# Minientrevistas (2005/2014)

[Relembrando as minientrevistas – comecei em 2005, e já se passaram 10 anos!]

Obrigado a todos que já participaram. Arigatô e Abraços Dobrados!

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48. 01/09/2014 Marília Kubota

47. 01/08/2014 Paulo Stocker

46. 29/06/2014 Cristina Porto

45. 01/06/2014 Livia Garcia-Roza

44. 01/05/2104 Cláudio Brites

43. 31/04/2104 Maurício Negro

42. 14/03/2104 Rogério Pereira

41. 15/02/2104 Sebastião Nunes

40. 15/01/2104 Rodrigo de Faria e Silva


Minientrevistas de 2013

39. 01/12/2013 Nair de Medeiros Barbosa

38. 19/11/2013  Enrico Giglio de Oliveira

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Minientrevistas de 2012

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37. 01/03/2102  Lúcia Brandão e 2

36. 14/03/2102 Orlando Pedroso

35. 31/03/2102 Constança Lucas

34. 13/04/2102 Jane Sprenger Bodnar

33. 01/05/2102 Teresa Senda Galindo, Douglas Galindo e Raquel Senda Galindo

 32. 01/05/2102 Rogério Gastaldo

32. 01/06/2102 Adilson Miguel

30. 15/06/2012  Cristiane Rogério

29. 02/07/2012 Aluízio Gibson  

28. 16/07/2012  Oscar D’Ambrósio 

27A. 10.07/2012 Silvana Guimarães

27. 01/08/2012 Aloísio Castro  

26. 15/08/2012  Antonio Cestaro  

25. 31/08/2012  Cathia Abreu e Bianca Encarnação   

24. 14/09/2012  Jiro Takahashi

23. 01/10/2012  Miriam Gabai 

22. 30/10/2012  Joba Tridente

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Minientrevistas de 2011

21. 28/04/2011  Sonia Barros

20. 11/05/2011  Daniela Neves

19. 17/06/2011 Adriano Messias

18. 09/07/2011  Luis Dill

 17. 17/08/2011 Lúcia Hiratsuka

16. 22/09/2011 Peter O’Sagae

15. 04/10/2011 Telma Guimarães

14. 01/11/2011  Irene Tanabe

13. 01/12/2011  Marilia Pirillo

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Minientrevistas de 2010

12. 06/05/2010 – Eloésio Paulo

11. 02/06/2010 – Tânia Martinelli

10. 11/07/2010 – Leo Cunha

09. 02/08/2010 – Elvira Vigna

08. 30/08/2010 – Tino Freitas

07. 01/10/2010 – Andréa Del Fuego

06. 01/11/2010 – Graça Lima

minisfotos2010Aqui estão as minientrevistas mais antigas, bem sucintas. Hoje elas estão um pouco mais extensas.

Minientrevistas antigas no Achados e Perdidos 1 e no Cronopinhos.
Vale a pena ver de novo!

Cronopinhos05. 04/10/2005 – Índigo (Cronopinhos)

04. 05/03/2006 – Marcelino Freire (Cronopinhos)

03. 31/03/2007 – Luiz Roberto Guedes (Cronopinhos)

02. 07/05/2007 – Silvana Tavano  (Cronopinhos)

01. 21/08/2008 – Marcelo Maluf Cronopinhos

24/09/2006 – João Anzanello Carrascoza e Maria José Silveira (Cronopinhos)

• Entrevista feita pela Érica. Y. de Oliveira!

25/12/2006 – E uma retrospectiva-mirim no Cronopinhos

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Minientrevista com Paulo Stocker, artista plástico, cartunista e muralista.

[ Minientrevista com Paulo Stocker, artista plástico, cartunista e muralista ]

Não lembro bem quando conheci o Paulo, creio que foi através da moderníssima e criativa Gabriela Kimura. Participamos de uma antologia de contos Nikkei e acabei conhecendo o Paulo e a fofa da Teodora pessoalmente. No dia, uma surpresa: ganhei um desenho do Clovis (veja a foto abaixo). Que alegria, emoldurado em nossa parede laranja.

stockerokFoto: Tereza Yamashita

Coincidências acontecem quando a gente menos espera: Paulo e eu nascemos na mesma data, em 30 de junho de 1965, somos cancerianos e sonhadores. Gostamos muito de arte e os nossos cônjuges, das palavras. E, para completar, cada um tem uma linda e inteligente menina mestiça. Eu tenho um gato e o Clóvis também adora gatos, rs. Uma vez, fiz um projeto de capa com cartuns, e coloquei o Clovis, mas a editora não aprovou a capa, infelizmente acontece. Quem sabe um dia não fazemos um trabalho juntos, hein, Clovis?!

Acho que essas coincidências dariam um belo roteiro ou um bela crônica, mas por enquanto ficamos com a deliciosa minientrevista, e com o maravilhoso trabalho do Paulo (peguei emprestados na web vários trabalhos e imagens, rs).

Ah, aproveito para agradecer pela amizade e pelo carinho, e também pela força em nosso lançamento, levando a fofa da Teo e o fofo do amiguinho (fotos no face), e por ter aceitado participar do Abraços Dobrados, arigatô!

paulo-stocker-biografia,mediumFoto de divulgação, cedida pelo entrevistado

10015637_824676860879187_279730047_nFoto: Valéria Vanessa Eduardo – Sesi-SP editora

Como foi a sua infância/adolescência e como a leitura e outras expressões culturais passaram
a fazer parte da sua vida?

Minha infância foi intensa, brincar no porão, inventar peças de teatro, subir a pequena montanha que tinha no bairro,
ler os gibis do irmão mais velho.

Minha adolescência foi a descoberta do mundo além, do centro da cidade, dos cigarros proibidos, da biblioteca
e nela um universo inteiro. De um sebo que existia naquela época onde descobri os quadrinhos independentes, e edições européias de segunda mão.

10488079_661056667303013_3749984838849665894_nFoto: Felipe e Jessica

Paulo, você é catarinense, natural de Brusque, correto? O que o levou a se mudar para São Paulo? E por que escolheu a rua Augusta como referência artística?

São Paulo porque é cosmopolita, ao menos era essa a ideia que eu fazia dela.

Depois descobri que era apenas um cidade como outra qualquer, provinciana só que um pouco maior.

A Augusta é a São Paulo dos meus sonhos, torta, libertária e antenada com o resto do planeta. Talvez a rua mais importante da América Latina.

1797405_10152058750205966_5418158877459296187_nFotos: divulgação

brusqueCartunista e artista plástico em Brusque, na 6ª Feira do Livro de Brusque, em maio 2014.

Hoje, você é casado com a Gabriela Kimura e tem uma linda filha, a Teodora. A família faz parte das suas inspirações?

1002247_4583070269857_493199267_nGabriela Kimura, redatora e escritora. Foto divulgação

As duas são minhas principais inspirações. Se uma das duas não gosta de algum desenho, rasgo imediatamente. Ouço essas duas com uma certa devoção. A Gabriela é uma mulher inteligentíssima. A Teodora é super afiada.

Fábio EspósitoFoto: Fábio Espósito

Teodoras: http://paulostocker.com.br/albuns/originais/

teodoras

Qual a sua opinião, como artista plástico, cartunista e pai (claro, rs), sobre a literatura infantojuvenil
contemporânea? Você acha que há preconceito contra a literatura infantojuvenil, que as pessoas consideram a literatura adulta superior?

Não me atenho aos preconceitos. Tem tanta literatura adulta que meus amigos veneram e eu acho de uma mediocridade. Gosto de coisas inteligentes, originais e bem produzidas. Tem ilustração de livros infantojuvenis que eu emolduraria e decoraria minha casa. Tem coisas que eu fico babando. Eu tenho a vantagem de ser pai e ter acesso a esse universo.

