Dia 19 de novembro

[ Nostalgia ]

niver191 copyEvi Rose – Criação da Evi Binzinger (Alemanha) – Dobradas por Tereza Yamashita

Amanhã,  dia 19 de novembro (Dia da Bandeira), a minha mãe faria 86 anos. E, no dia 15 de dezembro, o meu pai. Esses  são meses bem difíceis pra mim. A saudade vem como uma enxurrada.

Quero agradecer a eles, pessoas simples que foram, por todos os seus ensinamentos, entre boas e más lembranças que permearam os 83 anos de convivência.

A dona Amélia, como minha mãe era chamada, adorava cuidar de plantas, principalmente das flores (rosas), cultivando a arte da paciência do cultivo. O meu pai, o senhor Paulo, me ensinou a dobrar o tsuru, um pouco da milenar arte do origami, aqui passada de pai pra filha, ele plantou a sementinha da dobradura em mim.

Eu sou uma negação com as plantas, não consigo cuidar de um simples cacto. Mas admiro muito quem sabe lidar com a terra e fazer germinar uma roseira ou um arbusto. No entanto, estou aprendendo a arte do origami e estou cultivando flores de papel.

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Aprendemos e desaprendemos com os nossos progenitores. Somos parecidos com nossos pais, tanto fisicamente como emocionalmente, muito mais do que imaginamos. Na infância eles são os nossos heróis, na adolescência, e mesmo na vida adulta, muitas vezes queremos ser outros, ser diferentes deles… e só na maturidade passamos a compreendê-los e aceitá-los melhor. Também começamos a nos aceitar mais. A vida nos ensina a duras penas, e só depois que perdemos algo que amamos é que começamos a dar o seu devido valor. Assim será com nossos filhos & filhas, com as gerações futuras. Um eterno ciclo de aprendizado.

No Bazar “Ateliê das Meninas” senti nostalgia dos tempos da juventude, e uma delicada tristeza (consciência do tempo). A Cris, que me convidou para participar do bazar, está no auge da vida, com seus poucos 30 anos! Alegre, criativa e produtiva, com sua grande família. Todos os parentes prestigiando o seu primeiro bazar. Lembrei da nossa (Nelson e eu) primeira vernissage (pinturas com colagens e aquarelas), uma alegria só! E depois o nosso primeiro lançamento de livro, que coragem. Pois é, o tempo passou… Passaram nossos pais, amigos da faculdade e parentes dando a maior força!

No domingo passado, os escritores Heloísa Seixas e João Silvério Trevisan, no encontro do EMIL, comentaram sobre a difícil relação de pais & filhos… O ódio & o amor, dois sentimentos que infelizmente nutrimos muitas vezes em relação aos nossos pais. A difícil relação no final de suas vidas, o envelhecer, o cuidar e não querer cuidar de um ente querido com uma doença grave. O pior é que um dia envelheceremos também, e o ciclo vai continuar, mas talvez, com mais leituras de livros sobre o assunto, mais informações sobre geriatria e a prevenção do Mal de Alzheimer, poderemos envelhecer com mais dignidade.

Como comenta o professor Leandro Karnal:

“É só o morrer que torna a vida plena de sentido” e

“Morrer é o que nos torna úteis e práticos”.

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Aqui, fica uma homenagem aos meus pais. Rosas de Origami.
Parabéns e FelizIDADE, em memória.
Abraços Dobrados Saudosos e Agradecidos.

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