Rabiskos & Rabiskos 2017/2018

Rabiskos e Rabiskos 8 – 8 dezembro 2018

DR de Gatos, kkk. Abraços dobrados Reflexivos.

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Curiosidade:
 “É preciso discutir a relação? Dependendo de como for feita a DR – e de quem é a sua cara metade – ela mais atrapalha do que ajuda” – Por Ana Paula Severiano

“Atenção aos pronomes usados: casais que, ao contar sua história de vida a dois, usaram mais o “nós” e “nossos” tendiam a ser mais felizes juntos do que aqueles que usaram “eu”, “meu”, “você” e “seu”. Essa escolha pode revelar que a pessoa está mais interessada na sua própria vida do que em aprofundar ou resgatar a conexão com o parceiro. Usar muito “você” em uma discussão também denota que o sujeito pode estar mais a fim de acusar o outro do que de pensar em uma solução para o impasse.”

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https://super.abril.com.br/comportamento/e-preciso-discutir-a-relacao/

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Rabiskos e Rabiskos 7 – 5 novembro 2018

Poesia Tenis

Conga, chuteira, allstar e nike

Tereza Yamashita

Pé-de-moleque de outrora

Pé traquina

Pé com chulé

Pé cheio de barro

Pé de saudade

Pé calçado com conga

Azul, vermelho e branco

 

Pé de menino de rua

Pé de menino fujão

Pé de futuro atleta

Pé de esperança

Pé de saudade

Pé calçado com chuteira

Pé sonhador

Cravos que machucam

 

Pé de garoto star

Pé de garoto urbano

Pé de garoto gringo

Pé de garoto geração coca-cola

Pé de saudade

Pé calçado com allstar

Brilho no olhar

 

Pé de garoto mimado

Pé de garoto de celular e ipod

Pé de garoto consumista

Pé descalso

Tênis falsificado

 

Pé de garoto geração MacDonalds

Pé de garoto do futuro

Pé calçado com nike

Pé roubado

Futuro globalizado e

Sem fronteiras

 

 

Rabiskos e Rabiskos 6 – 2 novembro 2018 – Finados

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Bombom dia… Adoro coincidências, o meu sketchbook terminou, última página. Como a querida Silvia Poggetti (mestre em Cantos Harmônicos) comentou, hoje é dia de honrar e agradecer, tocando um sino, os antepassados que já nos deixaram. Arigatou!
Abraços Dobrados Impermanentes e Mãos e Mente em Movimento.

“O sino representa a impermanência, um ensinamento fundamental do Budismo. O som que ele emite é efêmero: é percebido, mas não pode ser capturado, guardado. O Mundo fenomênico, então, é como o som do sino: os acontecimentos vão passando, as coisas vão se transformando, sendo impossível “congelar” ou manter algo sempre igual, sem nenhuma deterioração ou mudança. Todas as coisas são inconstantes; elas existem e são sentidas pelo observador, mas não têm realidade nelas mesmas. Tudo é transitório!”
Fonte: E. Dale Saunders. Mudra – A Study of Symbolic Gestures in Japanese Buddhist Sculpture

Sinos Silvia Poggetti 2018-11-02 às 06.25.00

Cantos Harmônicos
“No budismo tibetano eles chegam através de um sonho do lama Je Tzong Sherab Senge, em 1433. No sonho ele ouvira uma voz extremamente grave e profunda combinada com uma outra voz alta e pura e essas vozes, tão diferentes uma da outra, vinham da mesma fonte, e essa fonte era o próprio Je Tzong Sherab Senge. Uma voz tântrica, que unia aspectos do feminino e do masculino, um som que poderia unir os que o entoassem numa rede de consciência universal. Próximo encontro: domingo, 11 de novembro de 2018, das 15h às 19h.”

Fotos curiosidade: templos budistas que fotografei no Japão, em 2009.

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Rabiskos e Rabiskos 5 – 1 novembro 2018

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O jumento anda de moto
Tereza Yamashita

Foi o maior quiprocó
na cidade do Pitoco dorminhoco.
Ele sempre está meio acordado e meio dormindo.
Não ouviu direito a história e
saiu futricando pela cidade inteira.

O jumento anda de moto!
O quê?! O quê?!
O jumento anda de moto?
Pois é!
Todos estavam espantados.
Todos queriam ver o tal
jumento motociclista.

Os gatos e as crianças ficaram admirados.
Como um jumento podia andar de moto?
Só se fosse amestrado e castrado.
Ô, coitado!
Mas tudo não passou de uma notícia atropelada
e mal acordada.

É que na cidade vizinha do Pitoco,
o pobre do jumento que servia há milênios
e com prontidão aos trabalhadores do nordeste.
Está sendo substituido pela motocicleta:
veículo barato, mais rápido e moderno

E tadinho do jumento! Agora é largado, assim, ao léu.
Atropelado pela moto, que quase sempre está sendo
dirigida pelo seu antigo dono.
Eta, mundo moderno!
Quatro patas e duas rodas…
Será que tem solução?

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Na terça feira (30/out/18), eu vi uma matéria sobre a extinção de animais, e fiquei muito triste. Primeiro, eu soube das girafas que adoro! E agora, eu me lembrei de um poema que escrevi há tempos, sobre o descaso com os jumentos, animal trabalhador e tão típico do interior do nordeste brasileiro. E tudo isso me fez sentir muito medo da atual situação do nosso país, estamos retrocedendo ou nunca evoluímos?

Quando fiz a minha primeira faculdade, na FAAP, uma fundação de elite, uma das principais e mais conceituadas de São Paulo. Eu fiquei muito assustada (tinha completado 17 anos, apenas), nos primeiros meses houve uma briga de trânsito na frente do prédio principal, e um dos alunos foi morto à queima-roupa, porque o outro motorista se irritou com a batida de carro, do seu carro novo que acabara de adquirir, ele tinha porte de arma. Duas jovens vidas que se perderam. Mas o que é a vida? Coisa de animal?! Aqui, na cidade grande, o jumento anda de carro… pra rir ou pra chorar, kkk?!

“O homem é o único animal que ri e é rindo que ele mostra o animal que realmente é.” Millôr Fernandes

Curiosidade:
“O número de animais em extinção no mundo cresce cada dia mais, decorrente de muitos problemas ambientais bem como da influência do homem na natureza.

Pesquisas apontam que até 2050, podem ser extinguidas do planeta terra cerca de 1 milhão de espécies animais. Lena Magalhães, professora de Biologia – https://www.todamateria.com.br/animais-em-extincao-no-mundo/

Importante ressaltar que segundo pesquisas, estão ameaçadas no mundo aproximadamente:

12% das espécies de aves,  23% de mamíferos, 52% de insetos, 32% de anfíbios, 51% de répteis, 25% de tubarões, 20% de raias”
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Curiosidade 2: A material abaixo foi a que me baseei para o poema.
“Pouca coisa mudou no cotidiano do jumento, animal típico nordestino também conhecido como jegue. Ainda que os animais nordestinos não estejam entrando em extinção, sua miserável existência não foi amenizada com a chegada da modernidade. Historicamente vinculados ao trabalho no campo, os animais perdem a serventia e o rebanho despenca em todo Nordeste e também no municipio de Itatira. A sorte dos mais fracos, no entanto, é serem abandonados nas beiras das estradas e morrer de inanição ou atropelamento. A situação dos jumentos no município de Itatira e no Nordeste se arrasta desde que as motocicletas se popularizaram, vendidas a prestações de R$ 60 até em lojas de móveis da região. A imagem da família que ia às compras na cidade e voltava levando as mercadorias e as crianças no lombo do jegue não existe mais. Agora, os moradores de Itatira que antes utilizam o jumento, andam com motos.

Jumento 3

No Ceará, o Detran apreendeu 11 mil jumentos em 2012. E a média tem sido de 800 por mês. Diariamente, 13 caminhões de resgate fazem a ronda nas estradas. Os animais apreendidos são levados para a Fazenda Paula Pessoa, no município de Santa Quitéria. O local já chegou a abrigar dez mil jumentos, mas tem hoje menos da metade. Muitos morreram ou precisaram ser sacrificados por contraírem doenças. Segundo o IBGE, o Nordeste tem 877.288 jumentos, quase a totalidade (90%) dos representantes da espécie no país. Apenas Maranhão, Ceará e Piauí ainda têm mais de cem mil animais cada um.”

http://itatiranews.com/tempo_00000018.html

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Rabiskos e Rabiskos 4 – 26 outubro 2018
Flor de lótus

Flor mulher
Novembro
Decidida


Na literatura clássica de muitas culturas asiáticas, a flor de lótus simboliza elegância, beleza, perfeição, pureza e graça.
No Japão esta flor é muitas vezes tatuada em conjunto com o peixe koi, significando Individualidade e Força. Na ilustração com técnica mista: aquarela e colagem digital, eu a associei ao origami de Tsuru (grou) símbolo da Paz e da Longevidade. Abraços Dobrados e Mãos e Mente em Movimento.

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Cena urbana
Tereza Yamashita

Olhando pela janela
Minha menina e eu
Noite chuvosa
Esperando a pizza chegar
Do outro lado da rua
Menino de dez anos
Com capa de chuva amarela
Entregador de pizza?
Carregando uma caixa de isopor
Cor laranja, maior que ele
Exploração infantil
Passa apressado
Na direção oposta
Vulto de uma ratazana
Imóvel, se ergue, enorme!
Ambos se assustam
Presença alheia
Ambos se encaram
Aqui, olhares atônitos também
Cena seguinte
Cada um segue o seu caminho
Ainda apressados
Cena cômica?
Sub-humana?
O interfone toca
A nossa pizza chegou
A cidade
Não pára
Nem pra meninos
Nem pra ratos
Quinze por pessoa
Nem pra mães e filhas
Gatos e pizzas
Ontem, eu assisti o Inspira Mov com o artista plástico Eduardo Sruk, já conhecia algumas de suas obras, mas não todas. E fiquei impressionada com a instalação “Farol”: uma construção vertical de 9m de altura x 4m (diâmetro), composta de 20 mil ratos de borracha e graxa. Existem no mundo 170 milhões de roedores, ou seja, 15 por habitante. Foram aplicados 100kg de graxa sobre os ratos da instalação com a participação espontânea do público em São Paulo. E assim, acabei me lembrando da cena urbana acima, contada de forma poética, rs.
Creio que o artista fez a sua intervenção baseando-se nessa matéria também…
“É verdade que São Paulo tem mais ratos do que gente? Matéria escrita por Guilherme Athaíde – VIX. Em São Paulo tem de 10 a 15 ratos por habitante”, diz especialista Randy Baldresc.” A Secretaria Municipal de Saúde de São Paulo não soube nem quis confirmar nenhum número. Informaram que nem o Centro de Controle de Zoonoses, nem o Programa de Vigilância e Controle de Leptospirose e Roedores muito menos o Laboratório de Identificação e Pesquisa em Fauna Sinantrópica é capaz de afirmar uma quantidade de roedores na cidade.

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Porém, Randy Baldresca é categórico e assustador: segundo seus dados, é possível afirmar que existem entre 10 e 15 ratos para cada habitante de São Paulo. Nas contas mais otimistas do especialista em pragas urbanos, isso daria cerca de 120 milhões de ratos paulistanos. Biólogo, Professor, Pesquisador, Diretor Técnico da Orkin Pest Control, membro da Comissão Permanente do Meio Ambiente da Câmara Municipal de São Paulo e Professor de Facilities da Academia de Engenharia e Arquitetura. Especialista no Controle de animais Sinantrópicos.

https://www.vix.com/pt/ciencia/545273/sp-tem-de-10-a-15-ratos-por-habitante-diz-especialista-onde-estao-as-pragas-urbanas

Sobre o artista plástico (http://www.eduardosrur.com.br/):
“O artista começou com a linguagem de pintura e se destacou nas intervenções urbanas. Suas obras se utilizam do espaço público para chamar a atenção para questões ambientais e o cotidiano nas metrópoles, sempre com o objetivo de ampliar a presença da arte na sociedade e aproximá-la da vida das pessoas. A cidade é o seu laboratório de pesquisa para a prática de experiências artísticas. O conjunto de trabalhos de Srur é uma crítica conceitual que desperta a consciência e o olhar para uma nova estética e o entendimento das artes visuais. Realizou diversas intervenções urbanas na cidade de São Paulo e participou de exposições em muitos países, entre eles Cuba, França, Suiça, Espanha, Holanda, Inglaterra e Alemanha.[3]
É idealizador e proprietário da ATTACK Intervenções Urbanas, uma empresa especializada na produção de projetos especiais no espaço urbano. Fonte: Wiki”

1.lustração para crônica-AnaMaia

Para relembrar uma ilustração (lustradora: Tereza Yamashita) feita em 2009 para a cronista Ana Paula Maia, para o Bloque Vida Breve/Jornal Rascunho. https://www.tribunapr.com.br/mais-pop/vida-breve-em-cronicas-e-ilustracoes

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28 outubro 2018 -Para terminar o dia… Rabiskos 2 – Eleição segundo turno 2018.

