Mini-entrevista com Aloísio Castro, direto do Metrô de São Paulo

[ Minientrevista com Aloísio de Castro, chefe do departamento de marketing corporativo do Metrô de São Paulo. ]

Fotos: divulgação

O Aloísio de Castro eu conheci através do Aluízio Gibson, ambos trabalham no metrô de São Paulo. Quando convidei o Aluízio ele já tinha mudado de cargo na empresa, e quem o substituiu foi o Aloísio. Dessa forma, depois que tomei conhecimento do seu primoroso trabalho de ilustração, resolvi convida-lo também para a mini-entrevista. Foi um prazer entrevistá-los, ambos trabalham constantemente na divulgação da cultura, junto à população. Parabéns e obrigada pela participação no Abraços. Valeu!

Aloísio, como foi a sua infância/adolescência, e como a leitura e outras expressões culturais passaram a fazer parte de sua vida?

Ilustrações: Aloísio de Castro

AC: Posso dizer que os gibis, histórias de aventuras, filmes de ficção e seus inúmeros personagens sempre estiveram presentes na minha infância e adolescência. E essa minha vontade de conhecer as coisas, de escrever e desenhar tudo, tem suas raízes familiares.

Meu pai, Dr. Aldemar, foi um médico muito querido em Sorocaba; quando não estava atendendo no consultório, ou no hospital ou em alguma visita médica, ele ficava no escritório lá em casa, sempre lendo alguma coisa e tinha por hobby, escrever romances. Minha mãe, Dna. Marinalva, professora, dedicou-se a arte de ensinar boas maneiras para seus sete filhos; eu sou o mais velho. Mas ela também tinha seu hobby (quando os sete lhe davam alguma folga); desenhava e pintava muito bem. Mas as influências não param por aí; meu avô, José Aloísio Vilela, folclorista alagoano, tinha uma grande e rica biblioteca. Além de centenas de livros, havia coleções de armas antigas, facas e punhais do cangaço, couros de jacaré, de cobra grande e de outros animais. Entrar ali, escutar suas histórias e as histórias das caçadas dos meus tios, era mergulhar em aventuras sem fim.

Em paralelo com o trabalho que desenvolve na área de Marketing e Comunicação do Metrô, você se dedica com afinco à arte das histórias em quadrinhos. Um de seus trabalhos, a novela gráfica Carcará, foi editado em livro em 2011 pelo selo BooHQ e considerado uma das melhores HQs daquele ano. Conte-nos como foi esse processo criativo.

AC: A história, contada em 96 páginas, gira em torno do conflito de dois fazendeiros no final dos anos 1920, em pleno sertão nordestino. Carcará, uma ave de rapina, dá nome ao cangaceiro que protagoniza o enredo. Cenas de lutas e de morte, ilustram situações bem comuns naquele período histórico e a histórias do cangaço sempre me fascinou. Os primeiros esboços do Carcará surgiram em 2003, mas o livro ganhou fôlego quando foi selecionado pelo Programa de Ação Cultural, o ProAC, da Secretaria de Estado da Cultura, em 2010. A versão final do trabalho foi produzida em 11 meses. Foram meses pesquisando, estudando a história e os hábitos da época para tornar a HQ mais fiel àquele universo. O estilo do desenho é de contraste acentuado, realçando com isso, o aspecto árido do agreste nordestino. As sombras e recortes completam o toque dramático nas cenas e nas expressões das personagens. As artes foram feitas em nanquim sobre papel, em lâminas de 21 cm por 30 cm.

Por conta desse trabalho, tive a honra de ser um dos sete indicados a Desenhista Nacional na 24ºedição do Troféu HQMIX-2012.

Mas a sua história com quadrinhos e ilustração começou bem antes. Conte como foi.
AC: Publiquei meus quadrinhos pela primeira vez em 1984. Na época, produzi algumas histórias de terror para a famosa revista  CALAFRIO e outras, no estilo policial, para a editora Abril; na sequência, fiz os desenhos para o personagem de faroeste Gringo, novela gráfica do roteirista Wilson Vieira, que só viria a ser publicado mais de 20 anos depois.

Nos anos 1990, já trabalhando no Metrô, fui convidado e aceitei ser corroteirista do filme de animação Cassiopeia, de Clóvis Vieria, o primeiro desenho animado feito totalmente em computação gráfica no mundo.

Participei de algumas edições da revista Front, onde artistas gráficos publicavam seus quadrinhos, sendo uma dessas edições premiada com o HQMIX, em 2007. Também desenhei e ilustrei, junto com outros grandes artistas gráficos, página do livro Prontuário 666 Os anos de Cárcere do Zé do Caixão.

