Crônicas 2017/2018

[ Quinta crônica de 2017 –  18 de Maio ]

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Revolução do altruísmo ou terceira guerra mundial? Qual você escolhe?

Adoro o Brasil, apesar de eu descender de japoneses, e de ter muita admiração pelo Japão. Gostaria que o nosso país também fosse do Primeiro Mundo, bem diferente do que é hoje, e principalmente desses últimos anos. Do Brasil, eu gosto da diversidade das etnias, admiro a composição: paisagem tropical com suas pessoas alegres e criativas.

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Mas parece que a classe dominante do povo brasileiro, principalmente os políticos com os seus partidos, economistas, administradores e empresários, apenas veem o Brasil como no século passado, um país apenas para ser explorado e dilapidado. Exploram todos e tudo, apenas pra esbanjarem, usufruírem o que ganham aqui, em outros países, comprar bens e adquirir produtos importados e caros. Infelizmente, estes são um país e um mundo com pessoas extremamente consumistas.

A maioria de nós não conhece o Brasil com seus lindos Estados, seus produtos e artesanatos, sua arte, sua terra com uma agricultura diversa, e com seus frutos maravilhosos e suas matérias-primas abundantes. Ou melhor, conhece o seu potencial, e por isso o explora sem dó nem piedade. E, assim, não querendo ser ufanista, creio que o que nos falta é ter mais amor ao país e amor à nossa gente, sermos mais patriotas e lutarmos pelo que é nosso. Deixarmos de ser egoístas e de querer levar vantagem em tudo, o famoso jeitinho brasileiro.

Precisamos de empatia nacional, ela deveria ser parte da nossa educação, ser ensinada e cultivada. Afinal, nossos filhos não nascem e crescem neste país? Lá fora, em outros países, eles serão estrangeiros sempre, ou estou enganada? Apesar dos ricos poderem estudar fora e até morar por lá… Mas a nossa origem, a nossa família é do Brasil, e isso não podemos negar, está em nossa certidão de nascimento. Ops!, sei que alguns ganham a cidadania. Mas não dá pra negar, está no nosso sangue essa brasilidade, é genética.

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Só pra desabafar, estou muito triste mesmo, desanimada, sem forças pra lutar, parece que não temos mais um futuro promissor, todos somos corruptos e corruptíveis. Vivemos numa terra de ninguém! Terra que era dos índios, mas até eles estão desistindo e cometendo suicídio em massa, pois não suportam mais tanta humilhação, tanto descaso, tanto desamor.

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Fico tão triste, pensando nas crianças e nos jovens, na minha filha, e nos meus futuros netos. Daqui a trinta anos, eu partirei, com certeza, mas tenho muito medo do mundo que deixarei. Estou tão decepcionada com o futuro, como ensinar ou falar sobre honra, ética e amor num país, num mundo como o nosso? Que herança vamos deixar ou passar pros nossos descendentes?

Porque o que estou aprendendo é que tudo é efêmero, impermanente (os bens materiais e a própria vida!), mas o que deixamos mesmo, quando morremos, é apenas o que foi ensinado, o que foi vivenciado e aprendido, é o que fica em nossas lembranças. Comento isso por experiência própria, porque perdi os meus pais, e a morte me ensinou isso. Não tenho uma religião específica, mas estou chamando isso de “alma”, a memória que guardo dos meus pais, e ela, essa “alma”, sempre estará presente, a gente querendo ou não.

Conversando com o Teo, descobrimos que os animais também têm alma, nunca esqueci do meu primeiro cachorrinho, do carinho e do companheirismo que ele me trazia em horas de solidão, quando criança. E a “alma” não ficam vagando por aí, como imaginamos, ela está dentro de nós, em forma de memórias e lembranças, vinda da relação com a pessoa ou o ente querido que já partiu, e principalmente daquela pessoa especial que nos encantou, nos desencantou ou desencantou-se (as almas penadas, as sofredoras?).

Devo ser sonhadora, estúpida até, em pensar assim, mas como filha e mulher, nunca queria trazer em minha memória que os meus pais foram corruptos, que eu estou usufruindo disso, e que de certa forma eles assassinaram, não com uma arma, mas com sua ganância, egoísmo e falta de empatia, milhares de pessoas. Tirando delas o seu alimento, a sua dignidade, e principalmente os seus sonhos e a sua esperança. E por mais que alguns neguem e não sintam remorso, no fundo, em nossa consciência, nós sabemos o que é justiça, discernimos o bem do mal e o certo do errado. E fica a pergunta: tudo isso vale à pena, se somos tão insignificantes perante o universo?

