Mini-entrevista com Miriam Gabbai, direto de São Paulo

[ Mini-entrevista com a editora Miriam Gabbai ]

Primeiro eu conheci a Anita Bueno, que era gerente da Callis Editora, em meados de 1996. Eu tinha acabado de sair da Editora do Brasil e estava procurando emprego em outra editora. Eu era nova na área editorial, mas já estava começando a gostar. Nós (Nelson e eu) trabalháramos com criação, em publicidade, e com ilustrações para revistas. Nunca tínhamos trabalhado com livros. Na época enviei o meu currículo para várias editoras. A Callis estava precisando de uma diagramadora de livros paradidáticos e me chamou para uma entrevista. Mas eu estava me especializando em projetos/criação de capas e miolo de livros didáticos, e estava adorando. Como não tinha muita prática em diagramação de livros, indiquei o Nelson. Ele tinha mais experiência em diagramações de jornais e revistas, e estava precisando de um emprego de meio período (bons tempos em que as editoras ofereciam essa opção, rs). Ele estava começando o mestrado e não tinha muito tempo para estudar. Outro detalhe: eu queria estar mais perto de nossa filha de 2 anos. Foi assim que comecei a trabalhar como autônoma e o Nelson foi trabalhar com a Miriam e a Anita, na Callis Editora. Então aluguei uma sala, e mais tarde comprei meu estúdio. E assim acabei fazendo vários frilas para a Callis também.

O Nelson trabalhou oito anos na Callis, terminou o mestrado e o doutorado na USP, tempos difíceis, ufa! Nesse intervalo, o ele começou a escrever livros infantis, assinando como Luiz Bras. Eu  tinha escrito o meu primeiro livro em co-autoria com o Luiz, publicado pelo Cestaro, da Alaúde, em 2005, e acabamos enviamos dois originais para a Miriam. Ela aprovou e publicou: Dias Incríveis, ilustrado pelo Teodoro Adorno, e Nosso Gato Desbotado, ilustrado pela consagrada Graça Lima (clique aqui e veja a mini-entrevista atualizada), em 2006. Assim conheci a Roberta Rinaldi, o Ailton Guedes e a Cristina, que me convidou para dar a minha primeira Oficina de Origami, uma capacitação para os funcionários da editora e os professores convidados, em 2007. E de lá pra cá já fiz várias oficinas, rs.

Ah, o Luiz tem outros livros pela Callis, como a Coleção CidadesDois sustos em Porto Alegre, Encontros e desencontros no Rio de JaneiroO holandês no Recife, O sonho chamado Brasília Os sons de Salvador. E agora também em e-books. A pesquisa histórica foi feita por Tereza Yamashita e o projeto gráfico é de Camila MesquitaEle publicou também o romance  Babel Babilônia, prêmio ProAC. O projeto gráfico também é meu, rs.

Dessa forma, muitos anos se passaram e novos rumos foram tomados. Aqui ficam as lembranças e as saudades, e  aproveitamos para agradecer pela parceria, pelo incentivo e pelo apoio. Que novos livros e projetos sejam sonhados e realizados. Arigatô!

Agora fiquem com a simpática mini-entrevista com a Miriam!

Miriam, você se formou em História e se graduou em artes plásticas, correto? Você se especializou em cerâmica e acabou escrevendo um livro, Cerâmica: Arte da Terra, em 1987. Foi a partir daí que surgiu a ideia de criar uma editora?

MG: Sim, durante quase dois anos, organizei um livro com entrevistas de vários ceramistas. Naquela época eu tinha um atelier de cerâmica e sentia falta de publicações brasileiras sobre o tema. Quando o livro estava quase pronto me dei conta que seria interessante abrir uma editora.

Como foi a sua infância/adolescência e como a leitura e outras expressões culturais passaram a fazer parte da sua vida?

MG: Sempre li muito. Durante a minha infância não havia uma grande variedades livros como hoje. Eu lia Monteiro Lobato, era fã de Julio Verne, Agatha Christie e Alexandre Dumas. Até hoje, os livros que leio como lazer são livros de mistério e ficção científica.

Qual a sua opinião, como escritora, editora e leitora-crítica, sobre a literatura infantojuvenil contemporânea?

Segredinho, a Miriam usa um pseudônimo literário também, rs. Confira aqui a mini que fiz com
o talentoso ilustrador Orlando Pedroso.