Aloísio, agora você assumiu a área de marketing do Metrô de São Paulo, que antes era administrada pelo Aluísio Gibson, que também participou do Abraços (confira aqui, o link de sua mini-entrevista). Quais os novos projetos na área cultural? Você dará preferência à literatura e às HQs?

AC: Com a implantação do plano de expansão do Metrô e a consolidação do acervo de arte pública da companhia, Projeto Arte no Metrô, surgiu uma nova demanda para instalação de  obras de arte nas novas estações durante as obras civis. Esta estratégia visa compatibilizar os cronogramas de instalação obra de arte/obra civil (elétrica, arquitetura, estrutura acabamento).

Em 2012 foram publicados através do site Metrô, www.metro.sp.gov.br  os espaços das novas estações da Linha 5 – Lilás, com vocação para a instalação de obras de arte, como uma forma de democratização da informação. Esta iniciativa será estendida paulatinamente em sintonia com os projetos de expansão do Metrô.

Em paralelo,  no Programa de Ação Cultural seguimos com o projeto de 20 exposições mensais da Linha da Cultura e o projeto Embarque na Leitura que registrou no último mês 4.906 empréstimos. Até o final deste ano está previsto o Canto Coral de Natal, com apresentações de corais na 1ª quinzena de dezembro e a realização do 2ª Festival Internacional de Músicos de Metrô.

No mês de agosto participaremos do projeto Design assinado por todos que prevê a exposição de 12 designers em 4 estações da Linha 2 – Verde e que tem o objetivo de promover a cultura do design.

Quanto à preferência entre a literatura e os quadrinhos, tem espaço para todos; basta querer ler.

E, para terminar, comente essa frase (do vídeo institucional abaixo):

“Tinha uma biblioteca no meio do caminho. No meio do caminho tinha uma biblioteca. E quando há uma biblioteca no meio do caminho o mundo dacultura se revela.”

AC: Faz a diferença, muda hábitos, dá voz e se torna irresistível e necessário à construção da cidadania…

Embarque na Leitura; cultura ao alcance de todos.

José Aloísio Nemésio Brandão Vilela de Castro nasceu na capital paulista em janeiro de 1955; muitos gibis, filmes de ficção, aventura e seus inúmeros personagens povoaram sua infância e adolescência na cidade de Sorocaba, interior de São Paulo, onde reside.

Publicitário e ilustrador, Aloísio de Castro trabalhou no Jornal Cruzeiro do Sul no início da década de 80, produzindo cartuns diários, ilustrações e anúncios para o jornal. Criativo e entusiasmado com a propaganda, estagiou e trabalhou em grandes agências de propaganda, Alcântara Machado, SGB, entre outras.  Em 1985, aceitou o convite do Metrô de São Paulo para integrar a equipe voltada ao desenvolvimento de ações de comunicação para os usuários do sistema, criando, desde então, inúmeras campanhas e personagens para esse fim. Publicou histórias de terror na famosa CALAFRIO, fez parte das últimas edições da revista FRONT Quadrinhos (prêmio HQMix de 2007), foi corroteirista do filme CASSIOPÉIA, o primeiro desenho animado totalmente feito por computação gráfica e foi um dos roteiristas da equipe de humor de Ronald Golias. Convidado juntamente com outros grandes artistas gráficos, Aloísio desenhou/ilustrou página da Novela Gráfica Prontuário 666 – Os anos de cárcere do Zé do Caixão, homenageando, cada um no seu estilo e toque pessoal, à personagem macabra que é Zé do Caixão.

Sempre pesquisando as histórias do Brasil e os grandes mestres do traço como o incomparável Sérgio Toppi (a quem dedicou as páginas do GRINGO, O ESCOLHIDO, seu primeiro trabalho autoral), Dino Battaglia, José Ortiz, Guido Crepax, Scott Hampton, Serpieri, Manara e tantos outros, Aloísio de Castro acredita na riqueza do folclore brasileiro, fonte inspiradora para suas histórias, paixões, heróis e vilões.

Abaixo, alguns links de sites especializados falando sobre a novela gráfica CARCARÁ.

Quadro-a-quadro, Impulso HQ, Blog do Assis Ângelo 

No facebook: http://www.facebook.com/aloisio.castro.5

Site: http://aloisiodecastro.blogspot.com.br/

2 pensamentos sobre “Mini-entrevista com Aloísio Castro, direto do Metrô de São Paulo

  1. ALOISIO

    SEM PALAVRAS….SEMPRE FUI SUA FÃ!!
    PARABÉNS PELO SEUS TRABALHOS E QUE NÃO DESISTA NUNCA…
    GIZÉLIA CECCANTINI

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