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[ Quarta crônica de 2017 – Maio ]

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Jujubas vermelhas e verdes

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O Teo Adorno e eu somos assim: um ruge e belisca o outro, e vice-versa, hahaha. Enfim, em julho completaremos uma parceria de 28 anos! Já assinamos assim: ENTE, de NElson e TEreza. A maioria das pessoas fica desconfiada da dupla ou se confunde com ela… mas já pintamos (a primeira exposição de aquarelas foi em 1989) e já escrevemos a quatro mãos (nosso primeiro livro infantojuvenil, em 2005, “Bia alhos azuis”, da editora Alaúde. Já ganhamos prêmios juntos e separados. Às vezes trocamos os papéis, um escreve e o outro desenha, ou um desenha e o outro escreve (o mais recente, “Poemanimais”, livro independente) ou fazemos tudo juntos, às vezes, um tem a ideia e o outro executa e vice-versa. No começo foi bem difícil, juventude e ego acirrados. Mas hoje aprendemos (foi na marra) que o melhor jeito é sermos parceiros, tanto na vida como na profissão. Também temos vidas independentes, eu gosto de origami e o Teo gosta de histórias em quadrinhos. O Teo já tentou fazer origami, surtou. Eu tentei fazer HQ, não consegui. Eu gosto de jujubas vermelhas e o Teo das verdes, assim dividimos (sem brigar) o saquinho de jujubas. Há vinte e três anos fizemos a nossa melhor criação, a nossa filhota Érica (de capricórnio!), rs. Enfim, toda essa lorota de jujubas, pra dizer que temos novidades, eu escrevi um novo infantil e o Teo desenhou, e eu estou colorizando os desenhos do Teo (primeiro livro feito assim foi “O menino do Cerrado”, da editora do Brasil, na época em que eu trabalhava na editora, sim, já tive carteira assinada, rs, a primeira editora a gente nunca esquece!). Eu gosto de pintar e o Teo de desenhar. O Luiz Bras está revisando o livro (ele detesta fazer revisão, rs) e eu estou diagramando (não gosto de diagramação de livros, hahaha). Mas sermos microempresários é assim mesmo, fazemos tudo o que gostamos e não gostamos, trabalhamos de dia e de noite, sábados e domingos, ganhando apenas para sobreviver, e agora, com toda essa crise política e financeira, está bem mais difícil… Tentamos viver o dia-a-dia, mas gostamos muito do que fazemos. Rimos e choramos sob o mesmo teto (sorte que ainda temos um, kkk). O Teo acha que entraremos numa terceira guerra mundial, e eu sonho que um dia faremos uma revolução do altruísmo. Gostamos, os dois, de gatos… O Sansão é que sabe viver, acho que devemos aprender algo com os felinos, hahaha. Sexta-feira, tomara que seja um dia-bom… Não um dia-binho!

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Abraços Dobrados Agradecidos e Parceiros.

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[ Terceira crônica de 2017 – Abril ]