MG: Realmente temos mais opções hoje. Em uma rápida comparação com a minha infância, dá para perceber que hoje não é possível conhecer todos os autores e livros publicados. A literatura infantojuvenil é bem mais rica e diversificada. A qualidade e o cuidado na impressão também é algo que aconteceu nos últimos 20 anos. Os livros para os jovens são objetos de desejo que tornam a leitura mais atraente. Claro que nem tudo é de grande qualidade literária, mas essa diversidade é importante para que o leitor aprenda a escolher. Há 40 anos, tínhamos menos faixas etárias distintas. Hoje, temos livros para 5, 7, 10 anos. Enfim, pequenas diferenças que ressaltam não só a competência de leitura como também a maturidade do leitor. E isso enriqueceu muito o mercado editorial.

Você acha que há preconceito contra a literatura infantojuvenil, que as pessoas consideram a literatura adulta superior?

MG: Não acredito neste conceito e nem nesta distinção.

A Callis traz em seu catálogo as obras Água, Lixo e Energia, da coleção Planeta Saudável, que aborda os temas de meio ambiente e sustentabilidade. Conte-nos um pouco mais sobre esse projeto. As crianças têm facilidade para compreender a ideia de sustentabilidade?

MG: Sem a menor dúvida. Qualquer projeto, desde que apresentado com clareza, é bem aceito pelas crianças. Nós já vimos trabalhos feitos em escolas, com esta coleção, que são surpreendentes. Muitas vezes, as crianças chegam em casa e tentam reeducar a família. É claro que se não houver apoio em casa, esse esforço dura pouco. Por essa razão, sempre tentamos propor, em nossos livros, projetos possíveis. Nem sempre é possível proibir o uso de bandejas de isopor, por exemplo, mas é possível fechar a torneira quando se escova os dentes.

A editora lançou uma biblioteca digital voltada para as escolas. São quarenta livros, vídeos e animações. Qual é o objetivo desse projeto editorial?

MG: A Callis, como todo o mercado editorial, está tentando entender como participar melhor do mundo digital. No final de 2010, a Callis reuniu esforços para mais uma vez inovar. Iniciou um projeto em parceria com a Retoque Comunicação, para criar a primeira biblioteca de livros digitais do País. Foi assim que surgiu a Biblioteca Callis de Livros Encantados, que acaba de ser premiada pelo TOP Educação 2012. Trata-se de uma biblioteca com 40 livros digitais com narração, trilha sonora exclusiva, games e planos de aulas. A ideia foi oferecer aos educadores e alunos um ambiente de aprendizado interativo, seguro e instigante.

Você acredita que os e-books, num futuro próximo, substituirão os livros de papel?

MG: Não completamente. Alguns tipos de livros de referência poderão ser substituídos, mas em geral, acredito que os dois modos irão coexistir.

E, para terminar, depois de escrever e editar muitos livros, que conselho você daria aos novos autores?

MG: Escrever simplesmente. Acredito que os autores que escrevem para publicar atrapalham o seu próprio caminho.

Lançamentos da editora:

Confira aqui a mini-entrevista para o Achados & Perdidos com a Silvana Tavano, autora de Pssssssssssiu! O júri do Concurso João-de-Barro 2011 foi composto pela socióloga e especialista em literatura infantil Maria Dolores Prades, a ilustradora Marilda Castanha e o escritor Nelson de Oliveira (atualmente atuando como Luiz Bras).

Assista animações dos livros da Callis que você mais gosta! Como o Aleijadinho da Coleção Crianças Famosas!

Miriam B. Birmann Gabbai é diretora da Callis Editora, fundada em 1987, diretora-presidente do Instituto Callis e artista plástica, formada em História pela PUC /São Paulo e graduada em Belas Artes pela School of the Museum of Fine Arts, da Universidade de Massachussets.

Links 

Sites da editora: http://www.callis.com.br/pt-BR/editora   e    http://www.loja.callis.com.br/

Linkedin: http://www.linkedin.com/profile/view?id=102281847&locale=en_US&trk=tyah – profile-experience

Facebook: http://www.facebook.com/miriam.gabbai   

Instituto Callis: http://www.facebook.com/media/set/?set=a.247807361921330.63253.247561021945964&type=3

Istituto Callis Itália: http://www.istitutocallis.it/

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