Mini-entrevista dupla: Bianca e Cathia da CH das crianças!

[ Mini-entrevista dupla: com a Bianca e a Cathia da revista CH das Crianças, direto do Rio de Janeiro ]

A querida Cathia Abreu eu não conheço pessoalmente, apenas pela foto do facebook, por e-mails e principalmente pelo seu excelente trabalho como subeditora das revistas Ciência Hoje das Crianças Ciência Hoje das Crianças On Line, um selo editorial do Instituto Ciência Hoje. E por intermédio da Cathia conheci a editora, a Bianca Encarnação.

(Conheça aqui a história do instituto. A Revista Ciência Hoje , voltada para o leitor adulto, acaba de completar 30 anos!)

Quando a Érica era pequena, em meados de 1998, nós compramos alguns números da CH das Crianças. Era um pouco difícil encontrar a revista aqui em São Paulo, pois ela é editada no Rio de janeiro. Na época só existiam alguns pontos de venda, em Sampa.

E, depois, quando começamos a escrever livros infantojuvenis, eu enviei a Bia Olhos Azuis pra Cathia, em 2005, e aí começamos a trocar  informações sobre livros e outras artes, por e-mail. A Cathia e a Bianca sempre nos incentivaram e publicaram alguns dos nossos contos na revista, tais como: A passeata da Emília, Surpresa no armário, uma matéria e uma mini-entrevista sobre origami. Ah, elas sempre divulgam os  livros no Blogue do Rex, como: A menina vermelha, A poção da vida, A última guerra, Tudo muda: todo mundo, o mundo todo, e booktrailers .

E hoje, através desta mini, gostaríamos de expressar o nosso (Luiz, Tereza e Érica) muito obrigado pelo grande incentivo. E também queremos parabenizá-las pelo excelente trabalho como editoras da revista. Adoramos ciências e artes, e a revista, durante esses anos, se mostrou muito eficiente e muito cuidadosa, ao divulgar, de maneira bastante divertida e colorida, o fascinante mundo das ciências. A CH das Crianças é onde as crianças aprendem brincando.

Agora divirtam-se com a mini-entrevista dupla, rs.

Bianca Encarnação com a presidenta Dilma Rousseff, no Prêmio ODM Brasil aos representantes do Programa Ciência Hoje de Apoio à Educação (PCHAE).

Bianca e Cathia, vocês se formaram em jornalismo. Atualmente vocês trabalham como editora e subeditora na Revista Ciência Hoje das Crianças, correto? E o que levou vocês a trabalharem com o fascinante mundo da ciência, voltado ao público infantojuvenil?

Resposta Bianca: O que me levou a isso foi o acaso, Tereza. Eu tinha pouco tempo de formada, estava querendo conciliar algo diferente com o meu trabalho na área de jornalismo econômico e, quando soube da vaga em uma revista de divulgação científica para crianças, corri atrás. Em um estalo de dedos, estava completamente envolvida em fazer esta ponte entre o cientista e a criança, em criar uma linguagem nova para comunicar os feitos da ciência a um público curioso na essência. O tempo passou e eu, claro, segui na área porque já estava mais do que mordida pelo bichinho da divulgação científica, apaixonada pela troca com esse público tão especial e feliz pelo fato de que a minha rotina inclui aprender algo novo todos os dias.

Resposta Cathia: Eu já trabalhava como secretária de redação na Ciência Hoje das Crianças e acabei me apaixonando pelo trabalho. A ciência é fascinante e falar de suas mais diferentes áreas para crianças é um desafio. Digo isso porque precisamos transformar as informações recebidas pelos cientistas em textos atraentes para esse público. Aprendemos todos os dias para poder explicar com detalhes vários assuntos. Além disso, o retorno é imediato, franco, porque criança não tem meias palavras. Se não gostam do resultado dizem, sem medo!

Como foi a sua infância/adolescência e como a leitura e outras expressões culturais passaram a fazer parte de suas vidas?

RB: Nasci na Zona Norte do Rio de Janeiro e tive o privilégio de brincar muito na rua. Meus joelhos ralados e minhas canelas roxas eram exibidos orgulhosamente como saldo de diversão. Também sou de uma geração que não experimentou o computador na infância/adolescência e sobre a qual a televisão não tinha a influência que tem hoje. Isso fez com que livros e gibis ocupassem muito o meu tempo. O que li nesta época da minha vida tem grande influência no meu trabalho hoje.