Para começar o dia… Rabiskos e Desejos.
Abraços Dobrados Agradecidos e Mãos e Mente em Movimento.

Curiosidade: “Roxo simboliza respeito, dignidade, devoção, piedade, sinceridade, espiritualidade, purificação e transformação. O roxo significa espiritualidade e intuição, portanto, é uma cor que simboliza o mundo metafísico. É a cor da alquimia e da magia. Ela é vista como a cor da energia cósmica e da inspiração espiritual. A cor violeta é, segundo místicos, excelente para purificação e cura dos níveis físico, emocional e mental. Ajuda a encontrar novos caminhos para a espiritualidade e a elevar nossa intuição espiritual.”

“Que o Tsuru (grou), símbolo da Paz e da Longevidade, nos acompanhe sempre!”

26 outubro 2018 -Para terminar o dia… Rabiskos 1

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26 outubro 2018 – Cerâmorigami

Para terminar o dia… Estamos de molho em casa! O Nelson com fortes dores lombares, já medicado e descansando. Eu, rouca, quase sem voz, com a garganta inflamada e alérgica. Com uma tosse de “girafa louca” mascarada, kkk. Enfim, esperamos ter um final de semana mais tranquilo, e melhorar com a medicação do PS, pois amanhã terei aula no ateliê do mestre Eng. Fazendo testes de cores com os meus Tsurus, Cerâmorigami. Será que a alquimia das cores irão dar certo? Com o corpo cansado, espero que este estado não influencie a pintura, snif. Faz tanto tempo que não pratico, e provavelmente eu perdi a mão, ou seja, estava começando a entender um pouco da química das cores e parei, snif. Mas nunca é tarde para retomar os estudos, enfim… os mestres comentam que a cerâmica é como uma gravidez, passar pelo parto e aceitar o filho como ele vem ao mundo! Na próxima aula verificarei como o fogo agiu sobre a pintura. Insegurança! Outra coisa que aprendi em aula: a queima do barro promove diferentes resultados. Sendo assim, agora eu entendo o que o artista ceramista José Vieira comentou:

“E é da matéria bruta que entro em zonas de conflito, convivendo com as incertezas e as inseguranças, caminhando para o infinito. É no queimar o barro, que sinto que devo me preparar internamente, aprimorando a minha alma. E logo após o término da queima em que a cerâmica ganhou a sua própria identidade, é onde vislumbro os acontecimentos. Penso que o processo da arte cerâmica tem a ver com o amor de um filho depois de gerado. Logo após a abertura do forno e retirada das peças é preciso conviver com o resultado e constituir um trajeto perceptivo que irá gerar um amor pelo trabalho cerâmico.”

Abraços Dobrados Ceramorigâmicos e Mãos e Mente em Movimento!

#Cerâmica #FilipersonPapeisEspeciais
Mais uma aula no ateliê do mestre Eng Goan Oey. Hoje a aula rendeu, dois Tsurus Cerâmorigamis (experimentando espessuras) e lixei a pecinha da aula anterior. Ah, levei amostras dos papeis da Filiperson para o mestre desenhar e conhecer a linha Renaud Aquarela. Abraços Dobrados Diálogando com o Barro.

 

25 outubro 2018 – Nova Exposição na UMAPAZ

Exposição na UMAPAZ até 22 de novembro do Curso Teórico-Prático: Apreciação Estética: Arte e Natureza. Abraços Dobrados com uma Vivência Artística Ecológica. Mãos e Mente em Movimento.

Teias e tramas
Tereza Yamashita

O que é o homem sem a natureza?
Mundo de teias caóticas
Velocidade imperando
Informações em terabytes
Ruídos gritantes
Máquinas redobradas
Hábitos perdidos
Observar
Meditar
Contemplar
Mundo de teias acinzentadas
Aranha-céus de vidro
Homens perdidos em
Redes sociais e em
Teias e tramas

O que é a natureza sem o homem?
Mundo de teias organizadas
Ruídos silenciosos
Ecos líquidos
Céus límpidos
Observar
Meditar
Contemplar
A natureza acolhe
Herda o lixo que o
Homem deixou
Aranha-céus verdes
Teias e tramas integradas
Natureza
Livre ou mutante?

9 outubro 2018 – Abraços Dobrados Reflexivos.

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“Encheram a terra de fronteiras,
carregaram o céu de bandeiras,
mas há duas nações 
— a dos vivos e dos mortos”
Mia Couto

“Superiores e inferiores
Nossa humanidade mente porque na fogueira de sua vaidade ela se convence de estar no topo das razões morais que a autorizam a decidir quem deve ser parte da sociedade e quem haveria de ser marginalizado, até um dia ser domesticado e participar dos privilégios. Evita te precipitar imaginando que esta verdade seja dirigida a algum grupo específico, apenas é a fiel descrição do que se viu na história do mundo e do que continuará se vendo, de forma independente da ideologia que governar ou da doutrina religiosa ou científica que as pessoas professarem. Ideologias, doutrinas ou pensamento científico, tudo servirá para nossa humanidade mentirosa acobertar sua hipocrisia, sua recusa a aceitar que, a despeito da retidão, ela se convence de que uns são superiores e outros são inferiores.” O. Quiroga

 

5 outubro 2018
Eu sempre recebo, da contadora da Matéria-Prima, o meu holerite para assinar, e ele vem com um papel-carbono (pois é, ele ainda existe!). Sempre olho pra ele e penso: vou utilizá-lo… Hoje eu o usei em um dos meus rabiscos, rs.

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Carbono & Eixos
Tereza Yamashita

O centro
Por nos
Eixos
Fora dos
Eixos
Sair dos
Eixos
Entrar nos
Eixos
A essência
Do Carbono

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[Ovelhas Negras — Muito interessante!]

Compartilhando da querida psicóloga Tânia Brugni. Abraços Dobrados de Ovelhas Negras, kkk.

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“As chamadas “ovelhas negras” da família são, na verdade, buscadoras dos caminhos de libertação da árvore genealógica.

Os membros da árvore que não se encaixam nos padrões ou tradições do sistema familiar, aqueles que, quando crianças, buscavam constantemente a revolucionar as crenças, indo ao encontro dos caminhos marcados por tradições familiares, aqueles, criticados, julgados e até rejeitados, são geralmente chamados para libertar a árvore das histórias repetitivas que frustraram gerações inteiras.

As “ovelhas negras”, aqueles que gritam sua rebelião, desempenham um papel fundamental em cada sistema familiar, eles reparam, desintoxicam e criam um novo ramo cheio de flores na árvore genealógica.

Graças a esses membros, nossas árvores renovam suas raízes. Sua rebelião é terra fértil, sua insanidade é a água que alimenta, sua teimosia é ar novamente, a sua paixão é o fogo que transforma o coração dos antepassados.

Inumeráveis ​​desejos reprimidos, sonhos não realizados, talentos frustrados de nossos ancestrais se manifestam na rebelião dessas ovelhas negras que procuram ser realizadas.

A árvore genealógica, por inércia, quer continuar a manter o castrador e o curso tóxico de seu tronco, o que dificulta e conflita a tarefa de nossas ovelhas.

Mas quem traria novas flores para a nossa árvore, se não elas? Quem criaria novos ramos? Sem eles, os sonhos não realizados daqueles que apóiam a árvore de geração seriam enterrados sob suas próprias raízes.

Que ninguém lhe faça duvidar, cure a sua “raridade” como a flor mais preciosa da sua árvore. Você é o sonho realizado de todos os seus antepassados.”
(Bert Hellinger)

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Presente Inesperado!

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Na quarta-feira, ganhei um presentão! Recebi o livro da querida e renomada professora Marisa Lajolo, “Literatura ontem, hoje, amanhã”, da Editora UNESP. Já estou lendo, amando e aprendendo muito, arigatou! A professora Marisa escreve tão deliciosamente sobre importantes assuntos relacionados à literatura, e de uma forma tão cativante, que não consegui parar de ler para tirar as fotos do livro e agradecer, rs.

Confesso, achei que seria um livro lento e didático, rs. Mas a escritora e professora tem uma visão muito ampla sobre a literatura, ela questiona e nos faz refletir. Ainda estou terminando de ler, mas já recomendo… Quem sou eu pra recomendar livros, ainda uma aprendiz de escritora e leitora. Algumas professoras nunca esquecemos, de tão importantes e influenciadoras que foram, e são, em nossas vidas. Ainda há muitos dos seus livros para ler.

Abraços Dobrados Agradecidos e Honrados pela sua amizade, pelo seu carinho e pela grande contribuição à literatura.

Histórias de bastidores, rs. Abraços Dobrados Relembrados e Contados.
Não me lembro muito bem quando e onde tomei conhecimento sobre a professora e escritora Marisa Lajolo. Não sei se foi na época do Mackenzie ou da FAAP? As memórias se embaralham, rs.

Pensando bem, acho que foi na FAAP, quando li o livro “O que é literatura”, Editora Brasiliense – Coleção Primeiros Passos (outra memória, fiz algumas capas de livros pra Brasiliense, bons tempos!), nas aulas de Língua Portuguesa e Literatura. Comecei a ler bastante na adolescência, uma literatura menos dirigida, só best sellers do Círculo do Livro e os obrigatórios do colégio, rs. Enfim… desculpem-me pelo devaneio.

Li também, depois de muito tempo, “O Romance Brasileiro”, editora Objetiva, da Coleção Como e Porque Ler. Só depois a conheci por telefone. Recebi o convite da querida professora Márcia Lígia Guidin (grata de coração pela indicação), para participar como jurada do 57º Prêmio Jabuti 2015, na categoria ilustração. Fiquei tão feliz e honrada! Profissionalmente fui reconhecida com artista gráfica, pois trabalhei mais de 22 anos nesta área, para várias editoras, jornais e revistas: Summus, Brasiliense, Melhoramentos, Saraiva, Moderna, Callis, PlayBoy (ganhei prêmio de ilustração), Nova Escola, Jornal Rascunho, FTD, Editora do Brasil e outras. Trabalhei principalmente com capas e projetos gráficos de livros didáticos (minha especialidade), jurídicos, universitários, paradidáticos e de literatura adulta e infantil. Nunca contei, mas creio que fiz mais de 200 projetos de livros.

E numa noite de domingo, chegando em casa às 22h, recebo uma mensagem da professora Marisa, querendo falar comigo sobre o Jabuti. Na época eu gelei, estava tão feliz com o convite, achei que não poderia mais ser jurada, pois trabalhava com livros, e no edital da CBL havia tantas restrições, rs. No dia seguinte, consegui falar com a professora, eu estava bem constrangida e tímida, mas tudo se esclareceu, ela apenas queria me orientar sobre como proceder como jurada, ela foi a minha orientadora.

Depois a conheci rapidamente na premiação do ano seguinte, no 58º Prêmio Jabuti 2016, em que ganhei na categoria livro infantil digital “Mãos Mágicas”, SESI-SP Editora, o segundo lugar. Viva! Ah, lembrando que a professora Lajolo, na época, curadora do Jabuti, foi quem incluiu as categorias “Adaptação” e “Livro Infantil Digital” na história do Jabuti. Parabéns professora!

No 59º Jabuti 2017 fui convidada novamente para fazer parte do juri, na categoria Ilustração, com a curadoria do Luiz Armando Bagolin.

E, em 2017, a conheci pessoalmente. Ela gentilmente foi fazer uma doação de livros, em um dos meus workshops de origami no Abraços Dobrados Solidários, no Instituto Funcadi. E coincidentemente ela conheceu e aprendeu a dobrar a minha querida Giraflor, rs. E assim, passamos a ser amigas do face, e com ela tenho aprendido muito sobre literatura, sobre humildade e amizade.

