Nova minientrevista

[ Minientrevista com a escritora Sônia Barros, direto de Santa Bárbara d´Oeste, interior de São Paulo]

A Sônia, eu a conheci no lançamento do Era uma vez para sempre, organizado por Marcelo Maluf, para a Editora Terracota, do qual participamos. Foi um dia especial. Contamos também com a participação de 20 autores, como o Leo Cunha, a Tânia Matinelli, e a Tatiana Belinky , que esteve presente no lançamento para que pudéssemos cantar parabéns, por conta de seu aniversário de 90 anos. Quanta honra, não? 


Desde o evento, a Sônia e eu já trocamos livros e e-mails. E assim resolvi convidá-la para mais uma minientrevista. Espero que gostem, eu amei as respostas. Arigatô!

Porta-retrato, mandala estrela (modular) by Tereza Yamashita

O que levou você a se dedicar aos livros infantojuvenis?

SB: Os livros sempre estiveram presentes na minha vida, desde a infância. Costumo dizer que o livro era meu brinquedo preferido, uma caixa-surpresa que me fazia sonhar! Minha mãe adotiva, mesmo sem ter frequentado uma escola por muito tempo (trabalhou a vida toda como empregada doméstica), me levava com frequência à biblioteca municipal de Santa Bárbara d´Oeste, onde começou esse meu contato mágico com a literatura infantojuvenil. Pouco a pouco, fui sentindo vontade de fazer o mesmo que tantos autores fizeram por mim: caixas-surpresa para que outras crianças pudessem sonhar!

Em sua infância, quais os autores de que você mais gostava e quais os que mais a influenciaram?

SB: Eu me lembro de que sabia de cor alguns contos de Andersen e dos irmãos Grimm, e adorava contá-los. Também sabia de cor (sempre declamava nas festinhas do colégio) alguns poemas do Manuel Bandeira, Mario Quintana e Vinícius de Moraes. Nasceu aí minha paixão pela poesia! Mais tarde, me encantei com os personagens de Monteiro Lobato, principalmente com a Emília. Clarice Lispector também me marcou muito, já na infância. Depois que li A mulher que matou os peixes, Clarice me acompanhou para sempre.

Qual a sua opinião, como escritora, sobre a literatura infantojuvenil contemporânea.

SB: Há uma grande diversidade no mercado da literatura infantojuvenil e uma enorme quantidade de títulos e autores, pois nunca se publicou tanto. Justamente por isso fica difícil fazer uma avaliação generalizada da qualidade oferecida. Mas, sem dúvida, a criança e o adolescente de hoje têm mais oportunidades de contato com o livro do que tinham anos atrás e isso é muito importante.

Você acha que há preconceito contra a literatura infantojuvenil, que as pessoas acham a literatura adulta superior?

SB: Infelizmente existe preconceito, sim. A literatura infantojuvenil ainda é vista por muitos como uma literatura “mais fácil”, de menor importância, sem complexidade. Frequentemente também é vista apenas como leitura exigida pela escola, quase sempre cobrada depois numa prova, numa redação. A enorme quantidade de livros publicados, nem sempre de boa qualidade, contribui para agravar essa situação – embora haja verdadeiras obras-primas infantojuvenis! Eu acredito que a boa literatura não determina ou limita a idade do leitor. Claro que uma criança não consegue compreender um livro destinado ao adulto, mas os livros infantojuvenis podem ser lidos, com prazer, pelo leitor adulto. E muitos deles, de tão bons, deveriam ter vida mais longa e maior divulgação.

O que diferencia a criança que lê da que não lê?

SB: Antes mesmo de saber ler, a criança deveria ter a oportunidade de ouvir histórias contadas por um adulto. É um momento de afeto, de atenção, que fortalece laços afetivos e aumenta a auto-estima da criança. E é também a oportunidade de exercitar e ampliar a fantasia, a criatividade. O livro deve ser apresentado à criança como um instrumento de alegria, emoção, prazer. Só assim ela se tornará leitora. E aí, naturalmente, terá maior familiaridade com a linguagem e maior domínio da língua, seja na comunicação oral ou na escrita. Sem contar que a leitura proporciona ao leitor a oportunidade de viver outras vidas, passar por inúmeras e diferentes situações. Tudo isso enriquece a vida interior de quem lê e amplia suas reflexões sobre o mundo.

