Minientrevista de Tereza Yamashita com Rodrigo de Faria e Silva, editor-chefe das editoras do Sesi-SP e Senai-SP

[ Minientrevista de Tereza Yamashita com Rodrigo de Faria e Silva, escritor e editor-chefe das editoras do Sesi-SP e Senai-SP]

2016 – Novidades

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Na próxima quinta tem lançamento (na Choperia São Paulo, que fica na rua Pinheiros) da adaptação para quadrinhos do livro “Da Loucura dos Homens”, do escritor Rodrigo de Faria e Silva.  São nove histórias que se entrelaçam com o objetivo de apresentar a relação do homem coma as mulheres ao longo de sua vida, desde a infância até a maturidade.  Publicado pela Cama Leão – uma editora independente – o estilo adotado pelo ilustrador Sanzio Marden se assemelha aos clássicos dos quadrinhos underground americanos. O roteiro é fiel a estrutura narrativa do livro e tenta manter no texto a presença das reflexões poéticas da obra original.

Quinta, 12 de maio às 18:30 – Choperia São Paulo
Rua dos Pinheiros, 315, 05422-010 São Paulo

2013

Encontrei pessoalmente o Rodrigo faz pouco tempo, em 2013. Fui visitar a editora e pegar o meu exemplar, maravilhoso, do Mãos Mágicas! Ao vivo ou por e-mail ele é muito simpático, uma ótima pessoa. Já o conhecia através do Klickescritores. Ah, o Luiz Bras também lançou um livro pela editora, Vítor e o invisível.

Aproveito para agradecer ao Rodrigo, e à editora assistente, Juliana Farias, que, com muita dedicação e carinho, cuidaram da belíssima edição dos nossos  livros. Foi um prazer conhecê-los pessoalmente. Ah, o meu superobrigado também para a Paula Loreto, encarregada da primorosa produção gráfica. Arigatô e aproveitem a cativante mini-entrevista.

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Rodrigo, como foi a sua infância/adolescência, e como a leitura e outras expressões culturais passaram a fazer parte da sua vida?

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RFS: Não sou filho de intelectuais ou professores, mas meus pais tiveram uma boa formação e meu pai, que gostava muito de política e de educação, lia livros destas áreas. Já minha mãe lia e lê até hoje os best-sellers, os romances históricos e fantasiosos, as novelas românticas e tudo o que tem por aí, aqueles romances do Gore Vidal, Ken Follet, Jeffrey Archer e que foram os livros adultos que me instigaram na leitura por volta dos 16 anos de idade. Depois dos livros do João Carlos Marinho, Marcos Rey e outros da época de escola, foram livros como Juliano, de Gore Vidal, o Buraco na Agulha, de Ken Follet, e Caim e Abel, de Archer, que me seduziram, prendendo minha atenção como se num filme.

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Comecei lendo pouco e fui sofisticando a minha leitura conforme tentava me tornar poeta/escritor. Já com 12 anos arriscava meus versos e fui publicar, prematuramente, um livro aos 16. No mais, ia ao cinema, teatro e shows como qualquer outro adolescente, e via muita TV.

Queria ser escritor para ser boêmio. Antes de me encantar pela palavra e pela literatura, me encantei pela vida dos escritores e dos poetas, pela liberdade que representavam e que meu pai sempre tangenciou, ora mais ora menos intensamente.

Quando o conheci, você era editor da KlickEscritores (1998) e esse site foi um dos primeiros portais de literatura, com informações sobre obras e escritores, correto?

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RFS: Correto, o Klickescritores foi um projeto muito importante na época. Além de informações sobre os escritores, com hotsites de mais de 80 autores de renome e o objetivo de estruturar o site oficial de todos eles, pretendíamos ser um canal de contato entre leitores e escritores, com seus e-mails diretos ou, em alguns casos, sob o crivo da editoria do portal, e também um projeto de estímulo à leitura com informações, matérias e pautas leves e inteligentes sobre a questão da literatura.