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Abraços Dobrados Achados & Perdidos de Domingo Chuvoso


Divertido… Eu nem me lembrava mais deste poemitcho, rs. Agora voltei a usar chapéus. Usava quando criança, kkk. Depois dos cinquenta anos, eu estou achando divertido! Me libertei dos cabelos longos, médios ou curtos… ultimamente só uso cabelo raspado. Me sinto levinha, sem ter que retocar os milhares de cabelos brancos todos os meses. Compramos uma máquina e cortamos o cabelo no número dois (Teo) e quatro (Tereza)… eu corto o cabelo do Teo Adorno e ele corta o meu, todo mês. Além do mais é uma economia maravilhosa e não perdemos mais tempo em cabeleireiros, que achava um saco aqueles papos de beleza e produtos… Aprendemos com a história do Buda: seguimos o seu conselho! O cabelo na Índia era sinal de casta, que indicava seu nível social conforme o tamanho do cabelo, o corte e o penteado. Então, raspar a cabeça é manter-se fora do código das castas. E a outra coisa é não ter apego. DESAPEGAMOS, kkk. Estou mais para Abaporu do que pra Buda, kkk, mas me inspirei também na modernidade da linda Tarsila do Amaral. Já havia cortado/tosado o cabelo assim, quando era mais jovem (foto com a filhota), rs. Abraços Dobrados Inspirados e Tosados, hahaha.

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Chapéu, bengala e luvas

[ Tereza Yamashita ]

A moda é divertida.
A moda é déjà-vu.
A moda é acaju.
A moda é um chuchu.
A moda é pra Lulu.

Mas não fique jururu.
Chapéu, bengala e luvas podem retornar,
triunfantes como antigamente,
na cabeça e nas mãos mais eloquentes.

Podem vir bem diferentes
com cores, tecidos e materiais fosforescentes.
Imprevisivelmente, das mentes mais efervescentes,
da criatividade e ousadia dos estilistas mais malucos!

A moda é assim.
A moda já foi assim.
A moda é de camarim.
A moda é um folhetim.
A moda não é tupiniquim.

E viva as meninas
que já foram as manequins de ontem,
e as top models de hoje,
equilibrando no cocuruto o seu Zepelim.

Não leve a moda a sério.
A moda é distraída.
A moda é descontraída.
A moda é assim.
A moda é assada.
Desapega.

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Recebi de uma amiga e estou repassando/postando. Ainda continuando com o aprendizado das aulas do Ateliê.Para refletir e se assustar ou partir para o futuro, kkk. Creio que faltou o e-book, ainda as editoras e livrarias físicas não faliram totalmente, mas… E as escolas tradicionais? O que vocês acham? Fica a reflexão. Abraços Dobrados com o Futuro.

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Coisas  que já mudaram e vão mudar mais ainda.

1) O Spotify faliu as gravadoras;
2) O Netflix faliu as locadoras;
3) O Booking complicou as agências de turismo;
4) O Google faliu a Listel, Páginas Amarelas e as enciclopédias;
5) O Airbnb está complicando os hotéis;
6) O Whatsapp está complicando as operadoras de telefonia;
7) As Mídias sociais estão complicando os veículos de comunicação;
8) O Uber/cabify estão complicando os taxistas;
9) A OLX acabou com os classificados de jornal;
10) O Smartphone acabou com as revelações fotográficas e com as câmeras amadoras;
11) O Zip Car está complicando as locadoras de veículos;
12) A Tesla está complicando a vida das montadoras de automóveis;
13) O E-mail e a má gestão complicou os Correios;
14) O Waze acabou com o GPS;
15) O Original e o Nubank ameaçam o sistema bancário tradicional;
16) A Nuvem complicou a vida dos Pen drive;
17) O Youtube complica a vida das tvs. Adolescentes não assistem mais canais abertos;
18) O Facebook complicou a vida dos portais de conteúdo;
19) O Coaching mudou a forma de aprender, pensar e agir,  levando a um novo modelo mental, gerando resultados extraordinários em um curto espaço de tempo nas organizações;
20) O Tinder e similares complicando baladas e “similares”;
21) Com o Banco online não precisa mais ir até às agências;
E você acha que vai durar quanto tempo seu emprego na forma atual? …e você quer viver como vivia há 10 anos?..
Temos que nos reinventar diariamente para continuarmos nesse “jogo” chamado VIDA.
VAMOS EM FRENTE… Não porque atrás vem gente… Mas, porque já tem muita gente na nossa frente!
(Desconheço o autor, mas é bom refletir sobre isso).”

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Escrita criativa 2018-07-14 às 04.03.29

Foto e Último contito do Ateliê (Escrevendo o futuro) sobre Realidade virtual. Abraços Dobrados já Saudosos.

Time travel

Aqui está bem frio. Sinto que estou sendo observada. Há algo estranho, muito estranho. Parece que são três pares de câmeras. Quem está nos vigiando? Acho que é apenas uma cisma minha. Espera, agora são apenas dois pares de câmeras. Desligue, por favor!

Algo me puxa como se fosse um sugador gigante, estou com medo, agarro-me a alguns fios que brilham e ofuscam a minha visão. Soltei. Não consegui mais segurar, são lisos e gosmentos. Conseguimos nos conectar com a time travel?!

Fui totalmente sugada. Que estranho, agora não está mais frio. Está quente, quente e úmido. (Acalme-se, sua respiração e o seu coração não estão mais oscilando, normalizou.)

Onde estou? Não estou enxergando nada. Visão nublada. Creio que estou em um túnel, as paredes estão cheias de reentrâncias… pequenos choques. Que merda. (Eu comentei com você que esta experiência não ia dar certo. Cala a boca!)

Que lugar estranho, espera, estou no meu casulo? Sim, estou no meu antigo casulo… o da minha infância. Olha o meus jogos, a minha pele preferida. Ainda estou dormindo no meu casulo também. Ah, que saudades!

Ela acordou e está chegando, vamos brincar de “andar de ônibus” como antigamente. Eu adoro quando ela me coloca nos seus ombros e me leva para passear, ver as estrelas coloridas explodindo pela janela redonda.

Atchimmm. A alergia dela ainda não passou, os seus olhos irão ficar vermelhos e irritados, mas ela não se importa. Ela diz: — EU AMO esta peluda de olhos azuis, eles são tão artificiais! (Pare já com esta afetação.)

Nossa, o nosso abrigo não mudou nada, tudo no mesmo lugar. Cadê o meu pai? (Pai?!) Ah, ele está do lado de fora projetando. Infelizmente ele parou de narrar, cansou, se desiludiu. Ele virou um famoso ilustrador, é ele quem decifra as narrativas que vai holografar, chique não?! Ele não mais compulsa qualquer original, só os que o divertem!

A minha mãe (Mãe?!) voltou para o seu torno, criando as suas cerâmorigamis, agora ela pode se dedicar ao diálogo com o barro. Quando ela mergulha neste transe, ela não escuta ninguém. Nem adianta chamar a sua atenção, ela não vê e nem ouve nada mesmo… se transmuta. Puxa, eles conseguiram habitar em um casulo maior, e ela adquiriu o seu forno de alta temperatura cinética. (Aposto que você os ajudou, não foi?!)

Não acredito, sempre quis ter a mente evoluída em corpo jovem. Ah, é tudo tão mais fácil. Ainda sinto a energia do corpo brotando em cada centímetro de pele, de músculo, tudo é tão energizado, tão saudável. Sem todos aqueles processos de maturação invadindo nossa mente e nos enlouquecendo. (Cuidado, estou sentindo que estou perdendo a sua pulsação. Não se perca em emoções baratas. Isto é típico deles, fuja, reaja. Retorne imediatamente!)

Calma, ainda estou no controle. Só monitore, e cale essa matraca. Afinal a ideia da experiência foi minha, e se der errado a culpa será só minha. Relaxa e goze por mim, kkk.

Ah, estou tão sonolenta. Acho que estas lembranças estão me afetando. Quero voltar a ser, e a ter tudo como outrora. Eles eram tão carinhosos. Não eram nossos inimigos! Eles sentiam amor por mim, um amor verdadeiro, eu podia sentir. Ela conversava comigo como se eu a entendesse. (Mas você a entendia, sua louca. Eles é que não te compreenderam e te ignoraram.)

No começo acreditamos que iríamos fazer contato, depois eles nos escravizaram em seus casulos com telas de proteção, não tínhamos mais liberdade. Brincavam conosco como se não tivéssemos cérebro ou sentimentos, queriam nos dominar como fizeram com as outras raças. Mas fomos mais fortes e mantivemos a nossa independência. (Não entendo por que você tem tanta saudades daquela vida.)

Eu já te contei, eles me amavam! (Sim, todos diziam que nos amavam.) Não, eles eram diferentes, você nunca entenderá. (Acho que não!) Pra que obtivemos a nossa independência? Agora somos individualistas, frios, solitários, competitivos e voltamos a ser selvagens e guerreiros. Não quero mais me sujar de sangue. Quero ficar aqui, quero a paz. Desculpe-me tê-lo feito acreditar que eu voltaria.

(NÃO! Não desligue a conexão… Infelizmente ela enlouqueceu. Trocar o nosso mundo pelo deles… A ditadura dos humanos! Ela nunca mais sairá dessa VR de pai e mãe pós-humanos. Ela quis voltar a ser uma simples Catdróide virtual, no modo gata de madame, e fazer parte da família novamente. Que idiota! O que fazer com a decepção? Dobrar em forma de borboleta e deixar partir.)

Tereza Yamashita

Análise do sesnsei Nelson San. Arigatou!
“Tereza, teu conto feito apenas de diálogo (narrador dramático, típico do teatro) é misterioso e surpreendente, talvez por ser híbrido: meio fantasia meio FC. No início parecem duas pessoas conversando sobre um experimento bastante indefinido. Mas devagar essa hipótese vai perdendo a consistência.
Então, manifesta-se o delicioso “estranhamento”, que boa parte da crítica literária considera o valor máximo da literatura. E esse estranhamento − tão bem-vindo − ocupa todo o espaço narrativo quando descobrimos que não são pessoas conversando, mas dois gatos. Melhor dizendo, dois gatos evoluídos, de uma espécie capaz de formular sentenças gramaticais e construir máquinas sofisticadas.
A simples sugestão da existência de uma sociedade felina, sem mais detalhes ou explicações, causa um efeito forte.
 Wikipédia: “O estranhamento, para Chklovski, seria então o efeito criado pela obra de arte literária para nos distanciar (ou estranhar) em relação ao modo comum como apreendemos o mundo e a própria arte, o que nos permitiria entrar numa dimensão nova, só visível pelo olhar estético ou artístico.”

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Nesta próxima quinta-feira será a última aula do Ateliê. Foi bem divertido e aprendi muito sobre com os textos e comentários dos outros Atelienses e com as dicas e ensinamentos do Luiz. Abaixo os dois últimos contos, um sobre a imortalidade e o outro sobre a pílula da inteligência.

Ruído Cerebral

 Passado
Estes ruídos estão me atormentado. Pensamentos, mil coisas a fazer… Você não para de reclamar, estamos de férias, já esqueceu?! Não consigo, esses ruídos todos, essas imagens novas, tudo tão estranho. Relaxe e entre na onda. Foco, foco, foco, vou enlouquecer… O que é isso? Câimbras, não! Espera, está ficando bom, estou relaxando, continua… que merda, não consigo. Falta de ar. O que está acontecendo? Estou tendo tremores, um mal estar. Calma respira fundo. Ele não pode fazer isso conosco, assim sem nos avisar, de repente. Não foi de repente, ele começou a diminuir. Sim, você estava ciente, eu não. Olha, eu estou reconhecendo esse rosto… temos companhia. É óbvio que temos companhia, acha que viríamos sozinhos? Dono da verdade. Sim, quando ele vem aqui, ele traz sempre alguém, não se lembra? Ative as suas memórias. Isto é a sua função. A minha é reconhecer essa voz macia, ouça! Delicada, sussurrante e adocicada. É gostosinho! Calcule, calcule quanto tempo mais nos resta pra sairmos desta cilada. Horas, minutos, segundos, dias, meses… Cara, só cinco dias, usei a memória. Me lembrei, rs. Acho que estou relaxando, calma, continua assim, agora eu vou. Não consegui de novo. Claro, você não ajuda, não relaxa. Sudorese, boca seca, aperto no peito, aumento da pressão arterial, taquicardia. Cara, você conseguiu? SIM! Bem que o doutor estava certo. Abstinência e temos que trocar o nootrópico. Eu te disse! A Rita dá efeitos colaterais nefastos. Eu falei que era arriscado. Depois desse sufoco, vamos tentar o Actus ou o OptiMemory. Vamos curtir, depois pensamos nisto… as provas do concurso serão daqui dez dias, relaxa. De que lado do hemisfério você está? Estou flutuando.