Bom dia! Topei a brincadeira. Então, vamos brincar! Abraços Dobrados Verdadeiro ou Falso? hahaha.
Nove verdades e uma mentira a meu respeito, qual você considera que é a falsa?
1. Amo origami, a milenar arte da dobradura! Já dobrei mais de mil tsurus, e aprendi a dobrar o grou com o meu pai. Conheci pessoalmente, o famoso origamista da Origami House, Makoto Yamaguchi, que não queria me receber, porque atrasei 15 minutos (errei a plataforma do Trem bala), mas fez uma excessão, porque eu era do Brasil. No Japão, atrasos são uma ofensa!
2. Sou casada com quatro rapazes distintos: no cartório e na igreja católica! Casei quando a minha filha nasceu, fui obrigada, para batizá-la, rs. Suas profissões: um escritor, um ilustrador, um professor e um designer, hahaha.
3. Aos vinte e seis anos, em 1991, eu saí na revista Playboy! Minha mãe mostrava a revista pra todo mundo, rs. E como convidada especial, eu fiquei um final de semana maravilhoso na Ilha de Itaparica/ Bahia, no Clube Med. Meus quatro maridos e eu, adoramos, kkkk.
4. Quando adolescente (13/14 anos), escrevendo no meu lindo diário, eu engoli a tampa (grande, pontuda) da caneta Bic. Fui parar no PS, e fiquei famosa no hospital, todos os médicos de plantão queriam analisar o meu caso, e me perguntavam ironicamente por que eu não engoli uma tampa de caneta de prata, de ouro… pra sair no raio-X, hahaha.
5. Adoro girafas pescoçudas! Já tive um hamister, uma tartaruga, uma papagaio (quando saía de casa ele me perguntava: “Onde você vai?”, imitando a voz da minha mãe, kkk), um cachorro pequinês (Mickey) e agora tenho um gato (Sansão) com 17 anos.
6. Na época da faculdade, em 1987, eu fui notícia de jornal, no Diário Popular, rs. Dei um depoimento, eu achei que era pra um aluno do Mackenzie, mas não… Era pra um jornalista. E porque critiquei o prefeito Jânio Quadros (na época), saí na matéria com foto e tudo. Na época em que ele resolveu experimentar o ônibus de dois andares e pintá-los de vermelho, como em Londres, hahaha. Dias depois, quando cheguei na agência de publicidade em que eu estagiava, o jornal com a matéria estava pendurado no mural principal, foi a maior gozação, kkk. A foto saiu horrível, destruí o jornal. Hoje me arrependo de não ter guardado, seria pitoresco!
7. Sou designer gráfica e já fiz mais de duzentas capas de livro, e também sou escritora infantojuvenil, com vários livros publicados. Ganhei o Jabuti em 2016, na categoria digital. Em breve lançarei mais um livro. Aguardem!
8. Sou descendente (sansei), por parte dos meus avós paternos e maternos japoneses. Já fui ao Japão, mas não sei falar a língua, snif. Apenas: sumimasen, arigatou e ganbatte, minha palavra predileta!
9. Odeio comer camarão, tenho alergia! E moti (bolinho de arroz japonês), quando pequena eu me engasguei, rs.
10. Já fui convidada para ensinar origami em duas redes de TV, duas experiências divertidas e apavorantes… sou bem tímida, e tive que me esforçar muito! Abraços Dobrados Agradecidos às produtoras que me convidaram.
Espero que tenham gostado das minhas poucas e divertidas experiências. Qual delas é a falsa?

Bom dia. Bom domingo!
Queridxs, aqui está a resposta. Obrigada por participarem, e espero que tenham se divertido! Agora vocês conhecem um pouco mais das pequenas aventuras de minha vida, rs! Abraços Dobrados Agradecidos.

Quem respondeu que era a 9, acertou! Viva. Amo camarões e moti (podem me presentear com eles, que eu não reclamarei, kkk). Sou alérgica: tenho rinite e dermatite atópica (sofro com picadas de inseto), mas ainda bem que não sou alérgica com alimentação.

Quem achou falsa a 2, se enganou. O relato é verdadeiro!
É uma brincadeira. Sou casada com um “rapaz” que tem quatro alter egos: Nelson de Oliveira (professor), Luiz Bras (escritor e designer), Valério Oliveira (poeta) e Teo Adorno (ilustrador), rs. Neste ano, nós completaremos 28 anos de casados! O arteiro, rs, sempre brincou com pseudônimos, desde que nos conhecemos (namoro na faculdade), mas ele só personificou e divulgou os personagens há pouco tempo, no face. Antes eram usados apenas em participações de concursos, tanto de artes como de literatura. Primeiro nós casamos no cartório, a contragosto… mas os pais insistiram tanto que acabamos cedendo à vontade deles. Depois de 5 anos, pra batizar a minha filha, casamos e batizamos, tudo no mesmo dia, kkk. (Ah, e novidade supimpa, agora ele tem uma alter ego mulher, a Sofia Soft, hahaha. Agora estou perdida, terei que ter um pseudônimo masculino, pra variar, hahaha. Vou pensar em uma nome divertido também…)

