9 dicas de estimular a leitura

Publicado: 11/05/2012 em Sem categoria

[ A criança deve ler tudo. Gibis! Livros! Qualquer livro! Ziraldo ]

Uma pequena homenagem do Abraços Dobrados para a minha mãe, e para todas as mães do mundo!

1. Um contito do livro Dias Incríveis, clique aqui. Leia abaixo como surgiu essa tradição.

2. Um origami fofo e clássico: mãe e filho! Você pode usar esse origami na capa de um cartão para a sua mãe!!!

Diagrama: nível fácil.

3. Uma linda poesia do Drummond!

-

-

4. Um vaso de flores (ikebana) de origami.


[ Obras e mais obras ]

Para votar, clique aqui:

Para comemorar o Dia do Artista Plástico, a Unesp começa a montar hoje (08/05), data dedicada à categoria, um painel com 417 obras de 372 artistas de 8 estados do Brasil e do exterior. A mostra será apresentada até o dia 24 de maio, no hall de entrada do prédio da Reitoria, no centro de São Paulo.

Sob o tema “Que artista plástico sou eu?”, cada artista encaminhou uma ou mais obras de 18×24 cm dos mais diversos estilos e tendências. O projeto, idealizado pelo crítico de arte Oscar D’Ambrosio, com apoio do Acervo de Artes Visuais da Faculdade de Arquitetura, Artes e Comunicação (Faac), Câmpus de Bauru, reúne todas as telas recebidas num único grande painel.

“Cada artista usou esse tamanho da maneira que achou melhor. O conceito é refletir sobre uma profissão rica em abrangências e possibilidades”, afirma D’Ambrosio, curador da mostra. As obras foram realizadas com as mais variadas técnicas, como óleo, acrílica, intervenção sobre fotografia, gravura e desenho.

“Queremos levar o público a refletir sobre o que é ser artista plástico hoje. Para isso, cada artista trabalhou das maneiras mais variadas possíveis. Temos desde ilustrações literais a interpretações mais complexas e abstratas”, diz D’Ambrosio.

As imagens dos trabalhos também estão disponíveis no endereço www.unesp.br/diadoartistaplasticoNo site, o público poderá votar na sua obra preferida. O criador do trabalho escolhido pelos internautas receberá um livro de arte, e, para todos os votantes, haverá um sorteio de outro exemplar na área de artes plásticas. Cada voto de cada e-mail será computado apenas uma vez para a escolha do artista e para o sorteio.

Dia do Artista Plástico

Ontem eu vi essa foto no facebook, e vi que muitos artistas já enviaram a sua obra. O estúdio da UNESP está ficando com uma parede muito bonita e colorida!

A minha tela eu já mandei, pena que não saiu na foto, mas deve estar por lá, rs.

colagem e origami

Certificado de participação!

[Que artista plástico sou eu?]


Estou pensando em participar… Abaixo, o regulamento do projeto do Oscar, da UNESP. Ainda estou preparando uma tela. Pergunta enigmática: 
Que artista plástica sou eu?”. Nunca tinha me questionado. Refletindo sobre isso, eu descobri que sou uma artista gráfica. Amo o papel e o computador. Sou fascinada por colagens (confira yamashitadigital.arts), mesmo sendo digitais. Adoro o origami (confira origami by Tereza Yamashita) e a sua geometria, a matemática pura transformada em dobras, e por final adoro as palavras. O que não consigo colocar no papel em forma de imagem, eu coloco nas histórias infantis e nos meus booktrailers. O meu lado artístico também se reflete nos meus projetos gráficos, em livros de literatura e em livros didáticos (capas e miolos). Enfim, a arte se relaciona com tudo: com o mundo, com as ciências e a literatura. Outro dia ouvi uma frase que adorei (sempre comento aqui, que adoro frases). Eu as coleciono em um lindo caderno, com uma capa de couro que me presentei há anos. Nele eu copio as frases de que mais gosto com uma caneta-tinteiro. Esta frase irá para o caderno, com certeza: “O conhecimento é irresistível” (autor desconhecido).

