Memórias 11

[Memórias 11 – As Crônicas de Nárnia]

A literatura e o cinema têm feito ótimas parcerias. Livros interessantes, mas meio esquecidos, acabam voltando às livrarias graças às superproduções cinematográficas. Aconteceu com O senhor dos anéis. Está acontecendo com As crônicas de Nárnia. As imagens avassaladoras projetadas na telona tiram o fôlego do espectador, a música envolve e encanta, a fantasia ganha movimento, cores, sons, rostos e cenários. Mas, apesar dessa sedução sonora e visual, nada disso substitui a leitura do livro que deu origem ao filme. O cinema trabalha com a condensação: toda a história tem que caber em poucas horas. Por isso dezenas de pormenores se perdem na adaptação de uma obra literária. Essa é a grande ressalva que os fãs de Harry Potter fazem aos filmes baseados na série: a supressão de muitos dos fascinantes detalhes que há nos livros. Nunca a recomendação “leia o livro e veja o filme, ou vice-versa” fez tanto sentido. E há também os bônus. Na edição brasileira das Crônicas de Nárnia [ Martins Fontes ], o estilo elegante e delicado de C. S Lewis pode ser conferido também num breve ensaio intitulado Três maneiras de escrever para crianças. Quais são essas maneiras? Segundo o autor, duas são muito boas, mas a terceira é péssima. Concordo com ele.

A primeira maneira boa: escreva e leia em voz alta para crianças específicas (seu filho, seu sobrinho, o filho de um amigo) e não para um público abstrato geralmente chamado de público infantil.

A segunda maneira boa: não escreva pensando “Quero escrever uma história para crianças”. Deixe que a própria história escolha a forma que melhor lhe agradar, pode ser que ela se sinta melhor na linguagem adulta. Só escreva uma história infantil quando essa for a melhor forma artística de você expressar algo que quer muito dizer.

A maneira má: dê ao público infantil (gênero abstrato) o que a maioria das pessoas julga que ele quer, mesmo que você não goste muito do que está escrevendo.

Outra regra de ouro: uma história para crianças de que só as crianças gostam é uma história ruim.

C. S. Lewis sabia do que estava falando.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s