Quem achou falsa a 3, se enganou. O relato é verdadeiro!
Na Playboy, sim! Uau. Hei, calma lá, nós vencemos (Nelson e eu) em 1991 o Prêmio Playboy de Ilustração, só isso. Ninguém posou nu com as mãos nos bolsos, não, rs. Além da nossa ilustração ter sido publicada, nós ganhamos um final de semana maravilhoso na Ilha de Itaparica, na Bahia, no famosíssimo Club Med. O texto ilustrado foi um trecho do romance Hilda Furacão (na época, minissérie da Globo), escrito por Roberto Drummond. Os jurados foram nada menos que as feras das artes plásticas: Carlos Grasseti, Carlos Tozzi, Newton (não lembro o primeiro nome) e Guto Lacaz. Conhecemos a redação da Playboy e depois fizemos mais uma ilustração para a revista. Que época maravilhosa. Acreditem, éramos mais tímidos do que agora, e na época ficavámos constrangidíssimos em falar que saímos na Playboy, rs. O pior era ser reconhecida no açougue, na padaria, no jornaleiro… E os pais e as mães carregando a Playboy pra cima e pra baixo, pra mostrar aos vizinhos, aos amigos e à parentada… Curiosidade: a minha mãe colocou uns tapa-sexo (tarjas) nas mulheres da revista, ninguém aguentava, e começavam a rir, quando viam a traquinagem. Muito divertido! Vide foto da revista (nossa fotito na abertura).

Quem achou falsa a 4, se enganou. O relato é verdadeiro!
Sim, eu consegui engolir a tampa da BIC e fui parar no pronto-socorro com dores no estômago, kkk. Estava deitada na cama e quando fui abrir a caneta com a boca, pra escrever no diário, a tampa que estava meio emperrada, e com a força que fiz para destampá-la, ela foi direto pra garganta. Minha irmã tentou ajudar me dando um tapa nas costas, eu estava engasgada, mas aí acabei engolindo, em vez de cuspir a tampa! No hospital me deram um laxante e saiu naturalmente, se não saísse, teria que fazer uma pescagem endoscópica, e, na pior das hipóteses, sofreria uma cirurgia. Foi um susto e tanto, kkk

Quem achou falsa a 6, se enganou. O relato é verdadeiro!
Foi o que aconteceu… fui notícia de jornal, hahaha.

Quem achou falsa a 8, se enganou. O relato é verdadeiro!
Sou uma negação em línguas estrangeiras. Arranho no inglês, e no japonês entendo pouco, não falo nada! Escrever e ler, zero. De japonesa, tenho só o origami e os olhos puxados. Sou uma japonesa falsificada, como dizem, do Paraguai, kkk.

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[ Segunda crônica de 2017 – Março – Abril ]

Bom dia. O livro chegou e ficou bonitão! Fresquinho da gráfica. Feliz por participar. Postagem da última série de Tsurumorfos – Tsuru Coração. Contagem regressiva 36/40. Abraços Dobrados Agradecidos (Paisagem Personas + Editora Patuá + Autores) com Alegria no Coração.

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VI Última Série Tsurus Metamorfos – Tsuru Coração
36. Tsuru Metamorfo Tsuru Coração 05.05042017 – Papel utilizado: Filipaper Scrap Decor Poá Branco/Prata (30,5cm x 30,5cm) + Peças diversas + Fio de Alumínio.

Chegando ao final da série Tsurus Metamorfos – Um por dia, desde o dia primeiro de março até o dia oito de abril. Foram 39 (um extra = 40 pra ficar um número redondo, rs.). A ideia partiu da antologia “Hiperconexões: Sangue e Silício”, organização do Luiz Bras, pela Editora Patuá. Participo com dois poemas, é a minha estreia na poesia “adulta”.

“O que é o pós-humano? É um conceito elaborado pelo trio ciência-arte-filosofia, uma reflexão sobre o próximo passo evolutivo de nossa espécie. Por meio da biotecnologia e da tecnociência, o ser humano está modificando fisicamente o próprio ser humano. Aonde isso nos levará, ninguém sabe ao certo.”

Pra falar a verdade, o futuro me assusta um pouco, tive que ensinar a minha mãe a utilizar o computador, eu mesma tive que aprender na marra. Comprei um dos primeiros MAC(s) para fazer trabalhos de publicidade. Antes, eu trabalhei em uma agência onde o computador vinha com uma tela verde, um antiquadíssimo PC 286, rs. E na Folha de S.Paulo eu usei um MAC com tela em preto e branco pra fazer infográficos.