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Em seus cartuns muitas vezes você usa uma pitada de erotismo, como no Stockadas, seu primeiro livro autoral com o publicitário Eduardo Rodrigues. E você também desenha o personagem Tulípio criado pelo publicitário Eduardo Rodrigues (Revista do Tulípio.) Além disso, ganharam o prêmio HQ Mix em 2009, correto? Comente tudo isso, plis: os personagens, a parceria e o prêmio.

tudoStockadas foi uma espécie de exorcismo, eu coloquei no livro meus fantasmas eróticos. O Tulípio eu apenas desenho, jamais escreveria aqueles absurdos que saem da mente pervetida do Edu.Tulípio até agora foi o personagem de maior sucesso. Fomos no , no Ronnie Von, e ainda estamos com as animações no cineboteco. Fizeram um cálculo e dizem que atingimos uma média de uns cinco milhões de pessoas. Agora estamos voltando a publicar a revistinha. Fomos politicamente incorretos um pouquinho antes disso virar moda. Quanto ao prêmio é aquela coisa, eu não levo a sério. Não me dizem nada. O Edu queria o prêmio e eu entrei na onda. Mas é merecimento dele quem criou o personagem.

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Captura de tela 2014-07-31 às 16.58.00Fotos divulgação

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Em uma outra entrevista você comentou que tenta esconder o seu lado mais lúdico, lírico e romântico. Por isso você criou o Clovis? O Clovis é seu alter-ego, seu clown?

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O Clovis é meu Clow gráfico, pantomima gráfica. Criei ele anos depois que fiz uma oficina de clow com a Sílvia Lebrão, a palhaça Spirulina. Na oficina eu aprendi que aquilo que você esconde é engraçado. E nessa eu saquei que escondia esse lado lúdico, romântico por trás do rabugento aparente. Outra coisa que descobri é que eu era engraçado, eu não entendia porquê as pessoas riam quando eu me apresentava e quanto mais eu não entendia mais elas riam. Depois estudei o cinema de Chaplin e Buster Keaton, o tempo que eles usavam, como cnstriam a piada, que é algo técnico e diferente do improviso do clow clássico.

61436_570226189719395_265558261_nClovis em New York. Já devidamente emoldurado e exposto em uma residência na grande maçã. Original em nanquim.

camisetasClovis estampado em caneca, em adesivo, pintado em bar e pintado à mão em camiseta!
Tudo sob encomenda, é só entrar em contato com o artista!

Captura de tela 2014-08-26 às 22.40.09http://youtu.be/QRnA1zvfftY

Há quanto tempo você começou a fazer os murais pelas ruas de São Paulo? O que deu origem a esse novo formato de trabalho?

grimaClovis no set de filmagem 02 (making of) – By Grima Grimaldi

Como tinha criado uma silhueta isso me levou aos adesivos, e tive contato com o César que foi o primeiro a levar isso a sério e produzir o material de artistas estrangeiros dessa arte por aqui. Como ele era atrapalhado comecei a fazer eu mesmo os adesivos e colar em tudo que é canto da rua Augusta. Só que isso não era o bastante, assim comecei a pintar murais e vende-los para bares, estúdios, etc… Fiz uma exposição com painéis no espaço de leitura do parque Água Branca e o mural gigante de 25 metros em um empreendimento imobiliário. No momento também estou me especializando em interiores, paredes de residências e empresas. Gosto de trabalhar por encomenda, não tenho quem me banque aventuras. Isso já conta uns cinco anos e focando no personagem.

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971250_474694409272574_793378500_nFotos divulgação

Paulo Stocker é artista plástico, cartunista e muralista.

Catarinense, natural de Brusque, ele é hoje uma das maiores referências artísticas da Rua Augusta — lugar que fica região central de São Paulo frequentada por inúmeros trendsetters da América Latina e local que escolheu para morar com sua esposa e filha— e também do Brasil.

Como todo artista, Stocker é uma criança que nunca parou de desenhar. Já são mais de 30 anos de carreira.

Em suas inúmeras obras criou as cartuns, muitas vezes com uma pitada de erotismo, do site Stockadas; deu vida, junto com o publicitário Eduardo Rodrigues, ao personagem Tulípio, que está presente em dezenas dos principais bares do Rio de Janeiro e de São Paulo através do Cineboteco e da Revista do Tulípio; criou a reconhecida série Gambiarra, que aplica traços orgânicos e máquinas multicoloridas; e sua principal obra é o personagem Clóvis, presente em seus quadros e murais de rua.

Clovis possui um prestígio público enorme e é considerado pelo cartunista britânico Karl Dixon, do Diary of a Cartoonist and Writer, como um personagem genial pela simplicidade e singularidade de seus traços e formas de usar seus quadros. A forma com que Stocker usa os quadros do Clóvis é uma referência para artistas do mundo inteiro.”

Adolfo Martins

Paulo Stocker
contato@paulostocker.com
+ 55. 11. 97561.7099

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Site: http://paulostocker.com.br

FaceBook: https://www.facebook.com/paulo.clovis.9?fref=ts

https://www.facebook.com/pages/Paulo-Stocker/329013347174015

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HQ além dos balões: http://youtu.be/uN_WhGG5BuE

Cenário HQ 1: http://youtu.be/f4LGwibz7Sw

Cenário HQ 2: http://youtu.be/MASpThCuxCo

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http://pedroivo.wordpress.com/2011/10/14/entrevista-com-paulo-stocker

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Conheça o Clóvis

https://catracalivre.com.br/geral/design-urbanidade/indicacao/conheca-clovis-personagem-paulistano-do-cartunista-paulo-stocker/

Estudando Sampa

Criado em outubro de 2007, “Estudando Sampa” traz ilustrações que o cartunista faz de momentos e lugares da capital paulista. Já foram retratados, entre outros, Augusta, Praça Roosevelt, Sé, Itaim, favela de Heliópolis e pessoas no ônibus, no salão de cabeleireiro e na linha azul do metrô. Na conversa Paulo contou como surgiu a idéia de criar o blog, disse quais são seus critérios para desenhar locais e personagens e falou um pouco sobre o aniversário da cidade que inspira seu trabalho e completa 454 anos dia 25 de janeiro.

Veja o blog Estudando Sampa – Mais tiras e desenhos em UOL Humor

http://estudandosampa.zip.net/arch2007-10-21_2007-10-27.html

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Veja São Paulo – Arte boêmia – Confira as criações de Paulo Stocker

Entre os trabalhos, o machão Tulípio, o clown Clovis, dirigíveis e gambiarras

http://vejasp.abril.com.br/materia/galeria-cartunista-paulo-stocker#1

Minientrevista de Tereza Yamashita com Mauricio Negro, ilustrador, designer e escritor.

[ Minientrevista de Tereza Yamashita com Mauricio Negro, ilustrador, designer e escritor ]

Conheci o Mauricio (por e-mail, rs) através do Orlando Pedroso (confira a sua mini, aqui no Abraços). Arigatô!
Dessa forma, comecei, através do face, a acompanhar o seu trabalho maravilhoso. Virei fã de sua arte, rs. E recentemente ele foi um dos ilustradores selecionados para representar o Brasil na Feira de Bologna, que honra, não?! Então, resolvi fazer essa minientrevista, um modo singelo de homenagear todos os ilustradores que representam o Brasil pelo mundo. Abraços Dobrados e muito obrigada pela sua participação!

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Mauricio, como foi a sua infância/adolescência, e como a leitura e outras expressões culturais passaram a fazer parte de sua vida?