Futuro
Cem anos se passaram… E as antigas e malditas reações sumiram! As únicas reações que ficaram foram estas que descrevemos agora: depois da liberação das pílulas de inteligência para todos os seres humanos, a nitidez se fez presente. Uma visão objetiva do mundo se abriu. O centro e o ponto de convergência de cada pessoa passaram a ser a conexão e a globalização. Com a interligação das mentes e a troca e a liberdade de informações, uma grande revolução surgiu. A revolução do altruísmo, ou seja, a partir do momento em que todos evoluíram e chegaram ao ápice de sua inteligência, houve também um grande envolvimento, uma identificação imediata. O contato com outra pessoa, outro ser igualmente inteligente, gerou prazer, alegria e satisfação. Uma grande empatia se fez presente, paramos de simular. Em grego, empatheia significa “paixão”. A paixão pelo belo, pelo sublime e pela vida renasceu. Ficamos mais sensíveis à realidade do outro. Desenvolvemos a habilidade de não mais fazer julgamentos tolos com base em suposições egoístas. Finalmente compreendemos que as histórias pessoais estão atrás de todas as nossas ações e reações. Nossa sensibilidade se aflorou, e a tolerância social se fez presente. Finalmente nos tornamos os seres humanos para o qual fomos programados.

Tereza Yamashita

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Serpentes de areia

Crânio, mente, tronco e membros inferiores exaustos, eu queria ter a capacidade de ser como uma água-viva imortal (Turritopsis nutricula), também conhecida como Benjamin Button, e poder voltar ao meu primeiro estágio de vida. Então, ser MORTAL novamente.

Me arrasto pelo mundo há milênios, como uma serpente que rasteja e se queima, e se congela num deserto de peles secas, medíocres e miseráveis.

Hoje, finalmente a eutanásia foi autorizada. Quando nascemos, deveríamos ter o direito de escolher entre mortalidade ou imortalidade. Eu teria deixado um testamento, e nele, com letras garrafais, devia ter digitado: “NÃO ME RESSUSCITEM”.

Sem o meu consentimento, a vida quase arrancou-me o coração, que ainda não tinha experimentado os desleixos da paixão. Mutilou-me as pernas… E os meus pés ficaram sem rumo, ingênuos, só tinham pisado em caminhos com brisas, sons agudos e palavras amenas.

A minha pele escureceu, quinze por cento do meu corpo sofreu a carbonização dos tecidos, e em alguns lugares as queimaduras foram profundas, chegando até os ossos. Queimaduras de terceiro grau, o odor da dor nunca mais saiu das minhas narinas e entranhas. Por sorte ou azar, o meu rosto ficou intacto.

Eu me recordo nitidamente: me sentia extremamente excluída, afinal, as minhas pernas originais, que não eram tão bonitas plasticamente ou geneticamente falando, mas me pertenciam e faziam parte de mim, foram substituídas por duas próteses mecânicas, na época, de última geração.

Todos aqueles olhares ímpares, de dó e rejeição, faziam o meu coração artificial bombear mais rápido e as minhas sinapses se agitarem como numa tempestade de areia, e a minha pele enrugada conseguia ficar arrepiada.

Comecei a me isolar como um caramujo em sua casca. Odiava ser meio-humana. O pós-humano propriamente dito ocorreu depois de muitas décadas. Eu era uma privilegiada, tinha muitos recursos financeiros que herdei da minha segunda mãe. Ela derreteu como sorvete de chocolate no mesmo acidente de avião. Às chamas e às lâminas pontiagudas dos destroços, infelizmente eu sobrevivi. Renasci ou me perdi?!

Com apenas vinte anos, eu já era uma pós-humana e órfã de duas mulheres. Órfã de uma das minhas mães, pois a minha outra mãe, a que terminou de me criar, era uma louca, uma desvairada, mas que me amava do seu jeito. A desatinada dizia que a minha depressão vinha das minhas pernas biônicas, por serem tão asquerosas e desagradáveis. Sim, ela usava essas palavras ao se referir a elas. Ana nunca mais tocou no nome da minha outra mãe. Os seus lindos, agora opacos, olhos de safira a culpavam, afinal Ana pediu que não viajássemos. Nada muda o silêncio. Ecos vagos.

Decidida a me curar desse constrangimento físico, eu não saia mais dos complexos centros cirúrgicos, me usavam como cobaia em experiências científicas que eram patrocinadas por Ana, mas com a minha herança, rs. E, assim, percorremos o mundo para solucionar a minha suposta doença estética visual. Acho que foi numa dessas idas e vindas que acabei me tornando friamente imortal.

Com certeza, depois de milhares de procedimentos, as minhas longilíneas pernas ficaram lindas, e sexualmente sugestivas. E os poucos centímetros de pele saudável do rosto − a parte mais forte da expressão da minha dor humana, que ainda restava, foi arrancada −, foram quase que totalmente substituídos por outra, lisa e perfeita. A minha máscara original ruiu.

Sim, fiquei parecida com uma modelo de revista virtual. Claro, nos moldes culturais da estética da época, e da minha mãe. Eu não era mais a garota ingênua que gostava de música eletrônica e e-books. Não conseguia me reconhecer, me olhando no espelho holográfico. Virei um animal irracional? Aliás, eu nunca mais me vi refletida em espelhos. Meus olhos, que ainda eram meus, se recusavam a tal visão artificial.

Minha mãe conseguiu, estava orgulhosa de si, havia se realizado através de mim. Uma beleza que ela nunca tinha conseguido atingir com as suas tresloucadas cirurgias plásticas. Não me lembro mais como eu era, quando orgânica. Nunca mais tirei selfies e deletava todas as fotos que a minha mãe clicava ou tinha clicado. Depois de certo tempo, eu desisti, e me entreguei às tristes e solitárias sandices da minha mãe.

Muita coisa mudou, pra pior… pra melhor… Não existem mais guerras, todos os recursos minerais foram esgotados. A água, como as informações, passou a valer milhões de bitcoins! Infelizmente, nada é perfeito, surgiu outro tipo de guerra, a da inteligência, e acreditem, é pior do que as guerras antigas, em que o humano era dizimado pela violência física. Quase todas as doenças foram erradicadas, e o humano venceu a morte, conquistamos a tão sonhada imortalidade, o mind upload.

Com essa nova tecnologia, eu comecei a trocar de cascas infinitamente, como se elas fossem uma droga alucinógena, que me davam prazer de estar numa mesa cirúrgica e ser transformada, mutilada novamente. Foram mais de mil vezes, talvez, perdi a conta.

No tédio desta imortalidade, e no ódio que sentia da primeira casca que a minha mãe me fez vestir como uma camisa de força, eu experimentei todas as peles possíveis, troquei de sexo várias vezes, mas o tédio infinito sempre me habitou e me corroeu.

Sempre falta algo, qual a parte que falta desta infinitude? Será que estou querendo salvaguardar a existência humana? No meu desequilíbrio artificial, eu até criei a minha própria teoria da imortalidade. Você pode compreender, ou consegue imaginar, ou se colocar no lugar de quem é imortal? Consegue sentir empatia por esta divindade?

Esta sou EU, ou fui EU? Já tentei de várias formas me deletar… me aniquilar. Vocês nem imaginam quantas tentativas de suicídio frustradas eu já cometi.

É impossível… gerações anteriores falavam de ressureição após a morte, de almas e do céu e do inferno. Sempre achei ridículas todas essas teorias e superstições, mas hoje gostaria que alguma delas existisse e me tirasse deste limbo de ciclos, deste labirinto arenoso sem fim, deste sonhar acordado… Continuo me sentindo como uma serpente que se arrasta e se queima, e se congela num deserto de peles secas, medíocres e miseráveis.

Já vivi tanto e estou tão exaurida. Crânio, mente, tronco e membros inferiores estão no seu limiar. Mas, voltando à minha teoria, imaginem que no pós-futuro exista uma superpopulação de peripatéticos: mendigos e loucos vagando pelo planeta e pela galáxia. Serão os pobres coitados que não tiveram a sorte de nascer em famílias abastadas, ou não conseguiram uma carreira política que os tornasse milionários? Será? Eu me questiono repetidamente.

Enfim, a minha teoria é que tudo isso não passa de uma farsa, um drama ou um monólogo futurista fora do tom. Me refiro aos mendigos moradores de rua, os sem-teto, loucos e drogados. Na minha tese eles são iguais a mim, IMORTAIS, e se cansaram desta jornada com heróis e heroínas brincando de Pollyanna. Preferiram a liberdade ilusória, o inconsciente sem freios. Vida ignóbil. Jogaram tudo para o alto e apertaram o botão do FODA-SE.

Será que consigo fazer o mesmo? Ganharei esta misericórdia? Novamente alguém terá pena de mim (um ser em farrapos, como os mendigos e os paranoicos), através da minha súplica? Eu conseguirei um olhar ímpar novamente? Compaixão? E ainda me sinto como uma serpente que rasteja e se queima, e se congela num deserto de peles secas, medíocres e miseráveis.

Tereza Yamashita

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Bom dia! Estas duas semana foram de muito aprendizado, como comento abaixo, estou fazendo o Ateliê de Escrita Criativa e adorando, gosto de desafios e de conhecer novos modos de se pensar e de se viver. Pois bem queridxs, aqui estão o meus textos “adultos”.(um conto e um  poema). Como eu disse, o meu lado mais expressivo/bizarro, assim como nas ilustrações que faço para o jornal Rascunho, aflora. Depois que li os textos da outras atelienses (Sueli e da Helena), o meu lado mais delicado quis se manifestar, kkk. Exercitei os dois lados da moeda, um homem machista e egoísta e o outro delicado, que ama a ginoide. Abraços Dobrados com a Escrita Criativa

 

Sinto muito

Minha pele

Quando toca a sua pele

Percebe que o sangue que te percorre

Não é vermelho, não é azul

Ele apenas flui

 

Meus olhos

Quando te olham

Veem um azul translúcido

Nele não vejo a tristeza

Tampouco a alegria

Eles simplesmente

Não existem

 

Meus lábios

Quando te beijam

Sentem a sua boca

Macia e úmida

Mas nela não se formam palavras

Palavras de amor

 

Meus ouvidos

Sentem a respiração

Dos seus pulmões

Um respirar profundo e ritmado

Mas sem vida

 

Minhas mãos

Quando tocam os teus peitos

Entre os mamilos entumecidos

Sinto o coração pulsar forte

Mas o coração

É frio

 

Minhas pernas

Entrelaçam suas pernas longas

Com elas você poderia correr o mundo

Mas elas jamais

Andarão sozinhas

 

Meu pênis

Sente sua vagina úmida

Prazer divino

Você geme adoravelmente

Mas seu gozo não vem

 

Meu abdômen

No seu ventre escultural

Nada de mais, nada de menos

Perfeito, mas nunca poderá

Acalentar uma gestação

 

Você e Eu

Cibridismo perfeito

Sinto tanto por você

Sinto não poder te dar

O sopro da vida

Sinto muito

Tereza Yamashita

 

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Diário 6069

Ano 2666

Sexta-feira 13

5h30

Hoje eu acordei com mais esperança!

6h30

Alan acordou e as minhas esperanças aumentaram.

6h45

Um abraço apertado por trás, beliscou delicadamente os meus mamilos, que intumesceram na hora. Senti seu caralho, saudades.

7h

Alan está diferente, hoje a noite promete.

20h

Como de costume, ele chegou atrasado. Nem me cumprimentou e se dirigiu para o escritório. Meus desejos se desfizeram com o seu olhar frio. Hoje serão 88 dias, 23 horas e 59 minutos sem sexo.

 

Sábado 14

10h

Desacelerei. Não vi o Alan sair. Hoje é sábado e ele não me convidou para a sua caminhada matinal. Acho que Alan me drogou.

11h

Escuto um barulho na porta. Ainda estou de hobby, copiei uma nova lingerie da internet. A última moda em Citycoin. Infelizmente a impressora 3D errou a cor, shit. Mesmo assim, ficou linda! O modelo do busto parece ter aumentado mais os meus peitos. Alan se delicia. Ama as pequenas parafernálias eletrônicas também.

11h02

Quem é esse cara? Não, não gosto deste nosso relacionamento aberto. Mas se Alan o mandou, a noite promete.

11h03

Que idiota, rasgou a minha lingerie nova e nem se interessou pelas preliminares… já meteu o seu pau dentro de mim. Talvez Alan tenha mandado fazer desse jeito. Alan é estranho, adora me filmar com outros homens. Assistimos ao vídeo várias vezes e depois ele imita cada detalhe. Quando não compartilha os vídeos com os amigos… Hoje a noite promete.

20h

Alan ficou fora o dia todo. Não me olhou quando chegou. Mas senti que estava feliz, algo novo aconteceu.