Sônia Barros nasceu em 24 de agosto de 1968. Mora em Santa Bárbara d´Oeste, interior de São Paulo. Casada com Diógenes e mãe do Bruno. Professora de Língua Portuguesa, lecionou por mais de dez anos para crianças e adolescentes. Fez teatro, dança e canto. Tem treze livros publicados e dois no prelo.

Mantém o blog: WWW.escritorasoniabarros.blogspot.com

A Sônia participou da Feira do Livro do Colégio Pilares, onde o Bruno, seu lindo filhote, estuda. Aqui está a foto dele (o segundo da direita para esquerda) com os amiguinhos. Ele não é fofo?

Ah, observe o lado direito da foto: a minientrevista foi impressa e fez parte da Feira. Arigatô!

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12 pensamentos sobre “Nova minientrevista

  1. Sônia, parabéns. Espero que seu belíssimo trabalho continue sendo reconhecido! Como sempre, sua história de vida me comove. Um grande beijo.

  2. É sempre um grande prazer ler sobre a Sônia, alguém que vai tão além da literatura, que, em suas linhas/entrelinhas, é sempre um convite para uma grande viagem.

  3. Parabéns Tereza!
    A entrevista com Sonia Barros foi mais do que uma entrevista, foi ouví-la por dentro
    de sua excência. A Sonia sempre foi e será uma autora que abraça ao leitor, narrando
    do fundo de sua alma, o amor mais sublime, que encanta seus leitores.

    Obrigado,
    Emanuel Moura Brandão.
    cel.11 96147922

  4. Sônia:
    Quem leu seus livros, certamente teve a vida interior enriquecida …
    Gostei muito das suas respostas, principalmente a da última pergunta.
    Beijos.

  5. A SÔNIA É UM EXEMPLO DE PESSOA QUE ME ENCANTA COM SUA SIMPLICIDADE E CAPACIDADE…DONA DE UM TALENTO NATO (QUEM CONHECE SEU TRABALHO SABE DISSO) CONTRIBUI IMENSAMENTE PARA A BOA FORMAÇÃO DE LEITORES DESDE A MAIS TENRA IDADE QUANTO DOS ADOLESCENTES! MEUS PARABÉNS SÔNIA BARROS E UM ABRAÇO AO PESSOAL DESTE BLOG QUE SOUBE A QUEM HOMENAGEAR!!!

  6. Parabéns, Sônia!
    Ao lerem seus livros os rostinhos dos meus alunos refletem o carinho que você coloca nas palavras neles escritas…
    Obrigada por, desta maneira, se fazer presente em minha vida!
    Continue sua jornada. A missão é sublime!
    Beijos,

  7. Sônia, é um privilégio podermos contar com a sua presença como mãe do Bruno, nosso aluno, e como autora em nosso colégio. Sua participação em nossos projetos incentiva ainda mais o prazer da leitura em nossos alunos.
    Um grande abraço.
    Equipe do Colégio Pilares

  8. Puxa, quanto carinho!
    Obrigada a todos vocês, amigos tão queridos, pela generosidade nos comentários.
    E, mais uma vez, obrigada a Tereza por me acolher neste espaço tão especial.
    Um grande abraço!

  9. Oi Sonia! Que bom revê-la!
    Amei sua entrevista neste blog da Tereza, que por sinal merece meus mais sinceros parabéns pelo design e arte apresentados. O livro deve ser realmente um “instrumento de alegria, emoção, prazer.” como você afirmou muito apropriadamente , e isto e´comprovadamente a observação que podemos fazer quando nos detemos na leitura dos livros que você escreve dedicados ao público infanto-juvenil . Com certeza, suas produções reunem a beleza da palavra e a beleza das imagens, ensejando a reflexão dos jovens leitores propiciando-lhes um raciocínio crítico , que com certeza os auxiliarão no conceito de uma sociedade mais justa, e no encontro dos meios para conseguirem os seus objetivos.. Um grande abraço da amiga da Internet que a admira muito. IDA MONTEZ

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