Gustave_Dore_Inferno34Gustave Dore – Inferno

MN: Desde cedo tive contato com livros. Muitos parentes e amigos eram leitores. Lembro de xeretar livros alheios por toda parte. Sempre tive essa curiosidade de saber o que liam as pessoas que respeitava ou tinha admiração. Queria saber dos seus interesses e prazeres. Tinham livros em casa, e meu avô conservou o acervo do pai. Dele herdei algumas belas edições: A Divina Comédia (ilustrada pelo Doré), Lobato completo, coleções inteiras de capa dura. E por aí vai. Tive uma infância e uma adolescência muito boas. Hoje é claro para mim, viver entre o mato e a praia foi o maior dos luxos. Cresci no meio de bicho, planta, nascente, cachoeira, pomar, horta, passarinho, galinheiro. Nas terras da antiga Fazenda Santa Rosa, fracionada depois em sítios entre os herdeiros da família, me embrenhava pelos matos e esquecia de tudo. A área tinha sido uma fazenda colonial tradicional, onde se plantou muita cana. Os filhos e netos de escravos, após a abolição, por ali permaneceram como empregados. Foi a comitiva da própria Princesa Isabel que abriu a estrada de acesso até a porteira da fazenda. Com afeto, lembro do Seu Altino. Preto velho que me benzia e preparava os xaropes de guaco e outras ervas para aliviar a minha bronquite e me ensinava outras coisas, mesmo quando pitava, pescava pitus e guardava silêncio. Quatro gerações da minha família viveram ou passaram longas temporadas por lá, nos arredores do município de Cotia. Tinham escoteiros acampados pelas matas. Por lá também trabalharam muitos colonos japoneses. Sinto saudades do ruído do vento nas árvores, das águas geladas, dos cheiros, de tocaiar os bichos, de pegar fruta no pé e verdura na horta, do forno à lenha, do tempo que sentia fruir em vez de passar. Quando não estava por lá, e não tinha escola, frequentava também o litoral na casa de amigos. De um jeito ou de outro, minhas bibliotecas inaugurais foram verdes e azuis. E os livros, de papel, sempre estiveram por perto. Baita sorte! Aprendi a tirar da leitura o mesmo prazer que o futebol – e por vezes, o samba – me davam, nos finais de semana com amigos ou acompanhando o meu pai, que jogava e batucava muito bem. Pelo lado da minha mãe, o lance era pintar e escrever. Herdei esses gostos. Além de óleo, carvão e porcelana, minha mãe fez peças formidáveis em charão. Arte tradicional oriental que suponho extinta (ou quase), em razão dos materiais empregados e da enorme dificuldade técnica. Depois descobri o cinema, já pela vivência urbana. Tenho dois primos cineastas. Moramos alguns anos nos arredores da Av. Paulista. E ali o circuito cultural é mesmo um privilégio. Livrarias, museus, parques, salas de cinema etc. Mais tarde, mudamos para Vila Madalena. E de lá, para Perdizes, onde moro hoje com a família.

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Após uma temporada de estudos, pesquisa e projetos na França, você retornou ao Brasil, em 2006. Desde então tem produzido monotipias, pirogravuras e scratchboards. Foi nesse período que você se identificou com os registros étnicos, ancestrais ou indígenas, e com a chamada arte bruta ou espontânea?

MN: A passagem pela França me deu a tal experiência do afastamento, como acontece com outros tantos, e permite um balanço de valores. Mergulhei de cabeça no cotidiano daquele jeito de ser velho mundo. Cinza, racionalista, existencialista. E do choque cultural veio o retorno. Minha mulher e eu voltamos reciclados. Mais importante do que assimilar a cultura local foi mesmo o acesso àquele vasto repertório cultural e artístico de tantas culturas. E isso foi importante pacas para motivar o que me importa. Pouco antes da vivência na França, meu trabalho tinha uma pegada mais pop. Mas, digamos, que a vivência européia intensificou o que já havia de brasilidade em mim. A vida rural, às identidades, à diversidade natural, artística, visual, musical, aos interesses e preocupações que sempre me acompanharam a vida toda. Curto mitologia, meio ambiente, arte popular e nativa e culturas circulares.

Captura de tela 2014-03-23 às 07.05.02Exposições: http://negroaporter.blogspot.com.br/

Você já participou de várias exposições nacionais e internacionas, como: Brasil: Incontáveis Linhas, Incontáveis Histórias e participará da Feira do Livro para Crianças e Jovens de Bolonha, em 2014. Qual a sua opinião a respeito desses eventos literários? Eles ajudam a colocar o autor brasileiro em evidência no Mercado internacional?

MN: Só uma correção. A exposição da qual participarei em Bolonha, quando o Brasil será o país homenageado, é essa que você menciona: Brasil: Incontáveis Linhas, Incontáveis Histórias. Mas, respondendo a sua pergunta, é difícil dimensionar a importância dessas participações internacionais. A literatura brasileira tem, é claro, uma baita oportunidade de mostrar seu força. Bogotá no ano retrasado, Frankfurt no ano passado, Bolonha neste ano, e dizem que também em Paris, Londres e Nova York na sequência, escolheram o Brasil como o país homenageado. São eventos literários consagrados, o que nos dá prestígio. Somos ainda pouco conhecidos e traduzidos no exterior e, com essa exposição toda, é bem possível que as perspectivas melhorem. Oxalá isso também repercuta por aqui, de alguma forma. Carecemos ainda de leitores espontâneos no Brasil. Que uma coisa, portanto, se alimente da outra!

Capas Negro
Você tem livros publicados (Jóty, o tamanduá, A palavra do grande chefe, Quem não gosta de fruta é xarope, Zum Zum Zum, Balaio de gato, Mundo cão) e vários ilustrados, e já
ganhou diversos prêmios. Qual o livro que lhe trouxe maior satisfação e reconhecimento?

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MN: Em vez de citar um livro, diria que em todos eles me reconheço. Pelos efeitos e também pelos defeitos. Minha ficha caiu, por exemplo, quando fiz Zum Zum Zum. Só por esse motivo, esse livro vale muito para mim. Quem não gosta de fruta é xarope, por exemplo, é fruto (sic) direto do meu mergulho íntimo. A palavra do grande chefe, coautoria com o Daniel Munduruku, é a síntese: a vida, não como se vive aqui e agora, mas como a deveríamos compreender e aproveitar. O choque entre as tradições, linearidade e circularidade, está no discurso maravilhoso do Chefe Seattle que recontamos. Houve até uma leitura presencial desse livro, durante a FLIMT (Feira do Livro Indígena do Mato Grosso), tendo como ouvintes vários lideranças indígenas. Jóty, o tamanduá é também um projeto em parceria com uma autora indígena, a Vângri Kaingáng. Feito no Mato Grosso, publicado no Brasil, e depois traduzido na França. Fala do sentido da arte, para os Kaingang e para todos nós. Todos esses livros me deram muito trabalho, cansaço e depois alegrias, aprendizados, amizades e até alguns prêmios.

Além de escrever e ilustrar, você ministra palestras educativas, é curador e coordenador editorial, correto? Com qual dessas atribuições você mais se identifica? Numa outra entrevista você respondeu que ilustrar um livro é: …fazer música. Comente, por favor.

Curiosidade: Mauricio Negro fala sobre as técnicas de ilustração e como as aplica no dia a dia da profissão. Clique aqui.

vimeohttp://vimeo.com/2179333

MN: A música dá inveja da boa. Vai direto ao sentimento. A assimilação visual e literária é mais intelectual, tem atalhos. Na nossa educação ocidental, ainda por cima, há um nó. Quando se cresce, mais valor damos à palavra escrita. Menos à falada e, especialmente, à imagem. Por isso, gosto dessa ambição: o texto está para a letra assim como a ilustração está para a música. Nos melhores momentos, o livro é canção. Bem, acho que há um continuum em tudo que faço, e preciso ligar as coisas. Tem vezes que me assusto com o rumo que, às vezes, as coisas tomam. Brincar de criar é coisa séria. Mas gosto da transversalidade, sim. É pura vontade de fazer e compartilhar o que acho merecedor.  Mas sou um amador, ou melhor, faço por amor seja lá o que for. E acho que a diversidade brasileira profunda ainda é pouco conhecida. Me incomodam os velhos paradigmas, o etnocentrismo, os modelos ideológicos vencidos, a indústria de consumo e a monocultura em geral. E preciso dividir minhas impressões e sentimentos sobre essa linearidade, daí vou me arriscando a assumir papéis imprevistos. Tudo se conecta, mas sou um autor.

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Qual a sua opinião, como autor de literatura infantojuvenil contemporânea: você acha que há preconceito contra a literatura infantojuvenil, que as pessoas consideram a literatura adulta superior?