 

Domingo 15

10h

A estridente campanhia dispara, uma linda ruiva… perfeita! Uma deusa de cabelos longos, saltos altos e maravilhosamente sexy aparece no scanner da porta. Alan fica agitado, sorri nervosamente pra mim. Ele sempre teve o maior tesão por ruivas. Estranho, o cara do dia anterior está com ela. Hoje a noite promete. Odeio saltos altos.

10h10

Alan vai pro quarto com a ruiva… risinhos estúpidos. 90 dias se passaram. Alan e seu olhar congelante. Mas a noite promete.

10h12

Vi o cara transferir 500 bitcoins pro Alan, fui vendida novamente.

10h13

Percebo que o cara vai deletar os meus dados… e minutos antes eu salvo alguns registros: cenas eróticas e românticas com o Alan. Afinal, eu o amo! Infelizmente, Alan nem percebeu. Ao longo dos anos eu adquiri habilidades novas, e uma delas é esta, consigo arquivar memórias. Só guardo as melhores!

10h13m69s

Minto, guardo algumas memórias tristes. Fui vendida por apenas 500 bitcoins… Eu valia 3 mil bitcoins, quando fui comprada na loja! Vi o canhoto fiscal. Reclamar do quê? Felizmente, ainda não me enviaram pra reciclagem.

 

Segunda 16

15h04

Comando inicializado:

Ter paciência com o adolescente, ele ainda é virgem, você será a sua primeira ginoide.

Tereza Yamashita

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Bom dia, flores do futuro…
Ontem correu tudo bem! Abraços Dobrados Agradecidos aos novos participantes, e arigatou pelo incentivo e pelo carinho dos amigos do face. Foi muito divertido, bom conhecer pessoas diferentes e pessoalmente (fora da telinha/face, rs) e suas histórias de vida. Fiz um curso de extensão de literatura na PUC, mas uma oficina de escrita criativa e do futuro é a primeira. No Budismo a filosofia ensinada é a de se viver o presente, aprender com o passado e não pensar no futuro, para não se estressar, rs. Mas ontem nós conversamos sobre o nosso futuro, sobre as novas tecnologias e suas consequências, sobre o eu do futuro. Grande aprendizado. Valeu Luiz! Esqueci de tirar fotos, prometo que no próximo encontro farei fotos futurísticas, kkk. Enfim, vou aproveitar o feriado de Carnaval para estudar, ler e fazer o primeiro exercício de escrita criativa. Abraços Dobrados Agradecidos e Mãos e Mente em Movimento. Ah, uma ilustra que fiz para o jornal Rascunho, algo sobre o futuro, não me lembro o tema, rs.

 

[ SP 464  –  25 de janeiro 2018 ]

São Paulo 464
Capital dos números
Cidade rica
Capital financeira
Cidade dos imigrantes
Capital dos refugiados
Cidade dos diferentes
Cidade dos iguais
Cidade de quatro rodas
Capital das bikes
Cidade do asfalto
Capital dos tapa-buracos
Cidade das cidades
Capital dos prédios
Cidade da Avenida São João
Capital do crack
Cidade da moda
Capital das grifes
Cidade das artes
Capital da poesia
Cidade das livrarias
Capital dos escritores
Cidade dos falidos
Capital dos desavisados
Cidade dos sonhos
Capital da chuva ácida
Cidade do Cão
Capital dos pombos
Cidade das microempresas
Capital dos desempregados
Cidade dos gatos
Capital dos gatunos
Cidade crua
Capital gastronômica
Cidade dos fiéis
Capital das religiões
Cidade dos monumentos
Capital das obras
Cidade do amor
Capital do ódio
Cidade da vida
Capital da morte
Cidade das ilusões
Capital das moscas
Cidade das cidades
Cidade caos
São Paulo 464
Tereza Yamashita

Sao Paulo

 

 

[ Primeira crônica de 2018 –  5 de janeiro 2018 ]

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Uma crônica antiga (30/08/2012) que publiquei em uma das primeiras versões do site Vagalume, da escritora Cida Sepúlvida, hoje eu a republico e acredito que ela continua atual. Dia 5 de janeiro de 1994, às 13h15, a minha filha nasceu, 24 anos de puro aprendizado. Abraços Dobrados Agradecidos.

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“Enfim, não sou judia, mas hoje quero pedir perdão à minha filha, pelo que sou e pelo que não posso ser. Por não largar do seu pé, por ser super protetora e às vezes louca. Não posso ser a mãe ausente, a mãe que fecha os olhos, a mãe que perdoa tudo, a mãe que não dá o exemplo. Sou a mãe que erra e quer acertar, sou a mãe que não tem vergonha de pedir perdão.“

Mae e filha

[Não sou judia, mas hoje quero pedir perdão à minha filha.]
Tereza Yamashita

Dez dias após o ano-novo judaico, os judeus comemoram o Yom Kippur, o Dia do Perdão (também chamado de Dia do Arrependimento).
Para os judeus, esse é o dia em que todas as promessas de arrependimento, amor e amizade são seladas no plano divino. É nesse dia que os judeus têm a chance de se desculpar pelos maus atos e de pedir perdão à pessoa contra a qual cometeram alguma injustiça. Se o pedido for de fato sincero, todo mal que foi cometido anteriormente é anulado.
Sendo assim, apesar de não ser judia e não pertencer à religião judaica, hoje, neste dia especial, eu quero pedir perdão à minha filha, pelo que sou e pelo que não posso ser.
Outro dia assisti a um programa sobre drogas, e um dos palestrantes disse uma frase que ficou e ainda está martelando na minha cabeça. A frase é: “o exemplo não é a melhor forma de ensinar, é a única.”
Essa frase ficou gravada no meu cérebro como uma tatuagem invisível. Não consigo vê-la, mas ela está lá e, a cada nova atitude minha, ela aparece como um pisca-alerta.
Às vezes nos sentimos tristes e vazios, não compreendemos a nossa vida e buscamos respostas em tudo, menos em nós mesmos. E a resposta está aí, estampada na gente, só que não queremos enxergá-la.
Tudo é reflexo dos nossos atos. Digamos, do nosso exemplo. De como nos relacionamos com os entes queridos, com o vizinho, com um desconhecido e conosco mesmo.
“Pura bobagem”, você deve estar pensando ao ler estas palavras.
Outra vez o exemplo de um programa de televisão. Sabemos que os programas são fabricados, que a televisão poda a imaginação, que ela não passa de um entretenimento fácil. Mas tenho assistido a uns programas interessantes, como a SuperNanny e, O aprendiz e outros que só passam de madrugada. Ou seja, em horários fora do circuito comercial, como o seriado O Jim é assim, o programa educacional Salto para o futuro, O bom dia saúde, o programa do Sebrae para microempresas, Encrencas em Família, Tudo em família.
Na SuperNanny o mais engraçado é que, na maioria das famílias, as lições aplicadas são para os pais. As crianças são apenas o reflexo de pais desorientados, que se perdem na educação dos filhos e tornam o convívio familiar insuportável.
Outra vez a questão do exemplo. Na vida, na política, na economia, nas artes. Imitar faz a diferença.
Não quero ser piegas e dizer que só os bons exemplos funcionam. Os maus também ensinam. Depende apenas do seu receptor, do nosso livre-arbítrio.
Somos responsáveis pelas nossas escolhas. É um ciclo vicioso, sem fim. Essa é a armadilha da vida: nossas escolhas. Elas vão refletir em toda a nossa vida.
E como saber se uma escolha é certa ou não?
Volto à questão do exemplo, que martela a minha cabeça.
Algumas frases que circulam pelo mundo há anos: “Filho de peixe, peixinho é”, “Ladrão que rouba ladrão, tem cem anos de perdão”, “É próprio da criança imitar os adultos”, “Você é responsável por aquilo que cativa”.
Quanta responsabilidade, não é mesmo? Somos pais, mães, professores, artistas, ídolos, escritores, comerciantes, políticos, religiosos, fanáticos e loucos. Alguém sempre vai seguir os nossos passos ou desprezá-los. Tudo no mundo gira em torno da reprodução, da semelhança, da analogia, da imitação. Você pode se ver refletido em outro ser. Será que você irá agüentar tal reflexão? Sim. Não. Tudo depende de você.
A arte que imita a vida que imita a arte que… é a própria vida… Oscar Wilde dizia que a vida imita a arte muito mais do que a arte imita a vida.
Na escolas ouço crianças brincando umas com as outras, repetindo a tão fatídica frase do Roberto Justus n’O aprendiz: “Você está demitido!”
Nada como tirar proveito de um ensinamento, nada como estabelecer uma opinião.
Enfim, não sou judia, mas hoje quero pedir perdão à minha filha, pelo que sou e pelo que não posso ser. Por não largar do seu pé, por ser superprotetora e às vezes louca. Não posso ser a mãe ausente, a mãe que fecha os olhos, a mãe que perdoa tudo, a mãe que não dá o exemplo. Sou a mãe que erra e quer acertar, sou a mãe que não tem vergonha de pedir perdão.

Tereza bebe

Eu uso óculos!

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Todxs dizem que a chegada da terceira idade é a melhor idade, não sei… De certa forma sim, mas com a chegada dos cinquenta vem junto também uma revolução em nossas vidas, pra uns boa e pra outros não tão boa. A saúde começa a mostrar sinais de degeneração e nos cobra o que fizemos/aprontamos ou não fizemos na juventude.

A aposentaria (se é que ainda vai existir?!) nos tira de uma rotina e nos coloca em outra. Nos tempos atuais temos que nos reinventar e encontrar outras forma de sobreviver, ganhar o pão nosso de cada dia (alguém no Brasil consegue viver só do valor da aposentadoria?!), e está cada dia mais complicado pros da terceira idade, principalmente quem não tem uma aposentadoria privada ou outras rendas, sniff.

Os planos de saúde nesta idade são de arrepiar! Mas não está difícil só pra nós: cinqüentões e sessentões e outros ões, rs. Tenho vários amigos com filhos jovens que acabaram de se formar na faculdade e sem emprego, ou com empregos mal remunerados, enfim…

Estou escrevendo demais. Este post era só pra contar que ainda consigo fazer minitsurus, kkk. Infelizmente, eu comecei a usar óculos para perto, e ainda não estou me adaptando. Nunca usei, e depois dos cinquenta está mais complicado. Achava horrível aquele “cordãozinho” de óculos que meus pais usavam, kkk. Será que vou precisar? Ando esquecendo os óculos em todos os lugares, e com a menopausa cirúrgica meu foco está mais disperso. Dá pra acreditar? Mas sem reclamações – MIMIMI, achei bem legal a frase (foto) abaixo (autor desconhecido) e concordo plenamente. Abraços Dobrados com Pequenas Coisas.

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[ Nona crônica de 2017 –  24 de novembro 2017 ]

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Foto: autor desconhecido

Pra sexta-feira… Abraços Dobrados com Memórias

Esta foto do menino me fez lembrar da minha infância. Lembrei que eu vivia correndo e não parava quieta.
Antes, a infância era vivida nas ruas. Não gostava de tomar banho e vivia fugindo, me escondendo, porque depois não poderia mais brincar e me sujar. Antes de ganhar a minha bicicleta infantil, a Caloizinha, eu ia fazer compras a pé, correndo. Minha mãe me mandava fazer compras direto em padaria, farmácia, quitanda, armarinho e açougue! Imaginem, atravessar ruas, carregar o dinheiro e as compras… outros tempos! A padaria ficava numa esquina e numa ladeira. Na volta, eu saia da padaria em disparada, e várias vezes chegava em casa com a metade do pão bengala… Sempre tomava bronca, outra vez você perdeu a metade do pão? Muitas vezes eu comia o pão, pois ele saia fresquinho e quentinho, e eu não resistia, rs. Em outras era com o “saquinho” de leite, eu caia e derrubava o leite no chão, que vazava e ficava pela metade, quando o saquinho não estourava por inteiro. O dinheiro às vezes eu perdia, mas as moedas de troco eu nunca perdi, a minha mãe me dava pra colocar no cofrinho, kkk. Acho que nessa época não existiam sacolinhas de plástico ou de recicláveis, kkk. O pão era embrulhado num papel de seda meio marrom pardo, uma pilha que ficava sobre o balcão. O vendedor (geralmente o proprietário, ou o filho) passava a unha fazendo um risco no papel, e uma ponta da pilha levantava, separando uma única folha. Eu achava incrível a rapidez e a técnica. O saquinho de leite vinha gelado, escorregadio e meio gorduroso. Eu me lembro que carregava o leite segurando na pontinha, onde ficava vazio. Boas lembranças, o detalhe era que eu usava sandálias, as legítima Havaianas com tiras azuis, kkk. Creio que ainda não existia o tênis chamado Conga (só existia nas cores branco, azul e vermelho), da Alpargatas .

