Crônica

[ Parabéns ao Parque do Ibirapuera, 60 anos! Abraços Dobrados ]

Pequena homenagem. Desenhos da árvore que mais gosto no Ibirapuera.

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ibiraarvorete                                                                            Foto: Tereza Yamashita

[ Dia da árvore: relembrando posts antigos sobre árvores ]

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5. [ Esta segunda- feira  chuvosa merece uma crônica ]

Hoje o dia amanheceu chuvoso. E acabo de me lembrar dessa crônica. Às quintas-feiras estou fazendo um curso, O que as palavras escondem, na UMAPAZ – Universidade Aberta do Meio Ambiente e da Cultura de Paz, com a professora Lygia. Está sendo muito bom: novas amizades, novas formas de pensar e um contato maior com a natureza. No próximo encontro, teremos uma aula ao ar livre, no Parque do Ibirapuera, onde a universidade tem sede. Fica ao lado do Viveiro Manequinho Lopes. Acho que vai ser muito bom, depois eu coloco as fotos, ok?

Obs: Foto do grupo. Adorei o encontro no parque, foi um aprendizado.

Crônica: Com o coração aqui no Brasil by Tereza Yamashita

Quando eu era criança, sempre imaginava que era só cavar um buraco no chão com uma pá, que eu logo chegaria ao Japão. Nunca tentei; só de pensar em cavar, morria de preguiça. Ouvia muito dizer que o Japão era do outro lado mundo, rs. Nos desenhos animados, eu sempre via uma cena divertida, onde centenas de japoneses saíam de um buraco no chão, com seus trajes coloridos e exuberantes.

Demorei quarenta e quatro anos para conhecer pessoalmente o Japão. E o Japão fica literalmente do outro lado do mundo. São horas e horas de vôo. As nossas almofadas traseiras ficam quadradas, rs, com o formato do assento, um horror! Você assiste mil vezes ao mesmo filme, vai mil vezes ao apertadíssimo toilette – toirê, em japonês. Acaba contando sua vida para o vizinho da esquerda, depois para o vizinho da direita, e ainda dá tempo de contar a mesma história pro vizinho dos vizinhos. Você dorme e acorda umas mil vezes também. Enfim, contei tudo isso pra dizer que mesmo assim eu amei o país dos meus avós. Eles fizeram parte dos primeiros imigrantes que vieram ao Brasil.

No Japão eu tive experiências maravilhosas. Passeamos por muitos jardins. Todos lindos, coloridos e muito bem cuidados. Pareciam jardins de conto de fada, tudo muito mágico. Chegamos no final do outono e no comecinho do inverno. Um friozinho gostoso, daqueles que você sente ao ficar na frente do freezer do supermercado, quando não sabe qual o sabor de sorvete levar.

Viajei com uma turma bem divertida, adoro andar em turma. É legal, não? Agente dá muitas risadas, uns se perdem do bando, e aí todos saem à procura dos desgarrados. Se alguém compra um salgadinho, todos acabam comprando também, e os que não compram, acabam roubando um teço do salgadinho de todo o mundo… Muita diversão.

O Japão é uma ilha, não sei dizer quantas vezes ela é menor do que o Brasil. No entanto, é uma das nações mais arborizadas do mundo. Lá eles cuidam das árvores como se elas fossem um membro da família. No inverno os japoneses fazem amarrações, com cordas, nas árvores mais antigas. Dessa forma, os galhos ficam amparados, e assim o peso da neve não quebra os galhos mais frágeis. Se um galho está torto e parece que vai quebrar, os jardineiros colocam um apoio. E assim os seus troncos crescem, e ficam longos e bonitos. De longe, parece que as árvores usam bengalas, rs. Pois é, as árvores de lá são centenárias, milenares. Bem velhinhas, como os nossos queridos avós.

Eu e as minhas amigas tivemos a oportunidade de apreciar uma árvore milenar, M-I-L-E-N-A-R. Ela já tinha vivido mil anos, não é incrível? É como um personagem de anime, que nunca envelhece.

A árvore era a Ginkgo biloba, o seu o tronco era bem largo, alto e elegante. A sua folhagem lembrava o formato das asas de uma borboleta, uma beleza. Na primavera as folhas ficam verdinhas, e no inverno, amarelinhas. As folhas caem suavemente, como purpurina no chão, formando um lindo tapete dourado, de asas de borboletas.

Como turista, a gente passa o tempo todo tirando fotos. Click, click, click. Eu tirei muitas fotos dessa árvore. Às vezes, parecia que ela me olhava e fazia uma pose. Parecia uma estrela de cinema.

Mas, como em todo o mundo, as pessoas estão desrespeitando as leis da natureza, fazendo pouco caso dela, e assim ela se ressente. A natureza é igual à gente, se algo nos perturba, muitas vezes fazemos cara feia, fazemos birra e reivindicamos nossos direitos. Pois é, a natureza não faz cara feia, mas tenta nos dar alguns recados. Como assim? Através do aquecimento global, dos grandes terremotos, das chuvas torrenciais, do clima instável.

Depois de alguns meses, já de volta a São Paulo, eu recebi a triste notícia. Ventos fortíssimos derrubaram a famosa árvore milenar. A gigante Ginkgo biloba perdeu o equilíbrio e caiu. Essa árvore era considerada um símbolo de paz e longevidade, por ter sobrevivido às explosões atômicas. Fiquei tão triste que até chorei, senti um aperto no coração. Mas, como em todo o mundo, as pessoas sempre dão mais valor ao que não é seu. Eu precisei sentir toda essa tristeza para perceber que aqui no Brasil também temos árvores maravilhosas e centenárias, e algumas até em extinção. Parei para pensar, e percebi que precisamos cuidar, respeitar mais a NOSSA terra, os NOSSOS animais, a NOSSA floresta, senão… Iremos perdê-los.

E eu não consigo imaginar um mundo sem árvores. Seria como um bolo de chocolate sem a cobertura, um jogo de futebol sem os torcedores, uma escola sem os professores, um livro sem as palavras e as ilustrações. Um céu sem as estrelas.

E num estalo eu me lembrei que, neste verão, com as chuvas intensas, centenas de árvores caíram em todo o Brasil. Só aqui no meu bairro foram várias, e então eu chorei. Senti outro aperto no coração, agora muito diferente.

As nossas árvores não são milenares, mas são NOSSAS, fazem parte do Brasil, da NOSSA história e das NOSSAS vidas.

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