 MN: Há e é uma tremenda tolice. Cada criança, como um adulto, tem sua própria identidade. Não se cria para um público específico. Literatura é Arte. Livros ilustrados são para crianças? Talvez, embora não exclusivamente. Livros sem ilustrações são para adultos? É certo, mas para algumas crianças também. São convenções e questões de mercado que geram ideias pré-concebidas. Aquilo que diz feito para a criança, em geral, é esquemático, redutor, estereotipado ou oportunista. A indústria é hábil em manipular. Uma criança pode ser diferente da outra pela idade, Mas também pela educação, referências culturais, sensibilidade, valores familiares, região onde vive, circunstâncias socioeconômicas e muitos outros aspectos. E uma criança – seja qual for – costuma ser mais maleável, crítica, sincera e sensível que um adulto. Penso que se há um desdém pelas crianças, está então por toda parte. Se viramos consumidores, em vez de cidadãos, com a garotada isso ainda é mais crítico.

Boa parte do crédito e interesse que nossa literatura tem conquistado no exterior, acredito, deve-se à qualidade notável dos nossos livros ilustrados. Em geral, feitos para os mais jovens. Ali estão as mais ousadas experiências de texto, ilustração e projeto gráfico. A literatura dita infantil trata dos temas e questões essenciais da filosofia. Sem firulas. linguiças e chaleiradas. Quando honesta, vai ao que interessa para tocar qualquer leitor. E ainda conta com o encanto narrativo das ilustrações.

livros ilustradosDepois de escrever e ilustrar muitos livros, que conselho você daria aos novos autores e aos novos ilustradores?

MN: Quem não rabisca, não petisca. Evite modismos e tendências, salvo como exercício. Copie para aprender e depois desaprenda. Conhecer é bom, mas informação tem limite: a sua sensibilidade. Estilo é decorrência, não se persegue. Use espelho. Medite. Cada coração tem sua batida. O tempo dirá. Escrita e desenho são feitos do mesmo barro. Respeite tanto um quanto o outro. E valorize cada gota de tinta ou de suor.

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Mauricio Negro: Ilustrador, designer gráfico e escritor identificado com temas fantásticos, ancestrais, mitológicos, ambientais, étnicos ou ligados à diversidade cultural e artística brasileiras. Seleção Brasil: Incontáveis Linhas, Incontáveis Histórias (Bolonha, 2014), Prêmio Jabuti – Infantil (Brasil, 2013), Finalista Prêmio Jabuti – Capa (Brasil, 2013), Seleção Prêmio Latino-americano de Ilustração – UP (Argentina, 2013), The Merit Award/Hiii Illustration (China, 2012), Prêmio Editorial XX SIDI (Brasil, 2012), Seleção CJ Picture Book Festival (Coreia do Sul, 2009), Prêmio Incentivo NOMA (Japão, 2008), Menção Honrosa XV SIDI (São Paulo, 2007), White Ravens: Special Mention (Alemanha, 2000), Várias vezes Altamente Recomendável pela FNLJ. Coordenador editorial da Coleção Muiraquitãs (Global Editora) e membro do conselho gestor da Sociedade dos Ilustradores do Brasil (SIB). Autor-ilustrador de sete livros: Jóty, o tamanduá (em francês pela Éditions Reflets d’Ailleurs), A palavra do grande chefe, Quem não gosta de fruta é xarope, Zum Zum Zum, Balaio de gato e Mundo cão (todos pela Global Editora). E, em breve, Por fora bela viola (Edições SM, 2014). É bacharel em Comunicação Social pela ESPM. Após uma temporada de estudos, pesquisa e projetos na França, retornou ao Brasil em 2006. Desde então tem produzido monotipias, pirogravuras e scratchboards. Também utiliza pigmentos naturais, material alternativo ou reciclado, anilinas e elementos orgânicos. Sua abordagem visual flerta tanto com os registros étnicos, ancestrais ou indígenas, quanto com a chamada arte bruta ou espontânea. Faz uma releitura contemporânea, poética e subjetiva dessas referências circulares.

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Mini-entrevista com a Marilia Pirillo!

[ Marilia Pirillo, direto do Rio de Janeiro: cidade das mil e uma maravilhas!]

A última mini-entrevista de 2011 é com a escritora e ilustradora Marilia Pirillo, direto do Rio de Janeiro. Eu não a conheço pessoalmente, apenas pela internet e por suas lindas ilustrações. Ela também participou da antologia Era uma vez para sempre , da Editora Terracota.

O que levou você a se dedicar aos livros infantojuvenis?

MP: Tenho lembrança de quando muito pequena ficar encantada com as ilustrações dos poucos livros que chegavam às minhas mãos. Ficava observando por longos períodos os detalhes, as cores, a luz. Ficava tentando descobrir com que material mágico e misterioso alguém podia desenhar daquela maneira. Pensava que, com certeza, não era com as mesmas canetinhas e lápis de cor que eu tinha no meu estojo. Fui crescendo, descobrindo novos materiais e livros. Li muito, comecei a escrever e, aos poucos, percebi que contar histórias era o que me motivava, através de imagens ou/e de palavras. O desejo de despertar esse mesmo  encantamento nos leitores é o que me move. A minha escolha pelos livros infantojuvenis se deve a minha crença de que eles podem ser pequenos portais mágicos para crianças e jovens se encantarem.

Em sua infância, quais os autores e artistas plásticos de que você mais gostava e quais os que mais a inspiraram?

MP: Tive poucos livros em casa, cresci assistindo a tevê, desenhos animados e muito Sítio do Pica Pau Amarelo. Tinha também a minha vitrolinha, onde ouvia repetidas e incansáveis vezes, até saber de cor, minha “Coleção Disquinho” com adaptações dos clássicos, músicas compostas e adaptadas por João de Barro e orquestradas por Radamés Gnattali. Na escola lembro de ler Mário Quintana (que eu amo!), Érico Veríssimo e Sérgio Caparelli, entre outros autores gaúchos. Enfim minha inspiração foi e ainda é multimídia.

Qual a sua opinião, como escritora e ilustradora, sobre a literatura infantojuvenil contemporânea?

MP: Outro dia assisti a uma reportagem sobre o stress que o bombardeio de informação vem trazendo para as pessoas. Na frente do computador nos afogamos em informação ao navegar pela rede. Um estudioso do assunto afirma que uma pessoa precisaria de seis anos para ler tudo que é publicado na internet em apenas um dia!  Na literatura infantil e juvenil o panorama não é muito diferente, a quantidade de livros publicados por ano é imensa! Vejo livros com recursos gráficos impensáveis há alguns anos, vejo novos escritores e ilustradores podendo publicar, inclusive de maneira independente, com muito mais facilidade. Vejo um mar de livros saindo das gráficas mensalmente. Acompanhar os lançamentos e ler essa quantidade de novos títulos se tornou impossível até mesmo para quem trabalha com LIJ. Assim, infelizmente, muitos bons livros passam despercebidos, pulverizados no meio de tantos outros. São livros excelentes que muitas vezes não passam da primeira edição, mal vendem 2.000 ou 3.000 exemplares. Vejo pais, professores e leitores perdidos nesse turbilhão, sem muitos parâmetros para escolher livros. Muitas vezes, seduzidos pela mídia, por temáticas ou por imagens, acabam adquirindo livros de pouca ou nenhuma qualidade literária. É a predominância da quantidade acima da qualidade. Será que essa enxurrada de livros forma leitores? Será que a literatura se tornou gênero de consumo rápido como o fast food? Será que nessa maré os livros de papel desaparecerão? Tenho mais perguntas do que respostas…

Você acha que há preconceito contra a literatura infantojuvenil, que as pessoas consideram a literatura adulta superior?

MP: Acho que as pessoas consideram a literatura adulta mais elaborada e se enganam ao pensar que escrever para crianças é mais fácil do que escrever para adultos. No meu entender escrever para adultos e para crianças é algo bastante diferente, mas igualmente difícil se você deseja fazer literatura de qualidade.

Para você, que também é autora, as pessoas andam lendo e escrevendo mais e melhor, nestes tempos de internet?

MP: Cerca de apenas 35% da população na América Latina tem acesso à internet, enquanto na América do Norte ela é usada por 75% da população, na África apenas 10% da população tem acesso às redes, ou seja, não estamos falando de algo consolidado, mas de algo ainda em processo. Eu tenho a impressão de que as pessoas que tem acesso à internet, talvez estejam lendo e escrevendo mais, mas não acredito que estejam lendo e escrevendo melhor. Acho que a escrita e a leitura na internet exigem rapidez, mas pouca profundidade.

