outro, como cheguei a fazer durante os quatro anos do Ginásio, indo do Jardim para o Bosque, do Bosque voltando ao Jardim. Foram cerca de 1,4 mil quilômetros percorridos. Acho que tá explicado o meu fascínio por uma boa caminhada! E nesse trajeto, devo ter passado inúmeras vezes pela Livraria e Editora Fernando Pessoa, que na verdade era a casa do sr. Jaime Marcelino Gomes (1924-1999), um imigrante português da ilha da Madeira, o Livreiro da FFLCH da USP, que tive a oportunidade de conhecer, já adulto.

Qual a sua opinião, como editor e leitor-crítico, sobre a literatura infantojuvenil contemporânea?

RG: Recebemos em média um original por dia para análise de viabilidade de publicação. Para todas essas pessoas damos uma resposta, seja ela positiva ou não. Nem sempre no prazo que gostariam de receber, é verdade. Pois somos poucos, para tantas demandas. Essa prática nos leva a lançar sempre novos autores. Podemos dizer que a literatura infantojuvenil contemporânea vai bem. E como temos um catálogo com mais de seiscentos títulos, nesse segmento, estamos permanentemente reformulando obras e coleções. Portanto, temos tido a sorte de encontrar bons textos novos e renovar outros tantos. No ano passado, por exemplo, comemoramos os 25 anos da coleção Casa Amarela, da Lilian Sypriano e do Cláudio Martins, toda ela renovada a partir de 2006. Esses mesmos títulos agora também estão disponíveis no formato digital ePub. O Tia Carlota não escuta direito e entende tudo do seu jeito teve também uma versão para iPad bem diferente, pois foi desenvolvida para ser trabalhada por um contador de histórias. Também estou feliz pelos 40 anos de carreira da autora Giselda Laporta Nicolelis, dedicados à escrita literária, com especial atenção ao público infantil e juvenil.

Você acha que há preconceito contra a literatura infantojuvenil, que as pessoas consideram a literatura adulta superior?

RG: Estamos em pleno ano do bicentenário da primeira publicação dos Contos dos irmãos Grimm, ou seja, das histórias de Chapeuzinho Vermelho, Branca de Neve, João e Maria… e num momento em que a participação dos livros infantojuvenis representa cerca de 15% de todos os livros comercializados no Brasil, segundo dados da CBL (Câmara Brasileira do Livro). Além disso, já existem inúmeros trabalhos acadêmicos sobre o assunto, disponíveis nas universidades; aumenta o número de editoras criando catálogos específicos para crianças e jovens; proliferam sites sobre esse assunto; há revistas e cadernos especializados. Portanto, motivos não faltam para ampliar a projeção e a divulgação de títulos, autores, editoras e catálogos para a maturidade dessa linha de publicações. Se ainda há preconceito em relação à literatura infantojuvenil, por outro lado há todos esses bons fatores em sentido contrário.

Depois de editar milhares de livros, que conselho você daria aos novos autores?

RG: Cada editora do mercado brasileiro é única, devido a sua história e aos profissionais que nela atuam. Por isso, autores e ilustradores têm histórias ou vão construindo as suas histórias em parceria com as editoras. Com o advento da Internet (blogs, redes sociais etc.), acho que ficou muito mais fácil para os autores e ilustradores poderem mostrar os seus trabalhos aos editores. Hoje também existe a possibilidade do self-publishing, que pode diminuir muito o caminho até a realização do sonho de ter uma obra publicada. Os novos autores precisam conhecer o catálogo das editoras, através da visita a livraria físicas ou virtuais, por exemplo, antes de enviarem os seus originais para análise de viabilidade de publicação.

Tempos atrás, tive o prazer de fazer o projeto gráfico de um dicionário, o Saraiva Infantil. Você tem se dedicado muito, ao longo da sua carreira, à publicação de dicionários, não é mesmo?