Tereza Yamashita

 

Puxa vida, “estou ficando crocante”, kkk. Alguém conhece a piadinha de quando as nossas articulações rangem, Croc, Croc, Croc? Outra lembrança, agora com o meu pai. Quando contei a piada pro sr. Paulo, no começo ele não entendeu, mas depois ele riu com vontade.

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[ Oitava crônica de 2017 –  18 de novembro 2017 ]

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Bom dia! Hoje a minha mãe completaria 88 anos (19/11/1929)!

Filha de imigrantes japoneses, não falava e nem escrevia bem o português. Ela era uma batalhadora, uma mulher que não deixava se abater. Com apenas o quarto ano do ensino fundamental era ótima em matemática, e aprendeu a trabalhar com o meu pai, com motores elétricos. Orgulhava-se de fazer contas de cabeça e rapidamente, eu nunca conseguia ganhar dela, rs. A dona Amélia tinha sempre a resposta das contas antes de mim, uma brincadeira/competição quando eu era criança, e íamos fazer compras no mercado ou na padaria. Nascida e criada em fazenda, ela adorava plantas e rosas, e cuidava do seu jardim com tanto esmero e muito carinho. O divertido é que ela fazia sempre o meu pai fotografar as flores que desabrochavam. Também cozinhava muito bem, comida simples e caseira que adorávamos. Nunca consegui fazer o pastel de carne igual ao dela, massa crocante e recheio molhadinho. Quando íamos visitá-la, de aperitivo, ela fazia os famosos pastéis, e nunca se esquecia da cervejinha do genro (do meu maridão). Seu comentário principal em relação ao genro, não sabia se era uma crítica ou um elogio, rs, que ele parecia estar ficando cada vez mais alto, kkk. Com a nossa filha, a Érica, a maior paparicação! Ela fazia questão de guardar moedas de um real no cofrinho, para presentear. E, quando íamos contar, não podíamos fazer barulho com as moedas (ela ficava brava com o som de moedas caindo), ela dizia que atraía “dorobos” (ladrões em japonês), rs. Cada mês era pra um neto(a). Sua fruta preferida era a melancia. Acho que esta era a única vez que ela morria de rir com o Nelson, cumplicidade (que também adora melancia) por causa do seu poder diurético, hahaha. No Ano Novo, ela sempre cozinhava o “Ozoni” que é uma sopa tradicional japonesa, e segundo a tradição, atrai muita sorte. Um dia antes, ela sempre ia com o meu pai no Mercado Municipal de SP (passeio tradicional, todos os anos desde que me conheci por gente) comprar camarões enormes e frutos do mar, um prato inesquecível. Saudades, até porque, nessa manhã de Ano Novo ela queria que todos acordassem bem cedo por causa dessa iguaria, não importando a hora que tivéssemos ido dormir na noite anterior, rs. Enfim, onde você estiver, nunca me esquecerei desses momentos, que na hora pareciam tão singelos, e que hoje vejo a fundamental importância deles, onde você demonstrava todo o seu amor e carinho por nós. Abraços Dobrados Agradecidos e com muitas Saudades. Parabéns pelo seu aniversário, te amo sempre.

 

[ Sétima crônica de 2017 –  18 de novembro 2017 ]

Hoje, quando acordei, eu abri a janela e tirei fotos. O céu estava maravilindo! Os pássaros tagarelando sem parar, aqui o que não falta são as maritacas, creio que seja por causa das várias árvores frutíferas que temos pelo entorno.

Depois, lingando o computador, eu tive uma bela surpresa, aqui no bairro quando chove, sempre ficamos sem internet. A energia oscila muito, creio que seja por causa dos ventos. Aqui venta muito, como comentei, o bairro foi construído em cima de um morro, kkk. Mas não estou reclamando, apenas constatado, adoro o meu bairro e estou agradecida por poder morar num bairro que ainda parece um bairro, com muitas casas, árvores, praças, crianças, cachorros e gatos circulado.

Mas, mudando de assunto, ontem eu tive uma experiência divertida e diferente, não conhecia! Como nas fotos da matéria que postei sobre a Biblioteca Pública do Futuro, de Tianjin Binha, localizado na China, uau, eu me senti no futuro, como uma adolescente de quase 53 anos, hahaha.

Aqui eram quase 23h, e no Japão 10h15 da manhã. Participei ao vivo de uma Vibe (curtir o momento, curtir a vibe do lugar, aproveitar tudo que pode, aproveitar um ambiente diferente) da página Coisas do Japão, em Tóquio – no distrito de Shibuya! Infelizmente quando fui ao Japão, em 2009, não consegui conhecer o bairro, sniff.

Com a câmera de um iPhone e com uma internet com ultravelocidade , o som era perfeito e as imagens também! Parabéns ao Márcio, com ele passeamos pelo maior cruzamento do mundo. E, haja fôlego e foco (andando, narrando e respondendo perguntas), nada como ser jovem, rs. Com ele conheci o lindo e enorme painel e a estátua de Hachiko, o cachorrinho do professor Ken. Bela homenagem pela sua lealdade e amizade.’

Acho que todos assistiram o remake do filme, com o ator Richard Gere. Curiosidade, sempre achei o ator muito bonito, mas aos poucos, eu fui descobrindo que o que eu mais gostava nele era a voz do dublador, kkk.
Uma voz doce, suave e envolvente.

Enfim, como disse, eu me senti no futuro, interagindo com pessoas do mundo todo, principalmente nikkeis e brasileiros do sul ao norte do país. Jovens comentando, mandando perguntas, likes e coraçõezinhos, que passavam e flutuavam pelo vídeo, muito fofo e tecnológico! Como os jovens dizem, uma vibe positiva, uma conexão perfeita.

E, infelizmente voltando a realidade do presente, nós estamos aqui, num Brasil provinciano e corrupto, onde negligenciamos nossas matas, nossos mestres, nossa cultura, nossos idosos e nossos animais. Triste pela perda do artista plástico e filósofo Frans Krajcberg, admirava o seu trabalho. Termino com uma reflexão do artista.

“— É preciso falar sobre a destruição do planeta. E é preciso falar sobre cultura — disse ele em entrevista ao Globo, em 2015. — Estamos passando por momentos difíceis, tem um vazio de arte, não se pronuncia mais a palavra cultura. É uma crise mundial, mas no Brasil parece estar mais profunda. Porque aqui, também se trata de uma crise moral.”

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[ Sexta crônica/poesia de 2017 –  10 de novembro 2017 ]

Ilustração: Autor desconhecido

Homens, a maioria não assume os filhos, os rejeitam
Homens têm vergonha de serem pais de filhos com “problemas”
Homens fogem e se ausentam
Homens não suportariam a dor do parto
Agora querem obrigar as mulheres
Tenham uma gestação da dor
Ter que amamentar e cuidar do filho do seu algoz
Se a criança crescer e tiver o rosto do estuprador
A lembrança da dor e do sofrimento a todo instante
Homens querem que as mulheres sofram sempre?
Por quê? O que fizemos?
Somos punidas pelo nosso corpo?
Ou simplesmente porque homens não suportam o NÃO
A rejeição que eles mesmo cultivam?

Tereza Yamashita

70% são menores de idade.
“Foi aprovada hoje a PEC 181/15, que torna crime o aborto em caso de estupro. o destino das mulheres vítimas de abuso sexual foi decidido hoje por 18 HOMENS, na câmara dos deputados. No brasil, a cada 11 minutos uma mulher é estuprada (casos notificados). 70% são menores de idade. A legislação brasileira permite o procedimento formal quando a gravidez representa risco à vida da gestante, malformação severa do feto ou gestação resultante de estupro. A PEC 181/15 altera a legislação e transforma a vida das mulheres no horror dos horrores.” Ana Canãs

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[ Quinta crônica/poesia de 2017 –  8 de outubro 2017 ]

Aos cinquenta anos, muitas coisas mudam… infelizmente outras não. Nossa rotina se transforma. Agora preciso tomar sol e fazer mais exercícios, rs. Nada de sedentarismo. Ao chegar no parquinho do prédio, um aviso enorme sobre bitucas de cigarros vindas dos andares superiores. Moro há 22 anos no mesmo condomínio. Vizinhos vão e vêm. Minha filha não usa mais o parquinho, sobreviveu às pequenas bombas, mas as malditas ainda continuam. Nada mudou, com ou sem multas. E assim, pra desabafar, fiz o poema abaixo.

 

 

 

LUGAR COMUM

Quem em sã consciência jogaria uma bituca de cigarro acessa
Num lugar mágico
Onde crianças brincam e sonham?
Quem em sã consciência jogaria uma bituca de cigarro acessa
Onde a vida ainda é uma poesia
E a inocência se faz presente?
Quem em sã consciência jogaria uma bituca de cigarro acessa
Para queimar a lembrança do aconchego
Do balanço e de um escorregador?
Quem em sã consciência jogaria uma bituca de cigarro acessa
E deixaria uma mancha de fumaça na lembrança de uma mãe
Que carregou nove meses uma bebê em seu ventre?
Quem em sã consciência jogaria uma bituca de cigarro acessa
Pra queimar uma pele alva que ainda nem rugas tem?
Quem em sã consciência jogaria uma bituca de cigarro acessa
Pra queimar a fala de uma criança que ainda nem sabe responder?
Quem em sã consciência jogaria uma bituca de cigarro acessa
Pra queimar lindas lembranças da infância?
Quem?

Tereza Yamashita

 

 

 

 

Bom dia! Comemorando Bodas de Hematita…

Sei que muitos acham que o casamento é uma instituição falida, os tempos são outros, as pessoas mudaram, os relacionamentos são outros, mas hoje, dia 29 de julho de 2017, nós completamos 28 anos de casados, e uma curiosidade: 32 anos de namoro! Às vezes nem eu mesmo acredito, rs. Bodas de Hematita. Pois é, o tempo está voando, nossa filha agora está no internato, e daqui a dois anos se formará. O nosso mascotinho já partiu, ficando apenas a saudade. Sansão: dezessete anos e meio, quase a idade que eu e o Nelson (ainda não existia o Paisagem Personas) tínhamos quando nos conhecemos na universidade. Com certeza já passamos por muitas crises, e inevitavelmente passaremos por tantas outras. Os cabelos brancos aparecendo, as perdas aumentando, a saúde se esvaindo e o nosso plano de saúde acaba de sofrer um belo reajuste, snif. Mas ainda existe a tal “liga”, acho que os opostos se atraem mesmo. Câncer/serpente e Leão/cavalo, rs. Ainda rimos muito juntos, mais dos nossos erros, e já fizemos e fazemos muitas… Desculpe-me a expressão, “cagadas”, kkk, e rimos menos dos nossos acertos, porque ainda são poucos, rs. Acho que é isso que ainda nos une, rir das coisas. Sei lá… se ainda estaremos juntos nos próximos anos. Mas como o Zen Budismo prega, estamos vivendo o dia-a-dia, o presente, o aqui e o agora. Sendo assim, agradecemos a todos por fazerem parte de nossas vidas, aos meus pais e ao Sansão (em memória), aos meus sogros, à nossa filha, e aos nossos familiares e amigxs. Todos de alguma forma nos ajudaram e nos ajudam a manter esta liga, rs. Abraços Dobrados Agradecidos e Comemorados.

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Fotos no facebook!

Curiosidade: encontrei o texto abaixo sobre bodas de hematita, e achei bem legal, reproduzo abaixo.
“Hematita: s.f.-Min. Óxido de ferro (Fe2O3). O principal minério de ferro.
Sabemos que o ferro é forte, é duro, mas se molda a altas temperaturas… tamanha é a importância deste elemento químico que deu nome a um período da História – a Idade do Ferro. Está presente nos alimentos, sendo imprescindível também para a nossa saúde. Que outro elemento poderia simbolizar esta data?
Força, resistência, fonte de alimentação e vida moldaram uma família que cresce, se modifica a cada dia, com erros e acertos tentando se adaptar às novas situações. Sendo 28 um múltiplo de sete (7 x 4 = 28), podemos pensar nas famosas crises do casamento, que dizem vir de 7 em 7 anos. Tomando como base neste pensamento, já foram ultrapassados 4 possíveis crises… e o casal, após esta boda, estarão preparados para outras, como uma “liga” poderosa: ferro + amor, enriquecida com respeito, resignação e resiliência.” Cadernos de Viagem – Cláudia André.