[Sobre o projeto]

Em 8 de maio o Brasil comemora o Dia do Artista Plástico. Para lembrar a data em 2012, a Unesp está convocando artistas plásticos de todo o país e do exterior para enviarem à Universidade obras de 18×24 cm com o tema Que artista plástico sou eu?.

Começaram a ser recebidos a partir de 28/06 trabalhos de qualquer tipo de estilo ou tendência. O projeto, idealizado pelo crítico de arte Oscar D’Ambrosio, com apoio do Acervo de Artes Visuais da Faculdade de Arquitetura, Artes e Comunicação (Faac), Câmpus de Bauru, procura reunir todas as obras recebidas num único grande painel na Reitoria que poderá vir a ser um dos maiores do mundo feito com essas características.

Cada artista poderá utilizar o suporte, no tamanho estabelecido, da maneira que achar melhor. O conceito é refletir sobre uma profissão rica em abrangências e possibilidades.

A exposição será inaugurada em 8 de maio de 2012, em São Paulo, na Reitoria, com encerramento previsto para 28 de junho, data de realização do Conselho Universitário da Unesp, órgão máximo da instituição. À medida que os trabalhos forem chegando, porém, serão fotografados e catalogados, com divulgação pública dos doadores pelo Portal Unesp.

Cada artista receberá um certificado de participação, a ser entregue logo após o recebimento da doação. No dia do encerramento da exposição, haverá um sorteio, e cada pessoa que colaborou com o painel levará um trabalho para casa, socializando a recuperação da função social do artista plástico: a de chegar à residência das pessoas.

Os trabalhos serão numerados e recebidos na Assessoria de Comunicação e Imprensa da Unesp, em São Paulo (SP), na Rua Quirino de Andrade, 215 – 4º andar, CEP 01049-010.

Antes de integrarem o painel, as obras serão expostas provisoriamente no estúdio da Rádio Unesp (entrevista com Tereza e Luiz Bras número 19) na Reitoria.

Elas também poderão ser enviadas para a vice-diretoria da Faac, Câmpus de Bauru: Avenida Engenheiro Luiz Edmundo Carrijo Coube, 14-01, Vargem Limpa, Bauru (SP), CEP 17.033-360.

Oscar D’Ambrosio


Jornalista, mestre em Artes pelo Instituto de Artes da Universidade Estadual Paulista (Unesp), é crítico de arte e integra a Associação Internacional de Críticos de Artes (Aica – Seção Brasil), a Associação Paulista de Críticos de Artes (APCA) e a União Brasileira de Escritores (UBE). Bacharel em Letras (Português e Inglês), é coordenador de imprensa da Assessoria de Comunicação e Imprensa da Unesp, pós-graduado em Literatura Dramática (ECA-USP) e publicou, entre outros, Os pincéis de Deus: vida e obra do pintor naïf Waldomiro de Deus (Editora Unesp) e Mito e símbolos em Macunaíma (Editora Selinunte). Escreveu para a Coleção Contando a arte de…, da Editora Noovha América, livros sobre os artistas plásticos Adelio Sarro, CACosta, Claudio Tozzi, Jocelino Soares, Maroubo, Ranchinho, Peticov e Waldomiro de Deus.

[ Virada Cultural, via Uol Crianças ]

A criançada que estiver na capital paulista neste final de semana tem uma porção de atividades para se divertir. O melhor: tudo é de graça. Malabarismo, teatro de bonecos, contação de histórias, espetáculos, oficinas e exposição de gatinhos estarão entre as atrações da Virada Cultural 2012. É só escolher o que você acha mais legal. Tem até um show bem bacana da dupla Palavra Cantada!

Sandra Peres e Paulo Tatit, da Palavra Cantada, que se apresenta no SESC Itaquera no domingo (6)

Abaixo você confere a programação completa, dividida por regiões da cidade. Procure os passeios mais pertos da sua casa e peça para seus pais te levarem. Boa diversão.

* Informações atualizadas até 3/5. Antes de sair de casa, confirme horários e locais no site do evento.


[ BONDADE SE APRENDE, CORA CORALINA ]

Eu não tenho medo dos anos e não penso em velhice. E digo prá você:
não pense. Nunca diga estou envelhecendo ou estou ficando velha. Eu
não digo. Eu não digo que estou ouvindo pouco. É claro que quando
preciso de ajuda, eu digo que preciso.