RC: Fui uma criança que vivia o fantástico mundo da Cathia, sério! Estava sempre rodeada de livros e discos de historinha, fantasiava muito. Adorava brincar na rua, no quintal, e também ouvir muitas histórias. Lembro que um dos meus passatempos prediletos era ouvir radionovelas reprisadas – as originais eram bem antigas. Perdia tempo imaginando as cenas e me emocionava com as interpretações vocais. Quando adolescente, fiz teatro amador, foi ali que me apaixonei perdidamente por várias expressões culturais e, principalmente, pela literatura que me acompanha sempre. Tanto que trato das seções de conto, poesia e das resenhas de livros da CHC pessoalmente. Escolho os autores e os títulos com muito carinho e cuidado.

Qual a opinião de vocês, como editoras e leitoras-críticas, sobre a literatura infantojuvenil contemporânea?

RB: Acho que vivemos um boom na literatura infantojuvenil. Isso é resultado de um amadurecimento do estilo, mas também de uma visão mercadológica. O setor editorial, já faz algum tempo, passou a apostar muito nos filões criança e adolescente, porque eles são consumidores em potencial e porque é preciso formar novos leitores também. E aí, tem de tudo: coisas espetaculares e outras bem ruins. Mas o importante é que há um interesse crescente de fazer essa nova geração se encantar com o livro. Hoje a leitura disputa espaço com apelos da tecnologia. Nessa briga pelo tempo do leitor, não apenas o texto precisa tocá-lo, mas também a estética do livro – novos formatos e ilustrações de alta qualidade contribuem fortemente para abrir as portas para o mundo da literatura.

RC: Acho que a literatura brasileira, em especial, é muito boa e cada vez mais diversificada. O tratamento com o leitor em questão, crianças e jovens, também mudou para melhor. Dou destaque também, nesta evolução, para as ilustrações cada vez mais sensíveis. Alguns livros contam histórias muito bem amarradas sem uma palavra escrita sequer, o que não é uma ameaça para os escritores, mas uma outra linguagem que também tem seu espaço. O importante é que os livros conseguem manter o seu lugar, mesmo tendo que dividir o espaço com várias mídias sedutoras – televisão, videogame etc.

Bianca, você acaba de lançar o seu primeiro livro infantil sobre sustentabilidade: O Pacto do Desempacotamento Conjunto, pela Editora Mundo-Mirim. O livro conta uma história sobre consumo consciente e meio ambiente. Como surgiu a ideia do livro?

RB: Juntou a fome com a vontade de comer! Eu vinha com uma vontade grande de escrever um livro sobre consumo para as crianças, queria falar da persuasão da mídia, dos excessos e do impacto ambiental. Comecei a esboçar esse trabalho e aí recebi um telefonema da Mundo Mirim: a editora estava me convidando para escrever sobre consumo consciente e meio ambiente. Quase não acreditei! Foi o empurrão que faltava. Comecei a imaginar personagens, situações… Anotava tudo, e, quando sentei para escrever, foi rapidíssimo!

Bianca, você foi uma das convidadas do espaço Pop Ciência, evento paralelo à conferência Rio+20, correto? Conte-nos sobre a importância desse evento.

RB: Não foi bem um evento paralelo, foi dentro da Rio +20, uma vez que o espaço da popularização da ciência ocupou um dos armazéns do Cais do Porto, ficando integrado aos demais acontecimentos. Mas, no que se refere ao valor do evento, acho que, de imediato, é aproximar a sociedade, em especial as crianças e os jovens, da ciência e da tecnologia. As decisões sobre o futuro da Terra dependem do conhecimento científico e tecnológico. Informar-se, neste sentido, contribui para a construção de argumentos, para o exercício da cidadania no que diz respeito às decisões sobre o meio ambiente. Quem passou por lá admirou, estranhou, mas de alguma forma se envolveu com as reflexões sobre o tema. Quem não foi, ouviu tanto falar a respeito que, no mínimo, está achando que esse negócio de prestar atenção no planeta deve ser importante.