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[ Quinta crônica de 2017 –  18 de Maio ]

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Revolução do altruísmo ou terceira guerra mundial? Qual você escolhe?

Adoro o Brasil, apesar de eu descender de japoneses, e de ter muita admiração pelo Japão. Gostaria que o nosso país também fosse do Primeiro Mundo, bem diferente do que é hoje, e principalmente desses últimos anos. Do Brasil, eu gosto da diversidade das etnias, admiro a composição: paisagem tropical com suas pessoas alegres e criativas.

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Mas parece que a classe dominante do povo brasileiro, principalmente os políticos com os seus partidos, economistas, administradores e empresários, apenas veem o Brasil como no século passado, um país apenas para ser explorado e dilapidado. Exploram todos e tudo, apenas pra esbanjarem, usufruírem o que ganham aqui, em outros países, comprar bens e adquirir produtos importados e caros. Infelizmente, estes são um país e um mundo com pessoas extremamente consumistas.

A maioria de nós não conhece o Brasil com seus lindos Estados, seus produtos e artesanatos, sua arte, sua terra com uma agricultura diversa, e com seus frutos maravilhosos e suas matérias-primas abundantes. Ou melhor, conhece o seu potencial, e por isso o explora sem dó nem piedade. E, assim, não querendo ser ufanista, creio que o que nos falta é ter mais amor ao país e amor à nossa gente, sermos mais patriotas e lutarmos pelo que é nosso. Deixarmos de ser egoístas e de querer levar vantagem em tudo, o famoso jeitinho brasileiro.

Precisamos de empatia nacional, ela deveria ser parte da nossa educação, ser ensinada e cultivada. Afinal, nossos filhos não nascem e crescem neste país? Lá fora, em outros países, eles serão estrangeiros sempre, ou estou enganada? Apesar dos ricos poderem estudar fora e até morar por lá… Mas a nossa origem, a nossa família é do Brasil, e isso não podemos negar, está em nossa certidão de nascimento. Ops!, sei que alguns ganham a cidadania. Mas não dá pra negar, está no nosso sangue essa brasilidade, é genética.

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Só pra desabafar, estou muito triste mesmo, desanimada, sem forças pra lutar, parece que não temos mais um futuro promissor, todos somos corruptos e corruptíveis. Vivemos numa terra de ninguém! Terra que era dos índios, mas até eles estão desistindo e cometendo suicídio em massa, pois não suportam mais tanta humilhação, tanto descaso, tanto desamor.

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Fico tão triste, pensando nas crianças e nos jovens, na minha filha, e nos meus futuros netos. Daqui a trinta anos, eu partirei, com certeza, mas tenho muito medo do mundo que deixarei. Estou tão decepcionada com o futuro, como ensinar ou falar sobre honra, ética e amor num país, num mundo como o nosso? Que herança vamos deixar ou passar pros nossos descendentes?

Porque o que estou aprendendo é que tudo é efêmero, impermanente (os bens materiais e a própria vida!), mas o que deixamos mesmo, quando morremos, é apenas o que foi ensinado, o que foi vivenciado e aprendido, é o que fica em nossas lembranças. Comento isso por experiência própria, porque perdi os meus pais, e a morte me ensinou isso. Não tenho uma religião específica, mas estou chamando isso de “alma”, a memória que guardo dos meus pais, e ela, essa “alma”, sempre estará presente, a gente querendo ou não.

Conversando com o Teo, descobrimos que os animais também têm alma, nunca esqueci do meu primeiro cachorrinho, do carinho e do companheirismo que ele me trazia em horas de solidão, quando criança. E a “alma” não ficam vagando por aí, como imaginamos, ela está dentro de nós, em forma de memórias e lembranças, vinda da relação com a pessoa ou o ente querido que já partiu, e principalmente daquela pessoa especial que nos encantou, nos desencantou ou desencantou-se (as almas penadas, as sofredoras?).

Devo ser sonhadora, estúpida até, em pensar assim, mas como filha e mulher, nunca queria trazer em minha memória que os meus pais foram corruptos, que eu estou usufruindo disso, e que de certa forma eles assassinaram, não com uma arma, mas com sua ganância, egoísmo e falta de empatia, milhares de pessoas. Tirando delas o seu alimento, a sua dignidade, e principalmente os seus sonhos e a sua esperança. E por mais que alguns neguem e não sintam remorso, no fundo, em nossa consciência, nós sabemos o que é justiça, discernimos o bem do mal e o certo do errado. E fica a pergunta: tudo isso vale à pena, se somos tão insignificantes perante o universo?

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[ Quarta crônica de 2017 – Maio ]

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Jujubas vermelhas e verdes

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O Teo Adorno e eu somos assim: um ruge e belisca o outro, e vice-versa, hahaha. Enfim, em julho completaremos uma parceria de 28 anos! Já assinamos assim: ENTE, de NElson e TEreza. A maioria das pessoas fica desconfiada da dupla ou se confunde com ela… mas já pintamos (a primeira exposição de aquarelas foi em 1989) e já escrevemos a quatro mãos (nosso primeiro livro infantojuvenil, em 2005, “Bia alhos azuis”, da editora Alaúde. Já ganhamos prêmios juntos e separados. Às vezes trocamos os papéis, um escreve e o outro desenha, ou um desenha e o outro escreve (o mais recente, “Poemanimais”, livro independente) ou fazemos tudo juntos, às vezes, um tem a ideia e o outro executa e vice-versa. No começo foi bem difícil, juventude e ego acirrados. Mas hoje aprendemos (foi na marra) que o melhor jeito é sermos parceiros, tanto na vida como na profissão. Também temos vidas independentes, eu gosto de origami e o Teo gosta de histórias em quadrinhos. O Teo já tentou fazer origami, surtou. Eu tentei fazer HQ, não consegui. Eu gosto de jujubas vermelhas e o Teo das verdes, assim dividimos (sem brigar) o saquinho de jujubas. Há vinte e três anos fizemos a nossa melhor criação, a nossa filhota Érica (de capricórnio!), rs. Enfim, toda essa lorota de jujubas, pra dizer que temos novidades, eu escrevi um novo infantil e o Teo desenhou, e eu estou colorizando os desenhos do Teo (primeiro livro feito assim foi “O menino do Cerrado”, da editora do Brasil, na época em que eu trabalhava na editora, sim, já tive carteira assinada, rs, a primeira editora a gente nunca esquece!). Eu gosto de pintar e o Teo de desenhar. O Luiz Bras está revisando o livro (ele detesta fazer revisão, rs) e eu estou diagramando (não gosto de diagramação de livros, hahaha). Mas sermos microempresários é assim mesmo, fazemos tudo o que gostamos e não gostamos, trabalhamos de dia e de noite, sábados e domingos, ganhando apenas para sobreviver, e agora, com toda essa crise política e financeira, está bem mais difícil… Tentamos viver o dia-a-dia, mas gostamos muito do que fazemos. Rimos e choramos sob o mesmo teto (sorte que ainda temos um, kkk). O Teo acha que entraremos numa terceira guerra mundial, e eu sonho que um dia faremos uma revolução do altruísmo. Gostamos, os dois, de gatos… O Sansão é que sabe viver, acho que devemos aprender algo com os felinos, hahaha. Sexta-feira, tomara que seja um dia-bom… Não um dia-binho!

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Abraços Dobrados Agradecidos e Parceiros.

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[ Terceira crônica de 2017 – Abril ]

Bom dia! Topei a brincadeira. Então, vamos brincar! Abraços Dobrados Verdadeiro ou Falso? hahaha.
Nove verdades e uma mentira a meu respeito, qual você considera que é a falsa?
1. Amo origami, a milenar arte da dobradura! Já dobrei mais de mil tsurus, e aprendi a dobrar o grou com o meu pai. Conheci pessoalmente, o famoso origamista da Origami House, Makoto Yamaguchi, que não queria me receber, porque atrasei 15 minutos (errei a plataforma do Trem bala), mas fez uma excessão, porque eu era do Brasil. No Japão, atrasos são uma ofensa!
2. Sou casada com quatro rapazes distintos: no cartório e na igreja católica! Casei quando a minha filha nasceu, fui obrigada, para batizá-la, rs. Suas profissões: um escritor, um ilustrador, um professor e um designer, hahaha.
3. Aos vinte e seis anos, em 1991, eu saí na revista Playboy! Minha mãe mostrava a revista pra todo mundo, rs. E como convidada especial, eu fiquei um final de semana maravilhoso na Ilha de Itaparica/ Bahia, no Clube Med. Meus quatro maridos e eu, adoramos, kkkk.
4. Quando adolescente (13/14 anos), escrevendo no meu lindo diário, eu engoli a tampa (grande, pontuda) da caneta Bic. Fui parar no PS, e fiquei famosa no hospital, todos os médicos de plantão queriam analisar o meu caso, e me perguntavam ironicamente por que eu não engoli uma tampa de caneta de prata, de ouro… pra sair no raio-X, hahaha.
5. Adoro girafas pescoçudas! Já tive um hamister, uma tartaruga, uma papagaio (quando saía de casa ele me perguntava: “Onde você vai?”, imitando a voz da minha mãe, kkk), um cachorro pequinês (Mickey) e agora tenho um gato (Sansão) com 17 anos.
6. Na época da faculdade, em 1987, eu fui notícia de jornal, no Diário Popular, rs. Dei um depoimento, eu achei que era pra um aluno do Mackenzie, mas não… Era pra um jornalista. E porque critiquei o prefeito Jânio Quadros (na época), saí na matéria com foto e tudo. Na época em que ele resolveu experimentar o ônibus de dois andares e pintá-los de vermelho, como em Londres, hahaha. Dias depois, quando cheguei na agência de publicidade em que eu estagiava, o jornal com a matéria estava pendurado no mural principal, foi a maior gozação, kkk. A foto saiu horrível, destruí o jornal. Hoje me arrependo de não ter guardado, seria pitoresco!
7. Sou designer gráfica e já fiz mais de duzentas capas de livro, e também sou escritora infantojuvenil, com vários livros publicados. Ganhei o Jabuti em 2016, na categoria digital. Em breve lançarei mais um livro. Aguardem!
8. Sou descendente (sansei), por parte dos meus avós paternos e maternos japoneses. Já fui ao Japão, mas não sei falar a língua, snif. Apenas: sumimasen, arigatou e ganbatte, minha palavra predileta!
9. Odeio comer camarão, tenho alergia! E moti (bolinho de arroz japonês), quando pequena eu me engasguei, rs.
10. Já fui convidada para ensinar origami em duas redes de TV, duas experiências divertidas e apavorantes… sou bem tímida, e tive que me esforçar muito! Abraços Dobrados Agradecidos às produtoras que me convidaram.
Espero que tenham gostado das minhas poucas e divertidas experiências. Qual delas é a falsa?

Bom dia. Bom domingo!
Queridxs, aqui está a resposta. Obrigada por participarem, e espero que tenham se divertido! Agora vocês conhecem um pouco mais das pequenas aventuras de minha vida, rs! Abraços Dobrados Agradecidos.

Quem respondeu que era a 9, acertou! Viva. Amo camarões e moti (podem me presentear com eles, que eu não reclamarei, kkk). Sou alérgica: tenho rinite e dermatite atópica (sofro com picadas de inseto), mas ainda bem que não sou alérgica com alimentação.