Procuro sempre ler e estar atualizada com os fatos e isso me ajuda a
vencer as dificuldades da vida. O melhor roteiro é ler e praticar o
que lê. O bom é produzir sempre e não dormir de dia.

Também não diga prá você que está ficando esquecida, porque assim você
fica mais. Nunca digo que estou doente, digo sempre: estou ótima. Eu
não digo nunca que estou cansada. Nada de palavra negativa. Quanto
mais você diz estar ficando cansada e esquecida, mais esquecida fica.
Você vai se convencendo daquilo e convence os outros. Então silêncio!

Sei que tenho muitos anos. Sei que venho do século passado, e que
trago comigo todas as idades, mas não sei se sou velha não. Você acha
que eu sou? Tenho consciência de ser autêntica e procuro superar todos
os dias minha própria personalidade, despedaçando dentro de mim tudo
que é velho e morto, pois lutar é a palavra vibrante que levanta os
fracos e determina os fortes.

O importante é semear, produzir milhões de sorrisos de solidariedade e
amizade. Procuro semear otimismo e plantar sementes de paz e justiça.
Digo o que penso, com esperança.

Penso no que faço com fé.
Faço o que devo fazer, com amor.

Eu me esforço para ser cada dia melhor, pois bondade também se aprende.

Cora Coralina

Cora Coralina, pseudônimo de Ana Lins do Guimarães Peixoto Brêtas, 20/08/1889 — 10/04/1985, é a grande poetisa do Estado de Goiás. Se achava mais doceira do que escritora. Considerava os doces cristalizados de caju, abóbora, figo e laranja, que encantavam os vizinhos e amigos, obras melhores do que os poemas escritos em folhas de caderno. Só em 1965, aos 75 anos, ela conseguiu realizar o sonho de publicar o primeiro livro, Poemas dos Becos de Goiás e Estórias Mais. Ana Lins dos Guimarães Peixoto Brêtas viveu por muito tempo de sua produção de doces, até ficar conhecida como Cora Coralina, a primeira mulher a ganhar o Prêmio Juca Pato, em 1983, com o livro Vintém de Cobre – Meias Confissões de Aninha. 

Nascida em Goiás, Cora tornou-se doceira para sustentar os quatro filhos depois que o marido, o advogado paulista Cantídio Brêtas, morreu, em 1934. Mamãe foi uma mulher à frente do seu tempo, diz a filha caçula, Vicência Brêtas Tahan, autora do livro biográfico Cora Coragem Cora Poesia. Dona de uma mente aberta, sempre nos passou a lição de coragem e otimismo. Aos 70 anos, decidiu aprender datilografia para preparar suas poesias e enviá-las aos editores. Cora, que começou a escrever poemas e contos aos 14 anos, cursou apenas até a terceira série do primário. Nos últimos anos de vida, quando sua obra foi reconhecida, participou de conferências, homenagens e programas de televisão, e não perdeu a doçura da alma de escritora e confeiteira.

Infantis:

A moeda de ouro que um pato engoliu, Global Editora.

Os meninos verdes, Global Editora.

O prato azul-pombinho. Global Editora

[ Mini-entrevista: Rogério Gastaldo, editor, direto de São Paulo ]

Fiquei muito honrada com a participação do Rogério Gastaldo, editor de literatura. Arigatô! Ele é bacharel em Ciências Sociais pela FFLCH-USP. Trabalha na área editorial há 27 anos. Editou muitas centenas de livros de literatura (adulta, juvenil e infantil), técnicos, dicionários e obras de referência. Foi sócio-fundador das Edições Epopéia e trabalhou nas editoras Max Limonad e Melhoramentos. Atualmente exerce o cargo de gerente editorial de literatura infantil e juvenil, de obras de apoio didático (selos Atual, Saraiva e Formato) e de interesse geral, da Editora Saraiva. Paralelamente, desenvolve um trabalho autoral na área de fotografia.