Sobre a autora:

Nasci, cresci, estudei, casei e tive duas filhas em Porto Alegre, Rio Grande do Sul. Há cerca de oito anos mudei para o Rio de Janeiro, onde vivo atualmente. Me formei em Publicidade e Propaganda e durante cinco anos tive um estúdio, chamado Laboratório de Desenhos, onde trabalhei criando ilustrações para diversos materiais publicitários, informativos, educacionais e editoriais. Hoje me dedico exclusivamente à ilustração e a escrita de livros para crianças e jovens. Já ilustrei mais de trinta livros infantis e tenho cinco livros publicados com minhas histórias: Baratinada, minha estréia na literatura juvenil, O Menino do Capuz Vermelho, Bonifácio, o porquinho, Bagunça e Arrumação e o recém lançado Um fio de amizade. Para saber mais visite meu blog Garatujas e Divagações.

Mantém o blogue Garatujas e Divagações: http://www.mariliapirillo.com

Aproveito para agradecer a todos os escritores, ilustradores, contadores de histórias, editores e profissionais da área de literatura infantojuvenil que gentilmente participaram das mini-entrevistas. Comecei no Cronopinhos em 2005, quando publiquei o meu primeiro livro em coautoria com o Luiz Bras, Bia olhos azuis, Editora Alaúde. Depois dei uma desacelerada, mas neste ano retomei as entrevistas com mais fôlego, rs. Meus agradecimentos, e desejo de coração: um ótimo Natal para todos, e um 2012 com muitos livros e mini-entrevistas para humanos e mini-humanos, rs! Arigatô, kanpai e gambarê!

Lançamento 2013!  Homenagem ao poeta Manoel de Barros.

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Outros livros:

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• 60 Contos Diminutos – Editora Gaivota, 2012
• Um fio de amizade – Editora LaFonte, 2011
• O Menino do Capuz Vermelho – Editora Prumo, 2010
• Bagunça e Arrumação – Editora Prumo, 2009
• Bonifácio, o porquinho – Editora WMF Martins Fontes, 2009
• Baratinada – Editora Biruta, 2008
• Alguns segredos e outras histórias – coletânea de contos para jovens – Editora Larousse, 2008
• Quando tudo acontece de repente – coletânea de contos para jovens – coleção Entretempos – Editora Larousse, 2008

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Minientrevista com o arte-educador Joba Tridente.

[ Minientrevista com o artista, poeta e arte-educador Joba Tridente, direto de Curitiba ]

Quem não se lembra e não tem saudades do famoso Nicolau? O nome do jornal, Nicolau, homenageava as várias correntes imigratórias que contribuíram significativamente para a formação da cultura paranaense (Um Periódico Cultural Em Busca De Poesia -

 Maria Lúcia Vieira, mestre em Literatura Brasileira / Professora da UTP). Essa publicação cultural atingiu uma tiragem bastante elevada, cerca de 150 mil exemplares mensais. Sob o patrocínio do Governodo do Estado do Paraná, com o aval do então secretário de cultura, René Dotti, a ideia da criação do  periódico foi do jornalista Aramis Millarch, na década de 90.

Eu tenho saudades do Nicolau. Fiz algumas ilustrações para essa multifacetada e saudosa publicação. Nos anos 90 eu ainda trabalhava com papel, pena e nanquim. Conheci o Joba Tridente naquela época, ele era o editor gráfico do jornal. Bons tempos! Mas, enfim, agora temos o Rascunho, com o qual também contribuo com ilustrações digitais, novas mídias e novos materiais de desenho.

Foto: Teodoro Adorno

Neste começo do século 21, Joba e eu entramos em contato novamente, e aqui estou, divulgando um pouco do seu maravilhoso trabalho pedagógico (confira no Achados & Perdidos um post antigo, sobre uma oficina que ele ministrou em Sampa), sobre o qual ele diz: “Eu ensino, na realidade, as pessoas a redirecionarem o olhar”. Legal, não?

Um dia irei a Curitiba fazer uma de suas oficinas, e também encontrar a Jane (minientrevista) e a Marília, nossas amigas do Paraná.

Ah, o Joba já veio a Sampa duas vezes. Na primeira eu ainda morava num apertamento de dois dormitórios, na rua da Consolação, com o Nelson. A nossa Érica era uma bebê ainda, tinha acabado de nascer (1994), rs.

Em 2012, o Joba e eu participamos do Mail Art – The Books / Arte Postal – Os livros, na Galeria Gravura Brasileira. Essa exposição foi organizada pela artista plástica Constança Lucas (confira aqui a minientrevista que fiz com a artista).

Valeu, Joba, por ter apoiado e publicado as minhas primeiras ilustrações. Arigatô! Agora saibam mais sobre o companheiro de letrinhas e artes na mini-entrevista baixo:

Foi através do Rogério Dias, artista plástico, que você conheceu o Wilson Bueno, editor do Jornal Nicolau (1987-1995). Ele o convidou para fazer o projeto gráfico do jornal, pois você também é um artista gráfico, correto? Você ficou cinco anos como editor gráfico (1990-1995) dessa publicação, sendo assim, você poderia nos contar um pouco sobre essa experiência?

JT: Quando sai de Brasília, em 1990, não pensava em morar no Paraná. A minha ideia era sumir no Pantanal. A referência que tinha de Curitiba era a belíssima revista Gráfica, do Miran, e o provocativo jornal Nicolau, que conheci quando trabalhava no CNDA – Conselho Nacional de Direito Autoral, em Brasília. Estava apenas de passagem por Curitiba e, ao visitar a redação do Nicolau, o Wilson Bueno me convidou para fazer ao menos uma edição do Nicolau, já que o seu artista gráfico estava se desligando do projeto. Fiquei por cinco anos.

Quem via e elogiava o Nicolau pronto, nem imaginava as dificuldades de verba (salário) e a carência de material gráfico. Era um trabalho totalmente artesanal: diagramação, past-up sobre diagrama, fotocomposição, fotolito, catálogos letraset e mecanorma, faquinha (estilete) para fazer emendas (texto revisado) etc… Na verdade eu fazia toda a diagramação “no escuro”. O pessoal da fotocomposição (da Imprensa Oficial) não tinha como compor textos com as especificações técnicas. Assim, eu lia as matérias, imaginava o espaço (com título e ilustração), calculava o corpo, linhas etc…, e mandava ver. Quando chegava o rolo de texto fotocopiado é que via se tinha dado certo. Com o tempo acabei padronizando (sempre que possível) para facilitar para os dois lados!

Sempre usei o meu próprio material: caneta nanquim, catálogos de fontes. Acredito que, até meados da década de 1990, foi a melhor época para a formação prática de um programador visual em qualquer veículo de comunicação. Pensava-se para fora. Hoje, com o computador e seus programas prontos (tapa buraco) “pensa-se” para dentro. O artista gráfico, de ontem, continua artista gráfico, um comunicador visual. O que veio depois virou designer, uma categoria (?) profissional que agrega de tudo: desenhista industrial, ilustrador, cabeleireiro, maquiador, manicure, decorador, educador físico etc.

De volta ao Nicolau, a gente precisava de toda criatividade para compor títulos, logos, contando apenas com uma máquina Xerox. É como se diz, a necessidade é a mãe (e pai) da inventividade! Era divertido reinventar o título do Nicolau a cada edição: cortava, rasgava, queimava etc. Fui eu quem instituiu a boneca do jornal. Até então o Bueno e equipe só via o jornal no diagrama e pronto. Com a boneca era possível saber como ficaria o jornal e mudar alguma coisa antes de ir para a Imprensa Oficial (que o imprimia no sufoco), onde eu madrugava.

Quando Wilson Bueno esteve visitando a Columbia University, em Nova York, para fazer palestra sobre o Nicolau, que passou a integrar o projeto cultural daquela instituição norte-americana, um professor de artes gráficas lhe perguntou qual programa (software) eu usava para criar efeitos e fontes. Ele sequer imaginava que por aqui se vivia no pré-pc. Enfim, cinco anos de Nicolau e de puro trabalho artesanal.

