Minientrevista: Lúcia Hiratsuka

[ Minientrevista com a escritora e ilustradora, Lúcia Hiratsuka, direto de São Paulo ]

Quando conheci os trabalhos da Lúcia Hiratsuka, o Luiz Braz ainda trabalhava na editora Callis. O primeiro livro que li foi o Issum Boshi, O pequeno samurai, em coautoria com a Lúcia Pimentel Góes. Este livro foi todo reescrito e redesenhado. Será relançado agora pela editora ABACATE. Em 2007, eu a conheci pessoalmente no lançamento do Histórias tecidas em seda, da Editora Cortez. Lembro-me que na mesma ocasião também conheci o Peter O’Sagae, da Dobras da Leitura e do Resumo do Cenário. E nesse vai-e-vem, nos encontramos aqui e ali, em lançamentos.

E agora resolvi convidá-la para a minientrevista do Abraços, convite que ela gentilmente aceitou, mandando um e-mail muito simpático lá do Peru, onde estava passando as suas férias com a família. Arigatô!

 O que levou você a se dedicar aos livros infantojuvenis?

LH: Desde pequena eu gostava de histórias e desenhos. Não me lembro de querer outra profissão. E, morando no sítio, sem televisão, os livros eram uma forma de me ligar com o mundo. Apesar de muito trabalho, minha mãe sempre encontrava um tempinho para ler, tanto para ela, quanto para mim e meus irmãos.

Em sua infância, quais os autores de que você mais gostava e quais os que mais a influenciou?

LH: Posso dizer que toda a vivência da roça influencia na minha criação atual. Percebo hoje, o quanto o tempo naquela época era sentido de uma forma diferente. Quando as galinhas subiam nas árvores, o dia estava terminando, percebia o outono por ser tempo de caquis. E havia o tempo do cafezal florir, o tempo dos bichinhos da seda soltarem seus fios e formarem os casulos.

Nessa época, eu lia mais em japonês por causa dos livros da minha mãe e do meu avô. E meu pai assinava revistas japonesas, inclusive uma para crianças. Não me lembro dos autores, pois variava bastante.  E as cantigas devem ter me influenciado.

Quando saí para a cidade, já com 10 anos, lembro que meu pai comprou uma enciclopédia e eu procurava por histórias, assim como em livros didáticos. Depois cheguei a comprar alguns livros da série Vaga-Lume.

Qual a sua opinião, como escritora e ilustradora, sobre a literatura infantojuvenil contemporânea?

LH: A qualidade gráfica melhorou demais. Porém são muitos os livros ilustrados que não têm uma linguagem, a dificulade maior é na montagem, na fluência de uma página a outra, apesar de muitas imagens exuberantes.

Acho que o maior desafio para o leitor é escolher entre tantas coisas. O bom é a diversidade, a possibilidade de ler alguns autores de países que antes não chegavam.

Você acha que há preconceito contra a literatura infantojuvenil, que as pessoas acham a literatura adulta superior?

LH: É uma discussão antiga, mas sinto acontecer uma mudança. Nos últimos tempos, tem aumentado o espaço para se falar da ilustração. A literatura infantojuvenil é ampla, nem tudo é ilustrado, e nem tudo que é ilustrado é para crianças… Existem livros em que não se separam palavras e imagens. E há uma deficiência também nessa formação, a do olhar. Enfim, vem acontecendo mais oficinas, exposições de originais, palestras, acho que é um caminho.

O que diferencia a criança que lê da que não lê?

LH: Falamos muito em “ler”ou “não ler”. Quando eu contei uma vez sobre as bibiliotecas com diversos ehons (livros ilustrados, picture-books), que os pais japoneses preparam para os filhos desde bebês, alguém me perguntou — “E eles conseguem ler mais cedo?” — Não é exatamente essa a intenção, a de entrar no mundo das letras mais rapidamente.  A ideia é despertar a sensibilidade através de um livro ilustrado, livros lúdicos, poéticos e  também os didáticos.

Lúcia Hiratsuka é escritora e ilustradora. Graduou-se na Faculdade de Belas Artes de São Paulo e estudou sobre livros ilustrados na Universidade de Educação de Fukuoka, no Japão. Recebeu os prêmios APCA 1995, Jabuti 2006 de ilustração, Melhor Livro de Reconto FNLIJ 2007, e vários sêlos Altamente Recomendável FNLIJ.

Entre as suas obras estão: LIN e o outro lado do bambuzal (SM), Histórias Tecidas em Seda (Cortez ), Festa no Céu/Festa no Mar (DCL), Os livros de Sayuri (SM), Corrida dos Caracóis/Antes da Chuva (Global), A visita (DCL), O ogro e as galinhas/ Ladrão de ovos (SM) e outros.

Mantém o blogue: http://luciahiratsuka.blogspot.com

E o site: http://www.luciahiratsuka.com.br

Face book: https://www.facebook.com/lucia.hiratsuka?fref=ts

http://youtu.be/pVZNvtV35Zw?list=UUjUk7CZK8nDpgHnN19Xd_Tg

Confiram também:

Lúcia também responde as perguntas de Cristiane Rogerio ( aqui a sua minientrevista no Abraços) no Esconderijos do Tempo. 
No blog Gato de Sofá, há o texto da Luciana Conti.

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Orie, novo livro de Lúcia Hiratsuka, é uma preciosidade. A história leva o leitor para uma infância serena e cheia de descobertas no Japão rural. O livro já está à venda e tem lançamento em São Paulo no dia 27 de maio, na Livraria NoveSete.” {http://garatujasfantasticas.com/orie/}

No site da Editora Zahar: http://www.zahar.com.br/blog-editora/post/o-ir-e-vir-de-orie

Jojoscope: http://jojoscope.com/2014/05/orie-sobre-memorias-afetivas/

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2 pensamentos sobre “Minientrevista: Lúcia Hiratsuka

  1. Adoro o trabalho da Lúcia e o seu cuidado com o que produz, sempre pensando na criança e em como lhe contar uma história que a embale, seja com palavras, seja com imagens, seja tramando as duas linguagens.

  2. Pingback: NOTÍCIA | DICAS DE LEITURA PARA CRIANÇAS | Memai | Jornal de Letras e Artes Japonesas

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