Nos conhecemos há muito tempo. Primeiro ele foi editor do livro O sumiço das palavras, do Nelson de Oliveira (agora Luiz Bras), com as lindas ilustrações do Nelson Cruzeditora Saraiva. O livro já está na 4ª edição! E agora é editor de A família Fermento contra o super-vírus de computador, livro meu e do Luiz, com as divertidas ilustrações da Bruna Brito, Atual Editora.

Também já nos conhecíamos por intermédio de outros livros que ele editou, como os das escritoras Tânia Martinelli e Telma Guimarães  (confiram as minis-entrevistas no Abraços) e de tantos outros. Para alguns (didáticos, paradidáticos e de literatura infantojuvenil), tive a oportunidade de fazer o projeto de capa e miolo.

Tempos depois eu tive a honra de  fazer o projeto gráfico do miolo do dicionário do Rogério: Saraiva Infantil de A a Z – Dicionário da Língua Portuguesa, 3ª edição.

Depois dessa pequena apresentação, aproveito para agradecer pela participação, arigatô! E agora apreciem a mini-entrevista!

Um dia desses, você comentou que começou a faculdade de Engenharia na Poli e depois se formou em Filosofia na USP, correto?

RG: Sabe, Tereza, a minha vida estudantil sempre foi pautada pela máxima einsteniana de que a curiosidade é tão importante quanto o conhecimento. De tal sorte que no colegial, acabei optando pelo caminho das Ciências Biológicas. Encantei-me com muitas disciplinas do curso e os seus respectivos professores, da Escola Caetano de Campos. Por lá, aliás, também já havia passado a primeira mulher a ocupar um cargo de ministra no Brasil (na pasta da Educação), Esther de Figueiredo Ferraz, que tive o prazer de conhecer pessoalmente e a oportunidade de editar a coletânea de textos Falas de ontem e de hoje, pela Saraiva.

Ao lado da Caetano de Campos, na Praça Roosevelt, minhas curiosidades foram também saciadas, semanalmente, na seção circulante da Biblioteca Mário de Andrade.

A propósito dessa praça, acho que vale a pena contar uma história, já que situações de regozijo e descontentamento são marcas das suas diversas fases arquitetônicas. Numa das reuniões que tivemos na Editora Saraiva, para a reedição da obra Marinheiro rasgado, no selo Formato, o autor Ricardo Azevedo me contou que o personagem principal dessa história foi inspirado na figura de um mendigo, que ficava por lá, andando para cima e para baixo, acompanhado por um séquito de vira-latas. Disse também que chegou a jogar bola nessa praça, pois estudou no Colégio Visconde de Porto Seguro. Na época do Ricardo, a praça era um espaço amplo, com chão asfaltado e terra batida, usado como estacionamento e feira livre. Depois, com a reestilização da praça, no início da década de 1970, aquele espaço havia se tornado um monstrengo de concreto frio, desumano, desajeitado e artificial, segundo palavras do Ricardo arquiteto. Mas esse monstrengo, para mim guardava um tesouro. Lá descobri Sidarta, do alemão Hermann Hesse. Lá vi o filme Siddartha, baseado nessa obra, no Cine Bijou. Com o olhar enlevado para o jovem brâmane Sidarta, aos dezoito anos, também buscava o Nirvana.

Depois veio o vestibular. E aí pintou a dúvida! Que curso escolher? Na minha família, dois primos haviam seguido a carreira de Engenharia. Então, não deu outra! Mas estava na Universidade de São Paulo e a curiosidade me fez ir além das atividades escolares que o curso demandava. Participei do Cineclube da Poli, onde, juntamente com colegas de outras faculdades (Biologia, Química, História, Veterinária), organizamos mostras cinematográficas, a revista Fora de Foco e um curta-metragem em Super 8mm. E como o dia é longo para um jovem universitário repleto de ideais, também encontrava tempo para dar aulas a turmas de Educação de Jovens e Adultos, na periferia da cidade, em associações de moradores, em salões paroquiais de igrejas. Durante quatro anos seguidos, pude por na prática os ensinamentos de Paulo Freire com esses alunos. Em muitas ocasiões, tive o cinema como companheiro no processo de ensino-aprendizagem. Um dos filmes exibidos, devido à temática da migração, foi O homem que virou suco, de João Batista de Andrade. Inspirado nesse filme, um jovem engenheiro desempregado, com espírito empreendedor, abriu a casa O Engenheiro que Virou Suco. Acho que fui O estudante de Engenharia que também virou suco.