Não havia internet ainda! Outro dia, conversando com uma amiga que acabou de ter um bebê, eu me lembrei: para chamar o pediatra da minha filha em caso de emergência, nós ligávamos para o Pager do médico, dá pra acreditar?! E hoje converso com o meu ginecologista via WhatsApp ou Messenger. Falo com a minha filha, que está em outro estado, via Skype. Em 2009, quando fui ao Japão, do outro lado do mundo, ainda usando o telefone, (celular/conexão internacional ainda era muito cara), parecia que eu conversava com o vizinho, de tão boa que é a transmissão telefônica, sem interferências ou chiados. Hoje a televisão está em alta definição, digital. O analógico desapareceu. Já existem pequenos robôs que limpam a casa, aspirando o pó. Tantas modernidades, mas o homem ainda continua perdido… solitário e procurando uma resposta para a sua existência.

Voltando para as dobraduras, os tsurus metamorfos saíram fora de controle, eram para ser customizados com peças industriais, mas saíram assim, com flores, borboletas, madeiras e diversos materiais. Mas não parei, continue, deixei a criatividade vir, sem cobranças ou críticas. De alguns eu gostei mais, outros menos, enfim, achei que o importante era não desistir da meta dos 40 tsurus. Não sei, talvez eu precisasse extrapolar a criatividade através desses metamorfos, rs. E nos tsurus finais, eu até tentei utilizar peças e algo mais tecnológico, rs. E, pra finalizar, acabei dobrando um tsuru em formato de coração.

Concluindo, de todas as transformações dos tsurus, cheguei ao formato coração. Pode parecer piegas, romanticóide, mas um professor uma vez me disse e eu nunca esqueci: “O que as pessoas realmente precisam é de carinho e amor.” Não importa o quão ricas, inteligentes, bem-sucedidas, pertencentes a qualquer tribo, com ou sem implantes, com tatuagens, cabelo crespo ou liso, sendo homem, mulher, criança, transgênero, transmorfo. Sempre buscaremos o afeto, o amor, o reconhecimento das pessoas e, o principal, o reconhecimento de nós mesmos. Se não nos amarmos, quem nos amará?! Apesar de todas as diferenças, creio que o único sentimento sem raça, distinção, credo ou política, é o amor puro/incondicional, seja ele com que cor se apresente, de onde vem, pra onde vai, não importa. Estaremos sempre a sua procura.

Que os tsurus metamorfos de coração, espalhem a Longevidade, a Paz e o Amor entre homens, máquinas e todos os seres vivos.

Abraços Dobrados Metamorfos do Coração.

 

[Poesia]

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Queridxs, convite muito especial do planeta vermelho, rs.
Digitem na agenda virtual o dia 8 de abril, sábado, às 19h.
Nessa data, eu participarei do terceiro volume da coletânea “HIPERCONEXÕES: realidade expandida”, no Patuscada Bar, na Rua Luís Murat, 40 – Vila Madalena, do lado do Beco do Batman (pra quem não conhece, eu recomendo uma visita tresloucada depois do nosso evento, porque antes é arriscado, tomem muito cuidado para não serem hiperconectados ou abduzidos por algum grafite!) Brincadeiras à parte, lembrando que esse volume 3 é composto de dois livros siameses: “Carbono & silício” + “Sangue & titânio”, do qual participo.

Será a minha estreia na poesia para malucos, digo “adultos”, rs. Vocês poderão conhecer o meu lado poético mais quente (sangue) ou mais frio (titânio)?, hahaha.
Enfim, estão todos convidados!
Ah, as belas ilustrações e o projeto gráfico são do querido Teo Adorno, e a organização da antologia é do Paisagem Personas, com a parceria do premiado e incansável editor, Eduardo Lacerda, que também participa como poeta. Que honra, não?! Além de contar com a companhia de outros queridxs poetas renomados: uns ganhadores do Jabuti (obs.: tinha esquecido… eu também ganhei o Jabuti, rs, na categoria digital infantil) e a participação especial de um poeta/ator Global, uau!

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Abraços Dobrados Agradecidos e Honrados de Sangue & Titânio.

