Enrico Giglio – Retornando com as mini-entrevistas!

[ Mini-entrevista de Tereza Yamashita com Enrico Giglio de Oliveira, editor de literatura e literatura infantojuvenil da Editora Manole ]

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Não conhecemos o Enrico pessoalmente, apenas pelas trocas de e-mails, agora pela foto, também pelos livros que ele edita e, é claro, pelo meu primoroso livro (em coautoria com Luiz BrasA menina vermelha, selo Amarilys, da editora Manole.

Aproveitando a oportunidade, gostaríamos de agradecer ao Enrico e ao João Lin (que ilustrou A menina vermelha) pela dedicação ao nosso livro, que este ano foi escolhido para o catálogo de Frankfurt! Arigatô.

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Com mais de 40 anos de atuação, a Editora Manole lançou o selo Amarilys, exclusivamente dedicado à literatura e ao uso da palavra em suas diversas formas. A iniciativa tem por objetivo apresentar ao mercado editorial brasileiro uma grande variedade de títulos nacionais e estrangeiros muito bem selecionados, em publicações com apurado senso estético e esmero gráfico. 

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Sua linha editorial está organizada de modo a atingir três grandes focos de atenção. Os públicos jovem e adulto encontrarão ótimas opções em títulos de ficção brasileira e estrangeira (novas edições de clássicos, thrillers, dramas, policiais…), além de textos de não ficção com grande sabor literário (relatos de viagem, diários, reportagens…). 

Também serão publicados textos de referência no âmbito das ciências humanas, incluindo ensaios históricos, culturais e de crítica literária. Além disso, uma nova linha de literatura infantil e infanto-juvenil (fábulas, contos, lendas, textos indígenas…) privilegia aqueles que estão tendo o seu primeiro encontro com as letras e com o universo da leitura, bem como o jovem leitor autônomo.

E agora conheçam um pouco mais do profissional: o editor, sempre meio escondido nos bastidores, rs.

Enrico, como foi a sua infância/adolescência, e como a leitura e outras expressões culturais passaram a fazer parte da sua vida?

EG: Tive uma infância muito bacana. Nasci em São Paulo, capital, mas em função do trabalho do meu pai, tive a oportunidade de morar no interior durante essa fase. Com um ano, nos mudamos de São Paulo para Itumbiara, no interior de Goiás. Lá ficamos por cinco anos e depois fomos viver no interior de Minas Gerais, numa cidade chamada São Gonçalo. Aproveitei muito esse tempo morando nessas cidades pequenas… passava o dia na rua brincando, aprendi muitas brincadeiras de rua, fiz muitos amigos, andei muito de bicicleta, peguei muita carona nas charretes que passavam vendendo leite… foi uma época muito gostosa. Voltei em definitivo para São Paulo com oito anos de idade, feliz também porque tinha muitos parentes aqui e, além disso, sempre me impressionei com as luzes e o tamanho da cidade. Minha adolescência também foi muito boa… jogava muito futebol e basquete, viajava bastante pra praia, ouvia muita música e fiz grandes amigos nessa época.

A leitura começou a fazer parte da minha vida ainda bem pequeno. Meus pais não tinham o hábito de ler com freqüência, mas sempre compraram muitos livros pra mim e contavam histórias. O acesso aos livros era muito fácil, tranquilo e por isso o gosto por ler veio naturalmente durante minha infância. Já na adolescência, passei a ler um pouco menos. Comecei a me interessar mais por música… e a pesquisar mais sobre as bandas e artistas que admirava. Ainda assim, foi uma época importante em relação à leitura pois tive meus primeiros contatos com grandes escritores, com obras clássicas e foi também nesse momento que meu interesse por quadrinhos nasceu.

Qual a sua formação acadêmica? Quando e como você começou a trabalhar com a edição de livros? Você sempre trabalhou na Editora Manole, no selo Amarilys?

EG: Sou formado em Produção Editorial pela Universidade Anhembi-Morumbi. Meu trabalho de conclusão de curso tratava da análise do fantástico na literatura infantil e isso acabou me levando a fazer, em seguida, uma pós-graduação em Literatura Infantil pela Universidade Metodista de São Bernardo.

Sempre trabalhei na Manole. Entrei quando estava no terceiro ano da faculdade. Nessa época, a Manole não tinha um selo literário. Era uma editora conhecida e respeitada por seus livros de medicina, de áreas ligadas à saúde. Então, à princípio, eu comecei como estagiário e trabalhava na edição de livros médicos. Fui ganhando mais responsabilidades e, alguns anos depois, me tornei editor dos títulos de ortopedia. Passados dois anos, tive uma conversa com a diretora da Manole, que sabia do meu interesse por literatura infantil. Ela me falou sobre a ideia de criar um selo literário dentro da editora e me convidou para ser um dos editores responsáveis, cuidando principalmente dos títulos infantis e infantojuvenis. Aceitei a oferta na hora e desde então tenho a sorte de trabalhar editando literatura no selo Amarilys.

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Como editor, a sua preferência são as traduções? Você editou uma obra rara de Tolstói, , com uma tradução direto do russo, não é mesmo? Ah, a capa, o projeto gráfico e as ilustrações são de Hélio de Almeida, correto? Como é o processo editorial de traduções?