Aos poucos, com tantas e tamanhas prazerosas vivências paralelas, acabei me distanciando do curso de Engenharia. E, para encurtar a conversa, acabei prestando vestibular novamente. Sem sair da USP, graduei-me em Ciências Sociais na Faculdade de Filosofia Letras e Ciências Humanas.

E o que o levou a ser editor, inclusive de livros infantojuvenis, de uma das maiores editoras do Brasil, a Saraiva?

RG:  Como já havia experimentado as Ciências Biológicas e as Exatas, a curiosidade me levou às Ciências Sociais, aos textos de Florestan Fernandes, Max Weber, Levi-Strauss, Pierre Bourdieu, Benjamin, Adorno, Mary Shelley e muitos outros, à Antropologia, à Ciência Política, à Sociologia, à Psicologia, à Economia, à Geografia, à Comunicação, à História e à Linguística.

Paralelamente, na Max Limonad, com a recomendação de Constança Lucas ao Moisés Limonad e ao Samuel Leon, tive a minha primeira experiência profissional no ramo editorial, numa editora com quarenta anos de tradição na área jurídica e que dava os primeiros passos na publicação de livros de literatura e ensaios. Trabalhei com textos do Conde de Lautréamont (Cantos de Maldoror, traduzido pelo sociólogo Claudio Willer), de Alfred Jarry (Ubu Rei, traduzido por José Rubens Siqueira, com prefácio de Cacá Rosset), de Apollinaire (As façanhas de um jovem Don Juan), de Rubens Francisco Lucchetti (roteirista de As sete vampiras, no filme dirigido por Ivan Cardoso), entre outros.

Em seguida, nas Edições Epopeia, ao lado de Constança Lucas e Ana Victória Lucas, participei da edição de livros de literatura infantil (Histórias de crocodilos, foi um deles, com contos de Maria Angélica de Oliveira, ilustrados por Constança Lucas), da edição das obras de Fernando Pessoa (Contos, com prefácio de Fernando Segolin, e Primeiro Fausto, com organização e introdução de Duílio Colombini, até então inédita no mercado editorial), entre outras publicações.

Era ainda época da Linotipia, a composição a quente, que fundia linhas de texto em pequenos lingotes de metal; do Past-up, onde textos, ilustrações e fotos eram montados a mão, sobre papel couché e fotografados e do Fotolito.

E o Brasil havia decretado moratória, suspendendo o pagamento da divida externa. Depois dos planos econômicos Cruzado I e II, era a vez do Plano Bresser.

Foi um período muito difícil para a manutenção de pequenas iniciativas empresariais. A situação econômica era tão grave que a inflação atingiu 2.751%, entre 1989 e 1990. Por sorte, desde a infância, influenciado pelo meu pai, tinha o hábito de ler os jornais de cabo a rabo. E, por isso, não deixava de lado sequer a seção de classificados de empregos do Estadão.

Nesse mesmo mês de fevereiro desse ano de 1990, após ter respondido a um anúncio da Cia. Melhoramentos de São Paulo, dei início a um período de intenso trabalho editorial, em pleno ano do centenário da empresa. Estava a trabalhar na editora que imprimiu o primeiro livro em quatro cores no Brasil, em 1915: o livro infantil O patinho feio, de Hans Christian Andersen, ilustrado por Francisco Richter. Também tive a oportunidade de trabalhar com uma das vedetes da Melhoramentos, a linha de Dicionários Michaelis (português, inglês, francês, espanhol, italiano, alemão), em coleções de livros de culinária, livros infantis e informativos (de editoras francesas, italianas, inglesas e norte-americanas) e obras de interesse geral.