RG: Voltemos ao tema inicial da curiosidade. O verbete da Wikipédia para CURIOSIDADE dá a seguinte descrição para essa emoção: A curiosidade é a capacidade natural e inata da inquiribilidade..Tradicionalmente, há ao menos dois tipos de publicação no mercado onde podemos exercitar o salutar hábito de fazer perguntas, típico das crianças e de muitos adultos, pois, em geral, trazem as respostas: o dicionário e a enciclopédia. Ao primeiro tipo de livros, tenho mais de duas décadas de dedicação. Em relação à atual linha de dicionários, que venho publicando na Saraiva (Saraiva Infantil de A a Z, Saraiva Júnior e Saraiva Jovem) e que têm sido bem acolhidos em vários colégios e programas de formação de acervos de bibliotecas escolares públicas, estou muito satisfeito com o resultado, pois milhões de crianças e jovens de todo o Brasil podem contar com eles em suas trajetórias estudantis.

E, para terminar, sei que você adora fotografia, seria apenas um hobby?

RG: Você tem razão, adoro Fotografia! Por isso, não considero essa paixão um passatempo. É um sentimento, um estado de espírito em que me coloco à disposição da imagem, da sensação através do olhar, do enquadramento, do clique.

Ainda guardo comigo a câmera fotográfica de meu pai, num estojo de couro, e acho que herdei dele a paixão pela fotografia. Mas foi na Politécnica, mais precisamente no Defobi (Departamento de Fotografia do Grêmio Politécnico), que aprendi a técnica. Mais tarde, frequentei o Museu Lasar Segall e o seu Plantão Fotográfico, com laboratório e biblioteca especializada, até hoje disponível para o público. Depois de muitas leituras, outros cursos e fotos, só indo mesmo ao meu Fotoblog para ver o resultado de tudo isso e conhecer o meu trabalho: http://rogeriogastaldo.blogspot.com.br

Parabéns pelo Achados & Perdidos (http://achados.e.perdidos.zip.net)!

Rogério Gastaldo é bacharel em Ciências Sociais pela FFLCH-USP. Trabalha na área editorial há 27 anos. Editou muitas centenas de livros de literatura (adulto, juvenil e infantil), informativos, técnicos, dicionários e obras de referência. Na Editora Saraiva é Gerente Editorial de Literatura Infantil e Juvenil, de livros informativos (selos Atual, Saraiva e Formato), de obras de referência e interesse geral. Desenvolve também trabalho autoral na área de foto.

Participou, como eu,  da Exposição Arte Postal Livros, confira aqui.

Sabendo  de sua paixão por fotografia, vide os blogues

Espinho

Novas fotografias 2003

Minientrevista: Telma Guimarães

[ Minientrevista com a escritora bilíngue Telma Guimarães, direto de Campinas ]

A escritora Telma Guimarães eu conheci através dos seus livros, pois, como designer, tive a honra e o prazer de fazer o projeto da capa do seu  Dicionário Ilustrado Junior – Inglês/Português e do seu infantil Toninho, ambos da Atual Editora, graças à gerente de artes, Nair Barbosa. Confira aqui o post com as capas. E através do divertido site de relacionamentos, o facebook, acabamos nos tornando friends, rs. E assim, para começar uma Primavera Florida de Livros, resolvi convidar a Telma com os seus mais de 160 livros publicados, para dividir com vocês um pouco da trajetória dessa autora premiada e muito conceituada, nome importante de nossa literatura infantojuvenil. Arigatô!

Origami by Tereza Yamashita (tsurus em forma de flor). A linda garotinha é a Júlia, a Juju.

O que levou você a se dedicar às crianças e aos livros infantojuvenis?

TG: Eu inventava histórias para que os meus filhos dormissem…Só que ninguém dormia! Ficavam animados, pedindo mais. Para não esquecer das histórias, passei a anotá-las em cadernos. Daí para enviar às editoras, levei algum tempo, reescrevendo, passando a limpo, lendo outros autores. Depois de publicar o primeiro, não parei mais. Hoje, são mais de cento e sessenta títulos, infantis, juvenis, em português, inglês e espanhol, além de um dicionário bilíngue e livros didáticos.

