Minientrevista: Peter O’Sagae

 [ Minientrevista com o professor, leitor-crítico e tradutor Peter O’Sagae, direto de São Paulo ]

Primeiro eu conheci a página Dobras da Leitura, e  fiquei encantada com a qualidade desse site sobre literatura infantojuvenil. No expediente vi que o Peter era o editor responsável e resolvi mandar um dos nossos primeiros livros: Dias incríveis, da editora Callis. O Peter fez uma resenha bem bacana de nosso livro, e assim nos conhecemos e mantemos contato até hoje. Depois ele fez outra resenha, agora do Nosso gato desbotado. Acesse o site, procure no índice de escritores (Tereza e Luiz) e você poderá ler as resenhas.

Em 2007, no lançamento de Histórias tecidas em seda, da Lúcia Hiratsuka (pela editora Cortez), eu conheci o Peter O’Sagae (Gabinete de ideias), da Dobras da Leitura e da Dobras da leitura O’ Blog pessoalmente.

E agora, em 2011, resolvi convidá-lo para a minientrevista. Ele gentilmente aceitou, e assim aproveito para agradecer pela amizade, pelas resenhas e pela divulgação dos nossos livros, arigatô!

O que levou você a se dedicar às crianças e aos livros infantojuvenis?

PO: Fui um menino quieto, gostava de desenhar e ouvir histórias, mas talvez o primeiro clique tenha vindo quando descobri que certas pessoas podiam escrever e estudar livros para crianças, e desejei fazer isso também. Já deveria ter uns onze anos…

Na infância, quais os autores de que você mais gostava e quais os que mais o influenciaram?

PO: Não tenho uma memória marcante de autores, fosse escritor ou um ilustrador, durante minha infância. Esse ou aquele nome não fazia qualquer diferença. Os livros eram poucos e o que lia estava na cartilha, noutros livros escolares, nas revistas para colorir, histórias em quadrinhos, nos suplementos do jornal de domingo, até mesmo no meio das enciclopédias. Talvez pudesse dizer que tive uma infância mais midiática, com desenhos animados na televisão, filmes, discos, histórias e canções, rádio – e o que é bom: nada disso me extraviou do caminho da leitura literária. Nutri bastante curiosidade sobre as histórias do Sítio do Pica-pau Amarelo que minha mãe dizia ter lido, no seu tempo de escola, sobre aventuras da mitologia e contos de países distantes.

Qual a sua opinião, como leitor-crítico, sobre a literatura infantojuvenil contemporânea?

PO: Há um excesso de títulos, uma facilidade imensa para publicar, mas poucos livros bons para serem guardados na estante, na memória afetiva ou mesmo pela crítica, pois acabam repetindo modelos comprometidos com os temas passageiros da moda ou os meios de controle infantil. Mesmo gente que pretende fazer obras arrojadas, infelizmente, cai na armadilha do utilitarismo às avessas… Tenho refletido um pouco mais sobre isso, novamente, nesses últimos anos. Percebo que o mercado, apressado, tem perdido de vista o uso estético da palavra, o diálogo, a liberdade, as narrativas ágeis ou os poemas lúdicos que atrairiam mais as crianças.

Você acha que há preconceito contra a literatura infantojuvenil, que as pessoas consideram a literatura adulta superior?

PO: Essa é uma questão praticamente sem sentido e já deveria ter sido deixada de lado, principalmente por quem se interessa por literatura infantil ou juvenil. O que resiste de preconceito contra a literatura infantojuvenil é um expediente retórico que assusta devido a uma falta de reflexão, segurança e um posicionamento claro. Tanto agora quanto no passado, diversos autores têm atravessado as fronteiras da literatura adulta para estabelecer um diálogo com as crianças. Basta observar. É necessário lembrar que existe má literatura também para leitores adultos, como teatro e televisão de baixa qualidade, fotografia mal tirada ou música desafinada com nosso tempo.

Para você, que é professor de letras, as pessoas andam lendo e escrevendo mais e melhor, nestes tempos de internet?

PO: Temos lido e escrito bem mais que em décadas passadas, sem dúvida alguma. Melhor? Este é um juízo perigoso, mas sabemos intimamente que quantidade jamais foi qualidade… Lemos e escrevemos mais apressadamente, o que acarreta um novo desenvolvimento de nossas habilidades para absorver e maturar ideias, informações corriqueiras ou artísticas.

Peter O’Sagae é roteirista, formado em Comunicação Social – RTV, Mestre e Doutor em Letras pela FFLCH/USP. Idealizou o espaço Dobras da Leitura, trabalha como leitor crítico, tradutor e consultor na área editorial, além de palestrante e comentarista de literatura infantil.

Anúncios

3 pensamentos sobre “Minientrevista: Peter O’Sagae

  1. Também sou fã do blog do Peter, sempre o recomendo aos meus alunos, futuros professores, como referência de bons livros para conhecer e trabalhar literatura em sala aula. Gostei da entrevista.

  2. Bacana o jeito de pensar do Peter. Adorei também o post de baixo, e a oportunidade que ele me deu de reler aquela sua crônica sobre seu amor pelas árvores. Sempre bom vir aqui. Beijão

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s