Através das mesmas páginas dos classificados do Estadão, há dezesseis anos e meio estou na Editora Saraiva, como gestor editorial de um catálogo de cerca de mil títulos, entre livros de literatura infantojuvenil (ampliando coleções como a Jabuti, Entre Linhas, Unidunitê, Brincadeiras, Mindinho e seu vizinho, Três por Três… e criando novas coleções como a Forrobodó, HQ Saraiva, Clássicos Saraiva, entre outras), livros informativos (dos selos Saraiva, Atual e Formato) e obras de referência. Nesse período, tenho tido a sorte de ver os livros editados nas mãos de milhares de crianças, jovens e adultos, e em acervos de milhares de escolas públicas e particulares.

Numa dessas voltas que o mundo dá, recentemente tive a oportunidade de editar três obras do Renato Canini, pela Formato: Um redondo pode ser quadrado, (cujos esboços recebi em papel de pão e logo que ficou pronto foi parar em dezenas de escolas públicas de Belo Horizonte, entre outras), Tibica – o defensor da ecologia  (a reunião das tirinhas do índio Tibica, a obra de cunho mais pessoal do autor) e O cigarro e o formigo (um livro de imagem singelo).

Como foi a sua infância/adolescência e como a leitura e outras expressões culturais passaram a fazer parte da sua vida?

RG: Nessa época, morei no Jardim da Saúde, um bairro residencial planejado, nos moldes da Cia. City, com um elevado número de praças, com ruas arborizadas e tranquilas, que chegou a ser tombado pelo patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental do Estado de São Paulo, no final do século passado. Boa parte dos descendentes de japoneses, na cidade de São Paulo, optaram pelo bairro para viver. Com cerca de 100 mil moradores, atualmente é o bairro, ao lado da Liberdade e Aclimação, que mais concentra a colônia japonesa.

Os meus amigos sanseis, entretanto, assim como você, infelizmente também não puderam ir a fundo no estudo da língua japonesa. Dessa época, ainda guardo algumas palavras: Gohan, arigatô, saionará, orraiô gozaimássu, anko-moti, kinako-moti, denki nabe, missô, misoshiru, tatame, sumô, saquê…

Brincávamos de bolinha de gude, empinávamos pipa (quadrado), jogávamos futebol, vôlei e taco na rua (será que era uma adaptação do gateball?), futebol de botão, beijo-abraço-aperto-de-mão, queimada, guerra de mamonas, polícia-e-ladrão (de bicicleta), carrinho de rolimã. No ano em que fui alfabetizado, foi aberta a Biblioteca pública do bairro.

Lembro-me do carrinho de mão, desses de construção, usado pelo jornaleiro do bairro, que fazia entrega domiciliar. Aos domingos, chegavam jornais volumosos e outras encomendas como as dos livros da coleção Clássicos da Literatura Juvenil, da Abril Cultural. Mark Twain, com Aventuras de Huck, sem dúvida, está no topo da minha lista, um escritor cuja imagem está associada tanto ao público infantojuvenil quanto à dos clássicos da literatura norte-americana e universal. Ao todo, chegaram a ser publicados 50 volumes na coleção, com capa dura e ilustrações em preto e branco. Obras de Robert Louis Stevenson (A ilha do tesouro), Alexandre Dumas (O Conde de Monte Cristo e Os três mosqueteiros), Miguel de Cervantes (Dom Quixote), Lewis Carroll (Alice no País das Maravilhas/Alice no País do Espelho), entre outros.

E muitos autores brasileiros também marcaram essa época: José Mauro de Vasconcelos (ao trabalhar na Melhoramentos, tive acesso ao rico acervo histórico dessa Editora centenária, inclusive às edições de Meu pé de laranja lima), Érico Verissimo (a trilogia O Tempo e o Vento e Incidente em Antares), Josué Guimarães (Tambores silenciosos, entre outros), Machado de Assis (O alienista), Lúcia Machado de Almeida (O escaravelho do diabo, lançado em 1972, ainda está em catálogo na coleção Vaga-lume), entre outros nomes.

Pude também desfrutar da chamada Era de Ouro da Disney no Brasil, com as revistinhas O Pato Donald, Mickey e Tio Patinhas, e acompanhar o trabalho do Renato Canini com o Zé Carioca.