Depois que a equipe do NICOLAU (Wilson Bueno, Fernando Karl, Ângelo Zorek, Joba Tridente) se desfez, você seguiu outro caminho, virando Oficineiro Cultural, há 17 anos. O título de seu blog é Lixo que vira arte, pois você só utiliza materiais recicláveis, principalmente embalagens de pizza, de ovo e caixinhas de fósforo. Em suas criações você acaba inserindo as palavras impressas nessas embalagens. Como surgiu a ideia, e qual é a principal proposta dessas oficinas?

JT: Quando acabaram com o Nicolau, a convite da Fundação Cultural de Curitiba criei a Oficina Assim Nasce um Jornal (1995), que ensinava todo o processo da criação de um veículo de comunicação. Na sequência, criei, a convite do Sesc, a Oficina Hai-Kai Sem Compromisso, trabalhando com crianças.

Uma oficina (gráfica e ou literária) foi puxando outras e na diversificação, participei do Projeto Comboio Cultural (2001/2002) com InterAtividade (uma miscelânea de três Oficinas: Poética Postal, Arte Postal, Poesia Aleatória – Reciclando a Palavra) que durante um ano rodou todo o Estado do Paraná e se apresentou em São Paulo (Ibirapuera) e Rio de Janeiro (Aterro do Flamengo). Em Poética Postal trabalho a poesia visual; em Arte Postal trabalho a colagem e a interferência; na Poesia Aleatória trabalho a reutilização da palavra deitada fora em publicações.

No Comboio Cultural (que acontecia em praças públicas) já trabalhava com a reciclagem de papel (atividade e apresentação) e logo após o projeto comecei a criar bonecos articulados (para Contar Histórias) utilizando, primeiramente, embalagens de papel e depois plásticas. Gosto mesmo é do papel. Ultimamente reutilizo embalagens de pizza no Projeto 1001 Reutilizações de Embalagem de Pizza e ingresso plástico estampado no Projeto A Arte Anda.

Como digo na sinopse das oficinas: Hoje em dia fala-se muito de reciclagem, principalmente do reaproveitamento de diversas embalagens. No entanto, muita gente ainda não se deu conta da importância de Reduzir, Reutilizar e Reciclar as sobras do que consome. O lixo, para uns, não passa daquilo que está restando, sobrando em casa, e tem de ser deitado fora. O lixo, para outros, é aquilo que é deitado fora, mas que ainda pode ser reutilizado e reciclado. Ou seja, o material que a maioria joga fora pode ser lixo ou tornar-se arte. Depende de quem o joga e de quem descobre um uso para ele.

A ideia é tornar útil o que parece inútil (embalagens e sobras de papel, caixas de fósforos, prendedores de roupa, imãs de geladeira, tubos de papel-toalha e de papel higiênico, cd) em agradáveis e divertidos bonecos muito animados (que podem ser usados em sala de aula ou teatro, como ilustrações ou intérpretes de histórias) e ou, ainda em brinquedos brincáveis.

Ao aprender Reciclar Palavras o oficinando cria uma poesia casual, descontraída e até mesmo distraída, através de um dinâmico e divertido exercício que busca dar um novo sentido a palavras aleatórias em textos aleatórios. Um exercício que o fará pensar no significado da palavra que tem em mãos ao construir um verso e descobrir que algumas são poéticas e outras esperam a vez de se tornarem poéticas.

Você utiliza em suas contações de história as suas criações (bonecos, animais, máscaras, brinquedos e jogos) para encantar as crianças? Suas criações e histórias estão mais voltadas para o mundo do ?

JT: A minha Contação de Histórias é um espetáculo híbrido. Conforme a história utilizo objetos e ou bonecos animados.

Eu conto histórias que ouvi (e ouço) contar e que li (e leio) em livros e gibis (físicos e virtuais). Histórias das minhas memórias. Histórias que continuam as mesmas, como chegaram a mim, cheias de remendos. Gosto de histórias com remendos, estranhas, que foram se moldando ou se adaptando em centenas de bocas outras.

São histórias brasileiras e histórias universais, de autoria conhecida e ou desconhecida. Apresento um pouco da palavra de cada povo, traduzida em contos, lendas, fábulas, causos, folclore, para que ele possa encontrar, na linguagem de cada um, o mesmo encanto que encontrei quando a ouvi ou a li a primeira vez.

Você se considera um livre pensador, um contador de histórias e um artesão de palavras e imagens. Trabalhando com a palavra do olhar e com o olhar da palavra para falar de cinema, literatura, artes e cultura popular, correto? E sendo um artista da imagem e da palavra, você pretende narrar as suas experiências sobre esse olhar mágico e maravilho em um livro direcionado para as crianças?

JT: Logo após o Comboio Cultural comecei a escrever sobre a minha experiência no projeto e a de Oficineiro, acrescentando entrevistas e depoimentos de artistas de estrada. Tive problemas com o computador, não salvei, e perdi tudo. Anos depois retomei o projeto que chamei de Observações de um Oficineiro Cultural, que está cochilando. Às vezes relato passagens inesquecíveis das minhas vivências na estrada em matérias e ou conversas por aí. Tenho um poético roteiro de cinema pronto, sobre um garoto de periferia que aprende a fazer bonecos e a contar histórias (é bem lúdico!), e estou desenvolvendo outro sobre os fazedores itinerantes de arte (road movie!). Escrevi algumas histórias que podem interessar ao público infantojuvenil e penso em recursos gráficos alucinantes, caso venham a ser publicadas. No momento a minha vivência do olhar é partilhada em Oficinas, Contação de Histórias, onde explico como (e porque) foram criados bonecos e ou adaptados objetos e ou no blog Lixo Que Vira Arte.

Sei que você ama a poesia, principalmente os haicais, pela sua beleza e síntese. Você, em suas oficinas, também ensina às crianças o fazer poético? A brincadeira com as palavras?

JT: Sim! A minha primeira Oficina Literária, Hai-Kai Sem Compromisso, foi criada para trabalhar, primeiramente, com crianças. Assim como a Poesia Aleatória, que cheguei a orientar em um Lar de Crianças, em Londrina, e que contou com alguns participantes analfabetos. As oficinas literárias resultam em livros impressos e PDF. A de Londrina ganhou uma bela exposição com Poesia em Portas de Geladeira.

E para terminar esta mini, o que você diria para os pais e para as crianças sobre arte e literatura?

JT: O importante é aprender a olhar além e aquém da arte. Pois o ponto que se avista nem sempre é o que importa na sua leitura. Só se apreende a arte quando se brinca e não quando se briga com ela. Gosto não depende de convenção, mas de compreensão.

Confira uma entrevista muito interessante com o Joba Tridente para a rádio Uel de Londrina.

http://www.uel.br/uelfm/audios/13283-Joba_Tridente_04-05.mp3

Site: http://lixoquevirarte.blogspot.com.br/

No twiter: https://twitter.com/JobaTridente

No facebook: http://www.facebook.com/joba.tridente

Artesão da palavra: http://falasaoacaso.blogspot.com.br

Sobre cinemahttp://claqueouclaquete.blogspot.com.br/  e  http://www.gazetamaringa.com.br/online/conteudo.phtml?id=1227401

Joba Tridente: artista gráfico, artista plástico e escritor. Oficineiro cultural desde 1995. Bonequeiro e contador de histórias desde 2000. Trabalhou na Abril Cultural-SP, Ministério da Cultura-DF e SEEC-PR. Expôs em São Paulo, Brasília, Rio de Janeiro e Curitiba. Publicou prosa e verso pela Civilização Brasileira e Kátharsis.

Mini-entrevista com Aloísio Castro, direto do Metrô de São Paulo

[ Minientrevista com Aloísio de Castro, chefe do departamento de marketing corporativo do Metrô de São Paulo. ]

Fotos: divulgação

O Aloísio de Castro eu conheci através do Aluízio Gibson, ambos trabalham no metrô de São Paulo. Quando convidei o Aluízio ele já tinha mudado de cargo na empresa, e quem o substituiu foi o Aloísio. Dessa forma, depois que tomei conhecimento do seu primoroso trabalho de ilustração, resolvi convida-lo também para a mini-entrevista. Foi um prazer entrevistá-los, ambos trabalham constantemente na divulgação da cultura, junto à população. Parabéns e obrigada pela participação no Abraços. Valeu!