Bianca, você e o Instituto Ciência Hoje acabam de receber da presidente Dilma Rousseff o Prêmio ODM Brasil, conferido aos representantes do Programa Ciência Hoje de Apoio à Educação (PCHAE). Você poderia falar sobre o principal objetivo do programa?

RB: O PCHAE – nossa sigla para o Programa Ciência Hoje de Apoio à Educação – tem a revista Ciência Hoje das Crianças como instrumento de promoção da alfabetização científica nas séries iniciais do ensino fundamental. O grande diferencial do programa está na valorização da formação do professor, que descobre caminhos para conquistar maior participação dos alunos nas aulas e incentivar a pesquisa. Os resultados desta iniciativa são impressionantes e, por isso, recebemos o prêmio Objetivos de Desenvolvimento do Milênio na categoria Educação Básica de Qualidade para Todos.

Cathia, uma declaração sua: Adoro aprender coisas novas. Tenho a sorte de trabalhar me divertindo e fazendo descobertas todos os dias. Você faz muitos artigos de divulgação científica, entrevistas com cientistas, escritores, ilustradores, artistas. Comente como é o dia a dia de uma subeditora.

RC: É corrido, mas divertido. Interagir com os cientistas e fazer essa ponte com as crianças é um desafio que vencemos a cada dia. Imagine falar sobre alguns fenômenos da física, por exemplo, e ter que traduzi-los para meninos e meninas. Isso demanda uma aproximação com o pesquisador, quase uma negociação. Precisamos trocar palavras, aplicar analogias e ter um jogo de cintura absurdo para que o produto final satisfaça a todos. Definido os textos, a arte da revista é outro desafio, precisamos nos comunicar bem por meio da ilustração. Mas contamos um excelente time de ilustradores e fotógrafos, que é coordenado pelo Walter Vasconcelos, nosso diretor de arte. Sem as ilustrações, muitos assuntos ficariam mal explicados ou mesmo incompletos. Além disso, as ilustrações dão vida as histórias que criamos para abordar determinado assunto. É um casamento perfeito!

Você já fez muitas resenhas de livros infantojuvenis, que conselho você daria aos novos autores e ilustradores?

RC: Que acreditem que as crianças e os jovens entendem muito mais do que imaginamos. Portanto, não é preciso ter medo de falar sobre qualquer assunto. Eles são incríveis, vão além de nossas expectativas. E mais! Eles são francos, diretos e excelentes críticos. Ouvi-los é o pontapé inicial para quem quer escrever para este público.

Cathia, você já publicou um livro voltado para o público infantojuvenil? Se não, um dia, você pretende escrevê-lo?

RC: Literatura ainda não. Somente livros didáticos, voltados para estudantes e professores, além do diálogo que tenho com eles todos os meses na revista, por meio das edições de texto da Ciência Hoje das Crianças. Mas, é sim um plano, um sonho talvez. É o público que escolhi, com o qual gosto muito de falar.

Cathia Abreu é jornalista. Desde 1997 trabalha na Ciência Hoje das Crianças primeiro como secretária de redação, já foi repórter e, hoje, é subeditora. Seus textos de divulgação científica podem ser encontrados em inúmeros livros didáticos adotados por todo Brasil. É produtora cultural e autora de kits de Ciências voltados ao Ensino Fundamental.

No facebook: http://www.facebook.com/cathia.abreu

Bianca Encarnação é jornalista especializada em comunicação da ciência. Desde 1999 é editora executiva da revista Ciência Hoje das Crianças, tendo atuado também como editora da Revista da TV Escola (MEC), coordenadora editorial de livros na área de divulgação científica e conteudista das séries de televisão Globo Ciência e Detetives da Ciência. É ainda autora do livro O pacto do desempacotamento conjunto (Mundo Mirim/2011).

No facebook: http://www.facebook.com/bianca.encarnacao 

No linkedin: http://www.linkedin.com/pub/bianca-encarnação/1/292/2a

Revista virtual, clique aqui!

No twitter: http://chc.org.br

Clube do Rex: http://chc.cienciahoje.uol.com.br/registrar/

Livros de ciências: https://www.lojaich.org.br/lojaich/pages/grupo.jsf;jsessionid=64997378AA791F0F97CC6086A9D938F1?idGrupo=14&conversationId=1275 

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