Digo sem medo de errar que o klickescritores foi a primeira editora de livros eletrônicos do Brasil, antes mesmo de termos tablets tínhamos programas para ler os livros nos computadores de mesa, os quais podiam ser impressos em impressoras caseiras. Reeditamos livros de Ivan Angelo, Cristóvão Tezza, Domingos Pellegrini, Márcia Denser, Bernando Ajzemberg, entre outros, o que forçou estes autores a retrabalhar, revisar e muitas vezes atualizar seus livros, os quais, em alguns casos, foram reeditados também no formato físico. Tinha também uma seção destinada aos autores iniciantes e outra aos clássicos em formato digital.

A revista eletrônica com crônicas semanais que saiam concomitantemente em outros meios de comunicação impresso, com colunas do Ivan, do Domingos, da Heloísa Seixas, do José Nêumanne Pinto, matérias diversas voltadas ao universo literário e uma seção destinada à área acadêmica, com fortuna crítica e tudo mais.

Recontando agora percebo que era um projeto muito audacioso para um editor só, mas que certamente estaria ainda ai, encabeçando os projetos de literatura na rede se não tivesse sido criado em meio à bolha da internet que ruiu em 2002, consegui segurar o projeto até 2004 e depois ele foi tirado do ar.

Você tem vários livros publicados: Em busca de um caminho (Vega Lux), Um mês depois ainda existe porém? (publicação independente),  Zé Ferino, pela Ateliê Editorial, Da loucura dos homens e outros ensaios, pela Grua Editora, Canto do Mar, pela Com-Arte e Amar não é… (livreto independente). Você pretende dar continuidade ao seu lado de escritor (atualmente você está escrevendo um livro?), ou ficará apenas com o seu lado de editor?

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RFS: Tenho esperança de um dia voltar a escrever, mas só se for com a determinação e a paixão com que fazia e com a qual escrevi alguns dos meus livros. Tenho alguns livros parados ou em processo de construção sutil dentro do minha mente, mas não sei quando e nem se terei energia de concluí-los.

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Escrever para mim é um esforço, envolve muitas áreas da minha vida que não simplesmente o ato e o tempo dedicado a escrever. Enquanto isso, vou editando os outros autores, feliz de poder fazê-lo.

Você também já organizou vários livros, como: Inspiração, pela FSEditor (uma antologia reunindo fotografia e literatura), Corrupção, pela Ateliê Editorial, Crueldade masculina, pela SESI – SP editora. Conte-nos como surgiu a ideia dessas antologias?

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RFS: São três obras muito diferentes entre si. A primeira é um livro de arte, belíssimo que trás 12 ensaios fotográficos, entre os fotógrafos convidados estão Cristiano Mascaro, Arnaldo Papalardo, Cássio Vasconcelos, entre outros que tinham a capital paulista como foco, tendo em vista tratar-se de um livro em comemoração aos 450 anos da cidade.

Além dos ensaios fotográficos tínhamos 24 escritores que, ou nasceram aqui, como a Lygia Fagundes Telles e o Rodolfo Konder, ou escolheram São Paulo para viver, vindos do interior, como é o caso do Luiz Ruffato, do Ignácio de Loyola Brandão, do Marçal Aquino, ou de outros estados como o Ivan Angelo, o Marcelino Freire, o Milton Hatoum (que teve o seu primeiro conto publicado nesta antologia). O livro era ainda coroado com uma belíssima introdução do Benedito Lima de Toledo.

Foi um daqueles projetos custeados pela Lei Rouanet e que deu muito trabalho fazer, mas todo mundo recebeu condignamente e o resultado foi um belo livro, que infelizmente não teve uma divulgação à altura do livro que foi.

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Qual a sua opinião, como editor, sobre a literatura infantojuvenil contemporânea? Você acha que há preconceito contra a literatura infantojuvenil, que as pessoas consideram a literatura adulta superior?

Agora, com uma filha adolescente, você pretende escrever um romance juvenil?