Aloísio, como foi a sua infância/adolescência, e como a leitura e outras expressões culturais passaram a fazer parte de sua vida?

Ilustrações: Aloísio de Castro

AC: Posso dizer que os gibis, histórias de aventuras, filmes de ficção e seus inúmeros personagens sempre estiveram presentes na minha infância e adolescência. E essa minha vontade de conhecer as coisas, de escrever e desenhar tudo, tem suas raízes familiares.

Meu pai, Dr. Aldemar, foi um médico muito querido em Sorocaba; quando não estava atendendo no consultório, ou no hospital ou em alguma visita médica, ele ficava no escritório lá em casa, sempre lendo alguma coisa e tinha por hobby, escrever romances. Minha mãe, Dna. Marinalva, professora, dedicou-se a arte de ensinar boas maneiras para seus sete filhos; eu sou o mais velho. Mas ela também tinha seu hobby (quando os sete lhe davam alguma folga); desenhava e pintava muito bem. Mas as influências não param por aí; meu avô, José Aloísio Vilela, folclorista alagoano, tinha uma grande e rica biblioteca. Além de centenas de livros, havia coleções de armas antigas, facas e punhais do cangaço, couros de jacaré, de cobra grande e de outros animais. Entrar ali, escutar suas histórias e as histórias das caçadas dos meus tios, era mergulhar em aventuras sem fim.

Em paralelo com o trabalho que desenvolve na área de Marketing e Comunicação do Metrô, você se dedica com afinco à arte das histórias em quadrinhos. Um de seus trabalhos, a novela gráfica Carcará, foi editado em livro em 2011 pelo selo BooHQ e considerado uma das melhores HQs daquele ano. Conte-nos como foi esse processo criativo.

AC: A história, contada em 96 páginas, gira em torno do conflito de dois fazendeiros no final dos anos 1920, em pleno sertão nordestino. Carcará, uma ave de rapina, dá nome ao cangaceiro que protagoniza o enredo. Cenas de lutas e de morte, ilustram situações bem comuns naquele período histórico e a histórias do cangaço sempre me fascinou. Os primeiros esboços do Carcará surgiram em 2003, mas o livro ganhou fôlego quando foi selecionado pelo Programa de Ação Cultural, o ProAC, da Secretaria de Estado da Cultura, em 2010. A versão final do trabalho foi produzida em 11 meses. Foram meses pesquisando, estudando a história e os hábitos da época para tornar a HQ mais fiel àquele universo. O estilo do desenho é de contraste acentuado, realçando com isso, o aspecto árido do agreste nordestino. As sombras e recortes completam o toque dramático nas cenas e nas expressões das personagens. As artes foram feitas em nanquim sobre papel, em lâminas de 21 cm por 30 cm.

Por conta desse trabalho, tive a honra de ser um dos sete indicados a Desenhista Nacional na 24ºedição do Troféu HQMIX-2012.

Mas a sua história com quadrinhos e ilustração começou bem antes. Conte como foi.
AC: Publiquei meus quadrinhos pela primeira vez em 1984. Na época, produzi algumas histórias de terror para a famosa revista  CALAFRIO e outras, no estilo policial, para a editora Abril; na sequência, fiz os desenhos para o personagem de faroeste Gringo, novela gráfica do roteirista Wilson Vieira, que só viria a ser publicado mais de 20 anos depois.

Nos anos 1990, já trabalhando no Metrô, fui convidado e aceitei ser corroteirista do filme de animação Cassiopeia, de Clóvis Vieria, o primeiro desenho animado feito totalmente em computação gráfica no mundo.

Participei de algumas edições da revista Front, onde artistas gráficos publicavam seus quadrinhos, sendo uma dessas edições premiada com o HQMIX, em 2007. Também desenhei e ilustrei, junto com outros grandes artistas gráficos, página do livro Prontuário 666 Os anos de Cárcere do Zé do Caixão.

Aloísio, agora você assumiu a área de marketing do Metrô de São Paulo, que antes era administrada pelo Aluísio Gibson, que também participou do Abraços (confira aqui, o link de sua mini-entrevista). Quais os novos projetos na área cultural? Você dará preferência à literatura e às HQs?

AC: Com a implantação do plano de expansão do Metrô e a consolidação do acervo de arte pública da companhia, Projeto Arte no Metrô, surgiu uma nova demanda para instalação de  obras de arte nas novas estações durante as obras civis. Esta estratégia visa compatibilizar os cronogramas de instalação obra de arte/obra civil (elétrica, arquitetura, estrutura acabamento).

Em 2012 foram publicados através do site Metrô, www.metro.sp.gov.br  os espaços das novas estações da Linha 5 – Lilás, com vocação para a instalação de obras de arte, como uma forma de democratização da informação. Esta iniciativa será estendida paulatinamente em sintonia com os projetos de expansão do Metrô.

Em paralelo,  no Programa de Ação Cultural seguimos com o projeto de 20 exposições mensais da Linha da Cultura e o projeto Embarque na Leitura que registrou no último mês 4.906 empréstimos. Até o final deste ano está previsto o Canto Coral de Natal, com apresentações de corais na 1ª quinzena de dezembro e a realização do 2ª Festival Internacional de Músicos de Metrô.

No mês de agosto participaremos do projeto Design assinado por todos que prevê a exposição de 12 designers em 4 estações da Linha 2 – Verde e que tem o objetivo de promover a cultura do design.

Quanto à preferência entre a literatura e os quadrinhos, tem espaço para todos; basta querer ler.

E, para terminar, comente essa frase (do vídeo institucional abaixo):

“Tinha uma biblioteca no meio do caminho. No meio do caminho tinha uma biblioteca. E quando há uma biblioteca no meio do caminho o mundo dacultura se revela.”

AC: Faz a diferença, muda hábitos, dá voz e se torna irresistível e necessário à construção da cidadania…

Embarque na Leitura; cultura ao alcance de todos.

José Aloísio Nemésio Brandão Vilela de Castro nasceu na capital paulista em janeiro de 1955; muitos gibis, filmes de ficção, aventura e seus inúmeros personagens povoaram sua infância e adolescência na cidade de Sorocaba, interior de São Paulo, onde reside.

Publicitário e ilustrador, Aloísio de Castro trabalhou no Jornal Cruzeiro do Sul no início da década de 80, produzindo cartuns diários, ilustrações e anúncios para o jornal. Criativo e entusiasmado com a propaganda, estagiou e trabalhou em grandes agências de propaganda, Alcântara Machado, SGB, entre outras.  Em 1985, aceitou o convite do Metrô de São Paulo para integrar a equipe voltada ao desenvolvimento de ações de comunicação para os usuários do sistema, criando, desde então, inúmeras campanhas e personagens para esse fim. Publicou histórias de terror na famosa CALAFRIO, fez parte das últimas edições da revista FRONT Quadrinhos (prêmio HQMix de 2007), foi corroteirista do filme CASSIOPÉIA, o primeiro desenho animado totalmente feito por computação gráfica e foi um dos roteiristas da equipe de humor de Ronald Golias. Convidado juntamente com outros grandes artistas gráficos, Aloísio desenhou/ilustrou página da Novela Gráfica Prontuário 666 – Os anos de cárcere do Zé do Caixão, homenageando, cada um no seu estilo e toque pessoal, à personagem macabra que é Zé do Caixão.

Sempre pesquisando as histórias do Brasil e os grandes mestres do traço como o incomparável Sérgio Toppi (a quem dedicou as páginas do GRINGO, O ESCOLHIDO, seu primeiro trabalho autoral), Dino Battaglia, José Ortiz, Guido Crepax, Scott Hampton, Serpieri, Manara e tantos outros, Aloísio de Castro acredita na riqueza do folclore brasileiro, fonte inspiradora para suas histórias, paixões, heróis e vilões.

Abaixo, alguns links de sites especializados falando sobre a novela gráfica CARCARÁ.