Na infância, quais os autores de que você mais gostava e quais os que mais a influenciaram?

TG: Sempre gostei muito de Monteiro Lobato, desde pequena. Meu pai comprava coleções e eu amava ler os contos dos Irmãos Grimm, Andersen, Perrault, as fábulas de Esopo, La Fontaine, Érico Veríssimo, os clássicos, enfim. Não havia muitas publicações brasileiras em literatura infantil, então eu xeretava as livrarias e bibliotecas para descobrir as novidades… E Laura Ingalls Wilder, com a série Os pioneiros, foi uma delas. Já na adolescência, aproveitei bastante os clássicos da literatura brasileira, portuguesa, inglesa, francesa. Eu pegava de tudo um pouco na biblioteca, Mark Twain, Charles Dickens, Júlio Verne, Machado de Assis, Alexandre Herculano, Padre Vieira, devolvia, retirava novo título. Cursei Letras Vernáculas e Inglês e aí tive contato com os outros autores…Entre os meus prediletos, Edgar Allan Poe, de quem recentemente adaptei em português e inglês, quatro contos (coleção biclássicos Editora do Brasil).

Qual a sua opinião, como escritora e professora, sobre a literatura infantojuvenil contemporânea?

TG: A cada dia me surpreendo com as novidades. Textos que falam de bullying, morte, diversidade…É tudo tão melhor que há trinta anos! E as ilustrações, então? São maravilhosas. É tão rico para o leitor, imagine para o professor! Hoje temos áudio livros, livros só com imagens, livros enormes, quase entramos dentro. A cada dia, uma novidade, um assunto novo pautado, outras mídias.

Você acha que há preconceito contra a literatura infantojuvenil, que as pessoas consideram a literatura adulta superior?

TG: Acho que já melhorou bastante. As pessoas estão finalmente percebendo que não é fácil captar as idéias e palavras das crianças, uma vez que já somos adultos e não pensamos como tal.

Para você, que é professora de letras, as pessoas andam lendo e escrevendo mais e melhor, nestes tempos de internet?

Visualização gráfica de várias rotas em uma porção da Internet mostrando a escalabilidade da rede.

TG: A internet é uma excelente ferramenta para um bom leitor. Fora disso, é um terror para aquele que não lê, pois só copia e cola os textos da internet e não desenvolve um texto autoral e crítico. Acredito que com o advento da internet, as pessoas aprenderam a pesquisar mais, filtrando as fontes confiáveis, a comprar livros novos e usados nas livrarias virtuais, enfim, elas tem um recurso ilimitável de opções que podem enriquecer e muito a sua escrita.

Telma Guimarães Castro Andrade nasceu em Marília, São Paulo, no dia 25 de novembro de 1955. Foi aluna de intercâmbio nos Estados Unidos e possui o Operational Competence in English-Southern Illinois University. É licenciada em Letras Vernáculas e Inglês, UNESP. Foi Professora de Inglês efetiva da rede estadual de ensino em Campinas, SP, até o ano de 1995. Foi cronista do jornal Correio Popular e também Assessora Cultural na Delegacia Regional de Cultura de Campinas. Em 1989 recebeu da APCA o título de Melhor Autora pelo livro infantil Mago Bitu Fadolento, Edições Loyola.

Mantém o site: http://www.telma.com.br e o blogue:  http://www.telma.com.br/blog/

Renomada escritora campineira em entrevista exclusiva ao Portal RAC
Carreira, vida, lembranças. Telma Guimarães abre as portas da sua casa para compartilhar sua paixão pela arte da escrita e da leitura
11/07/2014 – 15h07 – Mariane Montedori – mariane.montedori@rac.com.br

http://www.rac.com.br/_conteudo/2014/07/blogs/olha_so/189150-ff.html