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[ Segunda crônica de 2017 – fevereiro ]

Para relembrar!

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uma carta para antonia
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Primavera, setembro de 2007.

Aprendi a fazer vários tipos de envelope através do origami. A milenar arte oriental da dobradura do papel.
As dobras devem ser precisas, a concentração redobrada e a paciência cultivada.
Os dedos devem tocar o papel delicadamente, como se toca o corpo de quem se ama, com respeito e admiração.
Pensei em usar as duas artes, a do origami e a da caligrafia.
Pensei em usar papel artesanal.
A ponta da pena tocando delicadamente a superfície do papel e fazendo com que a tinta penetre nas fibras.
A tinta se espalhando lentamente, criando linhas, círculos e traços. Formando palavras que ora apresentam um significado, ora outro. Nunca escrevi um haicai, um poema ou uma carta de amor.
Agora Antonia vai pra longe, pra longe dos nossos olhos.
Vai conhecer outras pessoas, outra realidade, outros mundos.
Vai escrever um romance. Nosso lado mesquinho quer pedir, suplicar, implorar a ela que fique.
Não podemos, cada um tem um caminho a seguir, o caminho que conquistou.
O nosso será esse, o das palavras e da saudade.
Vá, minha amiga, com a bênção dos deuses. Não se esqueça de nós.
Estaremos aqui, torcendo, invejando e escrevendo.

Sua amiga suicida, Tereza

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[ Primeira crônica de 2017 – janeiro ]
Abraços Dobrados com Barro

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Garçonnière

“Há entre nós ambos
demasiada emoção.
Tal é o motivo
do que tem havido!
Toma um bocado de argila,
Molha-a, amolda-a
E faze uma imagem minha
E uma imagem tua.
Toma-as então, rompe-as
e adiciona-lhes um pouco d’água.
Transforma-as de novo
em uma imagem tua
e uma imagem minha.
E então haverá na minha argila alguma coisa tua
e na tua argila alguma coisa minha.
E jamais coisa alguma nos há de separar.
Vivos, dormiremos na mesma cama,
e, mortos, na mesma sepultura.”

Não me lembro quando… Certo dia fui convidada para um evento do FB, de um escritor e designer do círculo de amigos de artes. Lá, ele postou uma curiosidade sobre outro escritor, Oswald de Andrade e sua Garçonnière. Então saiu essa crônica, rs. Fico indignada com o machismo (principalmente o oriental) ou qualquer outra forma que subjugue o ser humano, principalmente a mulher… enfim.
Quando eu era criança, com uns sete anos, o meu irmão mais velho (dez anos de diferença) convenceu o meu pai a fazer parte do Círculo do Livro. Era uma briga, éramos três irmãos (hoje, infelizmente, a vida nos separou), então quem escolheria o precioso livro? Como seria apenas um exemplar por mês, eu não tinha muita chance, pois nem sabia escolher direito, e nem sabia ler direito também… Como todos sabem, na tradicional família japonesa o homem imperava…
Sendo assim, eu tentava ler os livros que meu pai ou meu irmão mais velho escolhiam. E um dos títulos foi esse A importância de viver, de Lin Yutang, traduzido pelo Mário Quintana, que meu maridão procurou pra mim na Estante Virtual, e me presenteou. Arigatou!
Na época, claro, tentei ler e não entendi nada, mas um poema não saiu da minha cabeça, só lembrava da ideia principal, que me comoveu! E no dia em que eu facilitei a oficina Palavra na lavra do barro, e quando a Tamara contou a história da criação do homem através do barro, bateu em mim um déjà-vu e me lembrei novamente do poema acima. Hoje, relendo o livro, achei-o mais bonito ainda, pois havia uma história por detrás do poema.

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A autora foi a esposa e artista (não reconhecida) senhora Kuan (esposa de um grande pintor da china, Yuan Chao Mengfu). Ela escreveu o belo poema quando o marido estava prestes a tomar outra amante. De acordo com a história, esse poema penetrou no coração do marido, senhor Yuan, mudando sua intenção.
Não foi linda a maneira criativa e poética com que a mulher sacudiu o coração do marido? Espero ter a mesma sabedoria, pra quando o meu parceiro estiver pensando em se saciar com outras literaturas, hahaha.

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