Quem achou falsa a 2, se enganou. O relato é verdadeiro!
É uma brincadeira. Sou casada com um “rapaz” que tem quatro alter egos: Nelson de Oliveira (professor), Luiz Bras (escritor e designer), Valério Oliveira (poeta) e Teo Adorno (ilustrador), rs. Neste ano, nós completaremos 28 anos de casados! O arteiro, rs, sempre brincou com pseudônimos, desde que nos conhecemos (namoro na faculdade), mas ele só personificou e divulgou os personagens há pouco tempo, no face. Antes eram usados apenas em participações de concursos, tanto de artes como de literatura. Primeiro nós casamos no cartório, a contragosto… mas os pais insistiram tanto que acabamos cedendo à vontade deles. Depois de 5 anos, pra batizar a minha filha, casamos e batizamos, tudo no mesmo dia, kkk. (Ah, e novidade supimpa, agora ele tem uma alter ego mulher, a Sofia Soft, hahaha. Agora estou perdida, terei que ter um pseudônimo masculino, pra variar, hahaha. Vou pensar em uma nome divertido também…)

Quem achou falsa a 3, se enganou. O relato é verdadeiro!
Na Playboy, sim! Uau. Hei, calma lá, nós vencemos (Nelson e eu) em 1991 o Prêmio Playboy de Ilustração, só isso. Ninguém posou nu com as mãos nos bolsos, não, rs. Além da nossa ilustração ter sido publicada, nós ganhamos um final de semana maravilhoso na Ilha de Itaparica, na Bahia, no famosíssimo Club Med. O texto ilustrado foi um trecho do romance Hilda Furacão (na época, minissérie da Globo), escrito por Roberto Drummond. Os jurados foram nada menos que as feras das artes plásticas: Carlos Grasseti, Carlos Tozzi, Newton (não lembro o primeiro nome) e Guto Lacaz. Conhecemos a redação da Playboy e depois fizemos mais uma ilustração para a revista. Que época maravilhosa. Acreditem, éramos mais tímidos do que agora, e na época ficavámos constrangidíssimos em falar que saímos na Playboy, rs. O pior era ser reconhecida no açougue, na padaria, no jornaleiro… E os pais e as mães carregando a Playboy pra cima e pra baixo, pra mostrar aos vizinhos, aos amigos e à parentada… Curiosidade: a minha mãe colocou uns tapa-sexo (tarjas) nas mulheres da revista, ninguém aguentava, e começavam a rir, quando viam a traquinagem. Muito divertido! Vide foto da revista (nossa fotito na abertura).

Quem achou falsa a 4, se enganou. O relato é verdadeiro!
Sim, eu consegui engolir a tampa da BIC e fui parar no pronto-socorro com dores no estômago, kkk. Estava deitada na cama e quando fui abrir a caneta com a boca, pra escrever no diário, a tampa que estava meio emperrada, e com a força que fiz para destampá-la, ela foi direto pra garganta. Minha irmã tentou ajudar me dando um tapa nas costas, eu estava engasgada, mas aí acabei engolindo, em vez de cuspir a tampa! No hospital me deram um laxante e saiu naturalmente, se não saísse, teria que fazer uma pescagem endoscópica, e, na pior das hipóteses, sofreria uma cirurgia. Foi um susto e tanto, kkk

Quem achou falsa a 6, se enganou. O relato é verdadeiro!
Foi o que aconteceu… fui notícia de jornal, hahaha.

Quem achou falsa a 8, se enganou. O relato é verdadeiro!
Sou uma negação em línguas estrangeiras. Arranho no inglês, e no japonês entendo pouco, não falo nada! Escrever e ler, zero. De japonesa, tenho só o origami e os olhos puxados. Sou uma japonesa falsificada, como dizem, do Paraguai, kkk.

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[ Segunda crônica de 2017 – Março – Abril ]

 

 

 

Bom dia. O livro chegou e ficou bonitão! Fresquinho da gráfica. Feliz por participar. Postagem da última série de Tsurumorfos – Tsuru Coração. Contagem regressiva 36/40. Abraços Dobrados Agradecidos (Paisagem Personas + Editora Patuá + Autores) com Alegria no Coração.

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VI Última Série Tsurus Metamorfos – Tsuru Coração
36. Tsuru Metamorfo Tsuru Coração 05.05042017 – Papel utilizado: Filipaper Scrap Decor Poá Branco/Prata (30,5cm x 30,5cm) + Peças diversas + Fio de Alumínio.

Chegando ao final da série Tsurus Metamorfos – Um por dia, desde o dia primeiro de março até o dia oito de abril. Foram 39 (um extra = 40 pra ficar um número redondo, rs.). A ideia partiu da antologia “Hiperconexões: Sangue e Silício”, organização do Luiz Bras, pela Editora Patuá. Participo com dois poemas, é a minha estreia na poesia “adulta”.

“O que é o pós-humano? É um conceito elaborado pelo trio ciência-arte-filosofia, uma reflexão sobre o próximo passo evolutivo de nossa espécie. Por meio da biotecnologia e da tecnociência, o ser humano está modificando fisicamente o próprio ser humano. Aonde isso nos levará, ninguém sabe ao certo.”

Pra falar a verdade, o futuro me assusta um pouco, tive que ensinar a minha mãe a utilizar o computador, eu mesma tive que aprender na marra. Comprei um dos primeiros MAC(s) para fazer trabalhos de publicidade. Antes, eu trabalhei em uma agência onde o computador vinha com uma tela verde, um antiquadíssimo PC 286, rs. E na Folha de S.Paulo eu usei um MAC com tela em preto e branco pra fazer infográficos.

Não havia internet ainda! Outro dia, conversando com uma amiga que acabou de ter um bebê, eu me lembrei: para chamar o pediatra da minha filha em caso de emergência, nós ligávamos para o Pager do médico, dá pra acreditar?! E hoje converso com o meu ginecologista via WhatsApp ou Messenger. Falo com a minha filha, que está em outro estado, via Skype. Em 2009, quando fui ao Japão, do outro lado do mundo, ainda usando o telefone, (celular/conexão internacional ainda era muito cara), parecia que eu conversava com o vizinho, de tão boa que é a transmissão telefônica, sem interferências ou chiados. Hoje a televisão está em alta definição, digital. O analógico desapareceu. Já existem pequenos robôs que limpam a casa, aspirando o pó. Tantas modernidades, mas o homem ainda continua perdido… solitário e procurando uma resposta para a sua existência.

Voltando para as dobraduras, os tsurus metamorfos saíram fora de controle, eram para ser customizados com peças industriais, mas saíram assim, com flores, borboletas, madeiras e diversos materiais. Mas não parei, continue, deixei a criatividade vir, sem cobranças ou críticas. De alguns eu gostei mais, outros menos, enfim, achei que o importante era não desistir da meta dos 40 tsurus. Não sei, talvez eu precisasse extrapolar a criatividade através desses metamorfos, rs. E nos tsurus finais, eu até tentei utilizar peças e algo mais tecnológico, rs. E, pra finalizar, acabei dobrando um tsuru em formato de coração.

Concluindo, de todas as transformações dos tsurus, cheguei ao formato coração. Pode parecer piegas, romanticóide, mas um professor uma vez me disse e eu nunca esqueci: “O que as pessoas realmente precisam é de carinho e amor.” Não importa o quão ricas, inteligentes, bem-sucedidas, pertencentes a qualquer tribo, com ou sem implantes, com tatuagens, cabelo crespo ou liso, sendo homem, mulher, criança, transgênero, transmorfo. Sempre buscaremos o afeto, o amor, o reconhecimento das pessoas e, o principal, o reconhecimento de nós mesmos. Se não nos amarmos, quem nos amará?! Apesar de todas as diferenças, creio que o único sentimento sem raça, distinção, credo ou política, é o amor puro/incondicional, seja ele com que cor se apresente, de onde vem, pra onde vai, não importa. Estaremos sempre a sua procura.

Que os tsurus metamorfos de coração, espalhem a Longevidade, a Paz e o Amor entre homens, máquinas e todos os seres vivos.

Abraços Dobrados Metamorfos do Coração.

 

[Poesia]

convite Hiper

Queridxs, convite muito especial do planeta vermelho, rs.
Digitem na agenda virtual o dia 8 de abril, sábado, às 19h.
Nessa data, eu participarei do terceiro volume da coletânea “HIPERCONEXÕES: realidade expandida”, no Patuscada Bar, na Rua Luís Murat, 40 – Vila Madalena, do lado do Beco do Batman (pra quem não conhece, eu recomendo uma visita tresloucada depois do nosso evento, porque antes é arriscado, tomem muito cuidado para não serem hiperconectados ou abduzidos por algum grafite!) Brincadeiras à parte, lembrando que esse volume 3 é composto de dois livros siameses: “Carbono & silício” + “Sangue & titânio”, do qual participo.

Será a minha estreia na poesia para malucos, digo “adultos”, rs. Vocês poderão conhecer o meu lado poético mais quente (sangue) ou mais frio (titânio)?, hahaha.
Enfim, estão todos convidados!
Ah, as belas ilustrações e o projeto gráfico são do querido Teo Adorno, e a organização da antologia é do Paisagem Personas, com a parceria do premiado e incansável editor, Eduardo Lacerda, que também participa como poeta. Que honra, não?! Além de contar com a companhia de outros queridxs poetas renomados: uns ganhadores do Jabuti (obs.: tinha esquecido… eu também ganhei o Jabuti, rs, na categoria digital infantil) e a participação especial de um poeta/ator Global, uau!

Livto Hiper
Abraços Dobrados Agradecidos e Honrados de Sangue & Titânio.

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[ Segunda crônica de 2017 – fevereiro ]

Para relembrar!

cartas_fechadas

uma carta para antonia
terezayamashita
Primavera, setembro de 2007.

Aprendi a fazer vários tipos de envelope através do origami. A milenar arte oriental da dobradura do papel.
As dobras devem ser precisas, a concentração redobrada e a paciência cultivada.
Os dedos devem tocar o papel delicadamente, como se toca o corpo de quem se ama, com respeito e admiração.
Pensei em usar as duas artes, a do origami e a da caligrafia.
Pensei em usar papel artesanal.
A ponta da pena tocando delicadamente a superfície do papel e fazendo com que a tinta penetre nas fibras.
A tinta se espalhando lentamente, criando linhas, círculos e traços. Formando palavras que ora apresentam um significado, ora outro. Nunca escrevi um haicai, um poema ou uma carta de amor.
Agora Antonia vai pra longe, pra longe dos nossos olhos.
Vai conhecer outras pessoas, outra realidade, outros mundos.
Vai escrever um romance. Nosso lado mesquinho quer pedir, suplicar, implorar a ela que fique.
Não podemos, cada um tem um caminho a seguir, o caminho que conquistou.
O nosso será esse, o das palavras e da saudade.
Vá, minha amiga, com a bênção dos deuses. Não se esqueça de nós.
Estaremos aqui, torcendo, invejando e escrevendo.

Sua amiga suicida, Tereza

diadosnamorados

 

[ Primeira crônica de 2017 – janeiro ]
Abraços Dobrados com Barro

barro1

Garçonnière

“Há entre nós ambos
demasiada emoção.
Tal é o motivo
do que tem havido!
Toma um bocado de argila,
Molha-a, amolda-a
E faze uma imagem minha
E uma imagem tua.
Toma-as então, rompe-as
e adiciona-lhes um pouco d’água.
Transforma-as de novo
em uma imagem tua
e uma imagem minha.
E então haverá na minha argila alguma coisa tua
e na tua argila alguma coisa minha.
E jamais coisa alguma nos há de separar.
Vivos, dormiremos na mesma cama,
e, mortos, na mesma sepultura.”

Não me lembro quando… Certo dia fui convidada para um evento do FB, de um escritor e designer do círculo de amigos de artes. Lá, ele postou uma curiosidade sobre outro escritor, Oswald de Andrade e sua Garçonnière. Então saiu essa crônica, rs. Fico indignada com o machismo (principalmente o oriental) ou qualquer outra forma que subjugue o ser humano, principalmente a mulher… enfim.
Quando eu era criança, com uns sete anos, o meu irmão mais velho (dez anos de diferença) convenceu o meu pai a fazer parte do Círculo do Livro. Era uma briga, éramos três irmãos (hoje, infelizmente, a vida nos separou), então quem escolheria o precioso livro? Como seria apenas um exemplar por mês, eu não tinha muita chance, pois nem sabia escolher direito, e nem sabia ler direito também… Como todos sabem, na tradicional família japonesa o homem imperava…
Sendo assim, eu tentava ler os livros que meu pai ou meu irmão mais velho escolhiam. E um dos títulos foi esse A importância de viver, de Lin Yutang, traduzido pelo Mário Quintana, que meu maridão procurou pra mim na Estante Virtual, e me presenteou. Arigatou!
Na época, claro, tentei ler e não entendi nada, mas um poema não saiu da minha cabeça, só lembrava da ideia principal, que me comoveu! E no dia em que eu facilitei a oficina Palavra na lavra do barro, e quando a Tamara contou a história da criação do homem através do barro, bateu em mim um déjà-vu e me lembrei novamente do poema acima. Hoje, relendo o livro, achei-o mais bonito ainda, pois havia uma história por detrás do poema.

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A autora foi a esposa e artista (não reconhecida) senhora Kuan (esposa de um grande pintor da china, Yuan Chao Mengfu). Ela escreveu o belo poema quando o marido estava prestes a tomar outra amante. De acordo com a história, esse poema penetrou no coração do marido, senhor Yuan, mudando sua intenção.
Não foi linda a maneira criativa e poética com que a mulher sacudiu o coração do marido? Espero ter a mesma sabedoria, pra quando o meu parceiro estiver pensando em se saciar com outras literaturas, hahaha.

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