Quadro-a-quadro, Impulso HQ, Blog do Assis Ângelo 

No facebook: http://www.facebook.com/aloisio.castro.5

Site: http://aloisiodecastro.blogspot.com.br/

Mini-entrevista com Oscar D’Ambrósio, UNESP.

[ Mini-entrevista com Oscar D’Ambrósio, diretamente da rádio UNESP, de São Paulo ]

Foto divulgação + origami by Tereza Yamashita

Oscar D’Ambrósio, doutorando em Educação, Arte e História da Cultura, mestre em Artes Visuais pelo Instituto de Artes da Unesp e jornalista. Integra a Associação Internacional de Críticos de Arte (AICA – Seção Brasil), escritor, resenhista e crítico literário.

Eu o conheci pessoalmente quando ele nos convidou, Luis Bras e eu, para uma entrevista, para o programa diário Perfil Literário (confira a entrevista aqui) no estúdio da Rádio Unesp em outubro de 2008. Já são 1550 entrevistas.

Depois disso eu assisti a uma palestra (2009) que ele ministrou no extinto Lugar Pantemporâneo, onde discorreu sobre “Conexões imagéticas vocabulares (inquietações fundamentais na arte de todas as épocas, por meio da pintura e da narrativa, a partir de doze quadros e de doze aberturas de romances livremente entrelaçados).” Adorei, aproveito para parabenizá-lo.

E em 2012 ele me convidou para a exposição “Que artista plástico sou eu?”para comemorar o Dia do Artista Plástico, dia 8 de maio. Clique aquiveja as obras e outras informações.

E para agradecer por todo o seu incentivo à minha arte, tanto na literatura como nas artes plásticas, resolvi convidá-lo também para as minhas mini-entrevistas, uma forma singela de agradecimento. Arigatô! Agora se deliciem com a mini!

Você é doutorando em Educação, Arte e História da Cultura, pelo Mackenzie, e mestre em Artes pelo Instituto de Artes da Universidade Estadual Paulista (Unesp), e se formou em jornalismo, correto? Quando você começou a se interessar por artes plásticas?

OD: Foi no final de 1999, quando conheci o artista plástico Waldomiro de Deus numa exposição itinerante que ele fez pela Unesp. Aquele encontro mudou a minha vida. Acabei fazendo um livro sobre ele e mergulhei nas artes visuais e nas suas pontes com outras linguagens. Foi um momento mágico.

Na Argentina, e depois no Brasil, como foi a sua infância/adolescência e como a leitura e outras expressões culturais passaram a fazer parte da sua vida?

OD: Vim para o Brasil com 5 anos. Minha referência argentina infantil é a célebre escritora Maria Elena Walsh. Já no Brasil, Monteiro Lobato foi uma entrada apaixonante, principalmente pela capacidade de falar de assuntos sérios de maneira lúdica como História do Mundo para as Crianças e Os 12 trabalhos de Hércules.

Famoso retrato de Maria Elena Walsh feita por sua parceira
e fotógrafa Sara Facio, que mais tarde interveio com pintura.

Qual a sua opinião, como escritor, leitor-crítico e resenhista, sobre a literatura infantojuvenil contemporânea, principalmente a que aborda as artes plásticas?

OD: Desde que ela não seja didática no sentido de defender uma ideia sem se preocupar com a forma, tenho e mantenho a mente aberta para as mais diversas manifestações. Creio que o melhor caminho é a liberdade de expressão e a convivência ente as diferenças. O didatismo excessivo também me deixa meio preocupado…

Como teórico e crítico literário, você acha que há preconceito contra a literatura infantojuvenil, que as pessoas consideram a literatura adulta superior?

OD: Creio que isso melhorou muito, mas ainda existe. O mesmo preconceito recai sobre aquarelistas, ilustradores, artistas que trabalham com papel de modo geral. Há uma tendência em vê-los como menos nobres, mas o tempo está fazendo a sua justiça.

Adaptado por Oscar D’Ambrosio e ilustrado pelo artista Jão, esta versão em quadrinhos de Iracemade José de Alencar, mantém o texto original e fiel à preocupação central do escritor: o nacionalismo.

Você tem vários livros infantojuvenis, mais de 35 livros na Coleção Contando a Arte, sobre artistas plásticos. O que o levou a escrever sobre esses artistas?

A possibilidade de falar deles de maneira descompromissada com a academia, mas responsável com o leitor. É o que mais gosto de fazer na vida e gostaria de ter possibilidades de ampliar essa coleção no futuro.

Você apresenta o programa diário Perfil Literário, idealizado pelo professor Ricardo, fazendo entrevistas com escritores, ensaístas e artistas plásticos, que é realizado para a Rádio Unesp desde janeiro de 2009 até hoje, e já são mais de 1.200 entrevistas. Poderia nos falar a respeito, principalmente sobre as entrevistas com os escritores de literatura infantojuvenil?

OD: Completamos 1550 entrevistas em junho de 2012. É uma prazerosa busca de dar voz às mais diversas vertentes, deixando cada um falar e deixar o seu recado literário com harmonia e delicadeza.

E, para terminar, você poderia comentar sobre o livro bilíngue, em coautoria com João G. Machado, sobre História: A imigração japonesa no Brasil – uma saga de 100 anos?

OD: Foi uma experiência muito interessante. Ele tratou mais da questão história e eu fiquei com a artística. Aprendi muito sobre os importantes artistas japoneses que vieram para o Brasil formar suas famílias e enriquecer a arte nacional.

Oscar D’Ambrosio, doutorando em Educação, Arte e História da Cultura, pelo (Mackenzie), Jornalista (ECA-USP), mestre em Artes pelo Instituto de Artes da Universidade Estadual Paulista (Unesp), campus de São Paulo é crítico de arte e integra a Associação Internacional de Críticos de Arte (Aica-Seção Brasil). Bacharel em Letras (Português-Inglês), é Assessor-chefe da Assessoria de Comunicação e Imprensa da Unesp e publicou, entre outros, Amazônia: a esperança do planeta; JS Comunicações Gráficas, Os pincéis de Deus: vida e obra do pintor naif Waldomiro de Deus, O Van Gogh feliz: vida e obra do pintor Ranchinho de Assis (ambos pela Editora Unesp) e Mito e Símbolos em Macunaíma (Editora Selinunte). Apresenta o programa diário Perfil Literário; entrevistas com escritores, ensaístas e artistas plásticos realizadas para a Rádio Unesp FM 105,7 MHz; de janeiro de 2009 até hoje.

Foto: Juliana

As entrevistas estão acessíveis em: http://aci.reitoria.unesp.br/radio/perfil_literario  ou http://podcast.unesp.br/index.php/mnuperfil

Escreveu para a Coleção Contando a arte de…, da Editora Noovha América, livros sobre os artistas plásticos Adélio Sarro, Aldemir Martins (em parceria com Rubens Matuck), Bittencourt, Caciporé, CACosta, Cláudio Tozzi, Dalmau, Da Paz, Di Caribe, Elias dos Bonecos, Estevão, Ferreira, Garrot, Gisele Ulisse, Gustavo Rosa, Jocelino Soarez, Jonas Mesquita, Juan Muzzi, Marcos de Oliveira, Maroubo, Peticov, Ranchinho, Roldão de Oliveira (em parceria com Ana Luiza de Oliveira, Rubens Matuck, Romero Brito, Sima Woiler, Sinval, Toyota, Walde-Mar (em parceria com Kimy) Stasevskas e Waldomiro de Deus. Tem ainda, também pela Noovha América. Iracema, de José de Alencar, em quadrinhos (adaptada pelo Oscar com ilustrações de Jão), A Luta, de Euclides da Cunha, em quadrinhos (adaptada pelo Oscar com ilustrações de Jão) e A Imigração Japonesa no Brasil: Uma saga de 100 anos (em parceria com João G. Machado).

No site: http://www.artcanal.com.br/oscardambrosio/

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Seus livros: http://www.noovhaamerica.com.br/lojanoovha/search.php?orderby=position&orderway=desc&search_query=oscar+d%27ambrosio&submit_search=Busca

Confira também: http://youtu.be/oxfvlpNeyec