EG: Na verdade, não. Gosto muito de trabalhar com traduções, mas minha preferência é editar textos de autores nacionais. Gosto de poder editar um projeto partindo do zero, desde a seleção do texto, pensar no formato, no ilustrador, no papel, no projeto gráfico. Acho que esse é o grande barato em ser editor… poder pensar em como organizar e apresentar um determinado conteúdo de uma forma interessante. Isso nem sempre é possível quando se trabalha com traduções, principalmente de livros infantis, pois muitas vezes temos de seguir o modelo da edição original.

Falando sobre Os cossacos, foi um dos projetos que mais gostei de editar. Primeiro por ser Tolstói, um dos grandes da literatura mundial, segundo por se tartar de um texto raro, muito pouco editado no Brasil e terceiro por ter sido uma tradução feita diretamente do russo, o que tornou o trabalho ainda mais desafiador, já que não conheço a lingua russa e por isso tive de conversar inúmeras vezes com Klara Gourianova, tradutora que teve uma participação fundamental durante o processo de edição. Tanto o projeto gráfico quanto as ilustrações foram desenvolvidas pelo Hélio de Almeida. Ele é o responsável pela arte dos livros de literatura russa que publicamos no Amarilys.

Cossacos, ilustração do livro

Os cossacos descreve a jornada de Olénin, um bem-nascido jovem russo que alista-se no exército para viajar pelos confins do Cáucaso em busca de experiências mais autênticas, afastando-se assim de sua antiga vida de excessos em Moscou. A convivência com o povo cossaco, tido como selvagem, e seu fascínio por uma jovem local – Mariana – levam-no a questionar os valores da civilização e provocam um importante despertar, repleto de consequências. Esta obra-prima de Tolstói, amadurecida ao longo de uma década, prenuncia as inquietações filosóficas e estéticas do autor e é fundamental para compreender o pensamento tolstoiano. A nova edição deste clássico, traduzida diretamente do russo por Klara Gourianova, tem introdução de Natália Quintero e ilustrações do artista plástico Hélio de Ameida

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Lev Tolstói nasceu em 28 de agosto de 1828, em Iasnaia Poliana, propriedade familiar de sua mãe, princesa Maria Volkónskaia (ela pertencia a uma das mais nobres e antigas famílias russas). Criado no meio da alta sociedade russa, Tolstói, apesar de não ter concluído o curso na universidade de Kazan, conseguiu obter perfeita educação e falava fluentemente várias línguas. Dentre as obras publicadas, encontram-se: Infância, Contos de Sebastópol, Os cossacos, Guerra e paz, Anna Kariênina, A morte de Iván Ilitch, entre outras. Faleceu em 20 de novembro de 1910.

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O processo editorial de traduções tem muitas similaridades com o processo de edição de textos nacionais. O principal diferencial na minha opinião é a figura do tradutor. É muito importante trabalhar com um tradutor que domine muito bem não apenas a lingua que irá traduzir, mas também o assunto… que pesquise, que tenha a sensibilidade para fazer as adaptações necessárias, sem interferir no ritmo do texto, que respeite o estilo do autor tentando preservar ao máximo as cartacterísticas do texto original. Outro fator importante na edição de traduções é a boa comunicação entre editor e tradutor pois dúvidas e divergências podem acontecer durante o processo.

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Ilustração de Tereza Yamashita  para o Jornal Rascunho
 Anna Kariênina e a inesgotável dor de viver, de Rodrigo Gurgel, 2006.

Qual a sua opinião, como editor, sobre a literatura infantojuvenil contemporânea? Você acha que há preconceito contra a literatura infantojuvenil, que as pessoas consideram a literatura adulta superior?

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EG: Considero a literatura infantojuvenil atual muito rica. Ela permite experiências muito interessantes tanto na forma quanto no conteúdo com muito mais liberdade do que a chamada literatura adulta. Cabe aos autores, ilustradores e editores continuarem a tirar o melhor proveito dessa liberdade, usando sempre muita criatividade. Quando vou a uma livraria ou busco livros pela rede, noto que os projetos mais interessantes, mais criativos são quase sempre os de literatura infantojuvenil. Tem muita gente boa escrevendo, ilustrando e editando… é só prestar atenção.

Vejo preconceito com relação à literatura infantojuvenil geralmente por parte de quem não a conhece. Pessoas que acham que existe uma fórmula para se escrever para crianças e adolescentes, que subestimam sua inteligência e que pensam que a literatura para os jovens deve ser cheia de regras, tabus e ensinamentos ao invés de estimular a criatividade, a imaginação e o prazer por aquele momento com o livro. Temos obras que foram escritas pensando no público infantojuvenil mas que são lidas por pessoas de todas as idades, o que prova que a boa literatura é para todos e rejeita classificações e ideias pré-concebidas.

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E, para terminar, depois de editar muitos livros, de diversas áreas, que conselho você daria aos novos autores?

EG: Dar conselhos é muito difícil… rs… acho importante trocar ideias com pessoas ligadas ao universo dos livros, conhecer as novas tecnologias, estar atento às iniciativas inovadoras da área editorial e principalmente ler e estudar muito, recorrendo sempre às obras dos grandes nomes da literatura.

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Enrico Giglio de Oliveira, é editor de literatura infantojuvenil do selo Amarylis e pai do Valentin e da Maria Luiza. Traduziu o livro Não fiz minha lição de casa porque… de Davide Cali e Benjamin Chaud, publicado pelo selo Amarilys, Editora Manole, em 2013.

Contato por e-mail:  enrico@manole.com.br ou info@amarilyseditora.com.br

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