Acho que tive uma infância-adolescência multimídia, antes mesmo da chegada dos microcomputadores e tablets, com direito a cinema (numa época em que havia cerca de 30 salas no centro da cidade de São Paulo), vendo filmes da Walt Disney Productions como Se meu fusca falasse, “A Ilha do Tesouro” (o primeiro filme do estúdio com atores, baseado no livro de Robert Louis Stevenson), “Vinte Mil Léguas Submarinas” (baseado no livro de Júlio Verne), Alice no País das Maravilhas  (adaptação do romance de Lewis Carrol); televisão (com a censura do regime militar, aparecem os seriados televisivos norte-americanos: A feiticeira, Túnel do tempo, Perdidos no espaço, Jeannie é um gênio… mas também pudemos ver Vila Sésamo – uma adaptação do Sesame Street); história em quadrinhos; rádio: em ondas curtas, em português, devido ao advento da Guerra Fria (Voz da América, Rádio Moscou, Rádio Nederland, Rádio Pequim); vinil e vitrola; fita cassete (para gravar e organizar as nossas músicas e programas de rádio prediletos); jornais: Pasquim, Movimento, Coojornal, entre outros.

Era uma época em que as crianças podiam caminhar com liberdade pelas ruas do bairro. O episódio do desaparecimento do pequeno Etan Patz, de 6 anos, nas ruas da cidade de Nova York, no seu caminho para a escola, e que daria origem ao Dia Internacional da Criança Desaparecida, ocorreria somente em 25 de maio de 1979. Ir de um bairro a outro, como cheguei a fazer durante os quatro anos do Ginásio, indo do Jardim para o Bosque, do Bosque voltando ao Jardim. Foram cerca de 1,4 mil quilômetros percorridos. Acho que tá explicado o meu fascínio por uma boa caminhada! E nesse trajeto, devo ter passado inúmeras vezes pela Livraria e Editora Fernando Pessoa, que na verdade era a casa do sr. Jaime Marcelino Gomes (1924-1999), um imigrante português da ilha da Madeira, o Livreiro da FFLCH da USP, que tive a oportunidade de conhecer, já adulto.

Qual a sua opinião, como editor e leitor-crítico, sobre a literatura infantojuvenil contemporânea?

RG: Recebemos em média um original por dia para análise de viabilidade de publicação. Para todas essas pessoas damos uma resposta, seja ela positiva ou não. Nem sempre no prazo que gostariam de receber, é verdade. Pois somos poucos, para tantas demandas. Essa prática nos leva a lançar sempre novos autores. Podemos dizer que a literatura infantojuvenil contemporânea vai bem. E como temos um catálogo com mais de seiscentos títulos, nesse segmento, estamos permanentemente reformulando obras e coleções. Portanto, temos tido a sorte de encontrar bons textos novos e renovar outros tantos. No ano passado, por exemplo, comemoramos os 25 anos da coleção Casa Amarela, da Lilian Sypriano e do Cláudio Martins, toda ela renovada a partir de 2006. Esses mesmos títulos agora também estão disponíveis no formato digital ePub. O Tia Carlota não escuta direito e entende tudo do seu jeito teve também uma versão para iPad bem diferente, pois foi desenvolvida para ser trabalhada por um contador de histórias. Também estou feliz pelos 40 anos de carreira da autora Giselda Laporta Nicolelis, dedicados à escrita literária, com especial atenção ao público infantil e juvenil.

Você acha que há preconceito contra a literatura infantojuvenil, que as pessoas consideram a literatura adulta superior?

RG: Estamos em pleno ano do bicentenário da primeira publicação dos Contos dos irmãos Grimm, ou seja, das histórias de Chapeuzinho Vermelho, Branca de Neve, João e Maria… e num momento em que a participação dos livros infantojuvenis representa cerca de 15% de todos os livros comercializados no Brasil, segundo dados da CBL (Câmara Brasileira do Livro). Além disso, já existem inúmeros trabalhos acadêmicos sobre o assunto, disponíveis nas universidades; aumenta o número de editoras criando catálogos específicos para crianças e jovens; proliferam sites sobre esse assunto; há revistas e cadernos especializados. Portanto, motivos não faltam para ampliar a projeção e a divulgação de títulos, autores, editoras e catálogos para a maturidade dessa linha de publicações. Se ainda há preconceito em relação à literatura infantojuvenil, por outro lado há todos esses bons fatores em sentido contrário.