RFS: Acho que a literatura infantil vem ganhando status e criando possibilidades criativas como nunca antes. Não sei se entenderia como preconceito, mas o fato de serem raros os autores clássicos que escreveram também para crianças e jovens mostra que existia uma falta de preocupação com esse leitor, talvez isso não desse prestígio, o que se aproximaria da ideia de preconceito, ou simplesmente não fosse a linguagem infantil e infantojuvenil aquela ligada à expressão de sentimentos muito íntimos do funcionamento de nossa mente adulta.

Nesse ponto de vista, é possível que aos poucos estejamos nos libertando dos padrões e tornando a literatura infantil mais infantil e também a literatura adulta mais leve, criativa e simples, tanto nas formas como nas estruturas com que projetamos nossos pensamentos e reflexões no papel, e me parece que isso pode ajudar a aproximar esse texto também dos jovens, ou permitir que o escritor se valha de temas mais juvenis sem ter que processar um esforço de adaptação muito grande.

Tenho alguns projetos para crianças que podem sair em breve, e tenho um livro que comecei e que um dia, sabe-se lá, retomarei e que seria exatamente esse modelo de livro para jovem que pode agradar o adulto, não aquele adulto em formação ainda cheio de preconceito, mas aquele que busca a profundidade em estruturas e raciocínios menos complexos.

Tenho certeza que a minha volta para a escrita se dará por meio de livros para crianças e jovens.

Mesa de Debates: Educação Profissional

Depois de editar muitos livros e escrevê-los também, que conselho você daria aos novos autores?

RFS: Leiam Machado de Assis e não os seus pares, determinem vocês mesmos seus estilos e não se deixem seduzir pelas fórmulas fáceis, quando você tiver vencido todas as dificuldades, a sua literatura será fácil e simples, sem fórmulas, o que para mim é o espelho da grandeza literária. Assim como um raciocínio simples, uma construção simples consegue se comunicar e se propagar com muito mais eficiência e generosidade, desde que não seja construída pela ingenuidade nem pela acomodação, que minimizaria qualquer possibilidade de conhecimento profundo.

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E, para terminar, mudando um pouco o rumo da conversa, uma curiosidade: numa entrevista, em 2009, para a Revista Istoé – Quando a ansiedade vira doença, você comenta que tomava remédios, e aderiu à prática esportiva para controlar o pânico, e escolheu o remo, correto? Conte-nos como foi essa superação.

A crise de ansiedade aguda, também conhecida como crise de pânico, é uma doença catalogada pela OMS e atinge cerca de 20% da população mundial, em diversos níveis. Essa entrevista que dei para a Istoé e mais alguns programas de que participei visavam dar a real dimensão do problema que é visto por muitos como chilique, frescura, fraqueza etc.

remo

Imagino um pedreiro, um servente, um frentista falando para a esposa ou para um amigo de bar que está com pânico… Isso realmente me incomodava, então fiz, por um período e dentro das minhas possibilidades, certo proselitismo pela desmistificação da doença, que no meu caso está controlada. Não tomo mais remédios e faz mais de um ano que não tenho crises, mas tenho o remédio sempre por perto.

É uma sensação de morte horrível, e o esporte ajuda sim a aliviar a ansiedade e minimizar a incidência das crises, mas quando você tem a primeira crise sua cabeça entre num ciclo que para sair é difícil e requer ajuda de psicólogo, remédio e consciência do que está acontecendo.

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Rodrigo de Faria e Silva nasceu em São Paulo, em 1969. Tem seis livros publicados, entre eles
Zé Ferino (Ateliê Editorial, 1999) e Canto do Mar (Com-Arte, 2008). É mestre em Teoria Literária pela Universidade de São Paulo. Trabalhou como editor e organizador de diversas publicações, entre as quais o Jornal Proarte, a antologia Corrupção (Ateliê Editorial, 2002) e o livro Inspiração (FS Editor, 2004). É também fundador e editor do site klickescritores.com.br, pionerio entre os sites de literatura no Brasil (1998). É editor-chefe das editoras do Sesi e Senai de São Paulo.

http://www.sesispeditora.com.br/

site

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