Depois de editar milhares de livros, que conselho você daria aos novos autores?

RG: Cada editora do mercado brasileiro é única, devido a sua história e aos profissionais que nela atuam. Por isso, autores e ilustradores têm histórias ou vão construindo as suas histórias em parceria com as editoras. Com o advento da Internet (blogs, redes sociais etc.), acho que ficou muito mais fácil para os autores e ilustradores poderem mostrar os seus trabalhos aos editores. Hoje também existe a possibilidade do self-publishing, que pode diminuir muito o caminho até a realização do sonho de ter uma obra publicada. Os novos autores precisam conhecer o catálogo das editoras, através da visita a livraria físicas ou virtuais, por exemplo, antes de enviarem os seus originais para análise de viabilidade de publicação.

Tempos atrás, tive o prazer de fazer o projeto gráfico de um dicionário, o Saraiva Infantil. Você tem se dedicado muito, ao longo da sua carreira, à publicação de dicionários, não é mesmo?

RG: Voltemos ao tema inicial da curiosidade. O verbete da Wikipédia para CURIOSIDADE dá a seguinte descrição para essa emoção: A curiosidade é a capacidade natural e inata da inquiribilidade..Tradicionalmente, há ao menos dois tipos de publicação no mercado onde podemos exercitar o salutar hábito de fazer perguntas, típico das crianças e de muitos adultos, pois, em geral, trazem as respostas: o dicionário e a enciclopédia. Ao primeiro tipo de livros, tenho mais de duas décadas de dedicação. Em relação à atual linha de dicionários, que venho publicando na Saraiva (Saraiva Infantil de A a Z, Saraiva Júnior e Saraiva Jovem) e que têm sido bem acolhidos em vários colégios e programas de formação de acervos de bibliotecas escolares públicas, estou muito satisfeito com o resultado, pois milhões de crianças e jovens de todo o Brasil podem contar com eles em suas trajetórias estudantis.

E, para terminar, sei que você adora fotografia, seria apenas um hobby?

RG: Você tem razão, adoro Fotografia! Por isso, não considero essa paixão um passatempo. É um sentimento, um estado de espírito em que me coloco à disposição da imagem, da sensação através do olhar, do enquadramento, do clique.

Ainda guardo comigo a câmera fotográfica de meu pai, num estojo de couro, e acho que herdei dele a paixão pela fotografia. Mas foi na Politécnica, mais precisamente no Defobi (Departamento de Fotografia do Grêmio Politécnico), que aprendi a técnica. Mais tarde, frequentei o Museu Lasar Segall e o seu Plantão Fotográfico, com laboratório e biblioteca especializada, até hoje disponível para o público. Depois de muitas leituras, outros cursos e fotos, só indo mesmo ao meu Fotoblog para ver o resultado de tudo isso e conhecer o meu trabalho: http://rogeriogastaldo.blogspot.com.br

Parabéns pelo Achados & Perdidos (http://achados.e.perdidos.zip.net)!

Rogério Gastaldo é bacharel em Ciências Sociais pela FFLCH-USP. Trabalha na área editorial há 27 anos. Editou muitas centenas de livros de literatura (adulto, juvenil e infantil), informativos, técnicos, dicionários e obras de referência. Na Editora Saraiva é Gerente Editorial de Literatura Infantil e Juvenil, de livros informativos (selos Atual, Saraiva e Formato), de obras de referência e interesse geral. Desenvolve também trabalho autoral na área de foto.

Participou, como eu,  da Exposição Arte Postal Livros, confira aqui.

Sabendo  de sua paixão por fotografia, vide os blogues

Espinho

Novas fotografias 2003

[ Novidades ]

1. Para o mês de maio, uma mini-entrevista especial. A primeira entrevista com um editor de livros infantojuvenis. Aguardem!

2. E na Revista Emília muitas novidades também. Acessem o Perfil: Autor e ilustrador do mês com a Lúcia Hiratsuka. Aqui, no Abraços, ela também participou da minha mini-entrevista, confiram aqui.

3. Estou fazendo o projeto gráfico de capa e do miolo do novo livro do Luis Bras.  Aguardem!