[ A importância do origami nas artes ]

A importância do origami nas artes

Origami é a arte japonesa de dobrar o papel.

ORI = Derivado de ORU, verbo DOBRAR, em japonês
KAMI = PAPEL, em japonês

Associando as duas palavras, a sua pronúncia fica:

ORI + KAMI = ORIGAMI

O origami está em minha vida deste quando eu ainda era uma meninina bochechuda, uma típica menina de mangá, não que eu tenha mudado muito, rs.

Graças ao meu pai que me ensinou a dobrar o tsuru, um grou, ave simbolo da longevidade e da paz, para os japoneses.

Aprender a dobrar um tsuru é como aprender a andar de bicicleta. Mesmo depois de muitos anos sem dobrar ou pedalar, você nunca esquece como fazê-lo. No ínício você patina, mas depois flui suavemente.

Durante séculos não existiram instruções para criar os modelos de origami, pois eram transmitidas verbalmente de geração em geração, e desde a invenção do papel na China (em 110 d.C., por Ts’ai Lun, um oficial da corte, que obteve a primeira folha, possivelmente triturando água com retalhos de seda, cascas de madeira e restos de rede de pescar), a arte da dobradura vem sendo divulgada, criticada, amada, odiada e desenvolvida.

O origami é um paradoxo, ou você ama ou você odeia. Para muitos o origami não passa de uma arte de imitação, uma arte para crianças.

Aqui eu gostaria de fazer uma pergunta:

Será que existe uma diferença entre um dobrador e um origamista?

Para mim existe e é uma diferença parecida entre o artesão e o artista.

O artesão raramente concebe uma peça de arte, pois uma peça artesanal é repetida infindáveis vezes.  Já um artista, ao conceber sua peça, considera-a ímpar e portanto não passível de repetição.

Um dobrador (a pessoa que repete as dobras de um diagrama), por mais perfeitas que sejam as suas dobras, é como um artesão. Ele pode repetir as dobras infindáveis vezes, cada vez mais perfeitas que antes, mas isto não fará com que a peça seja dele, ele nunca será o criador dessa peça.

Um origamista, ao pensar, criar as dobras, calcular ângulos, simetrias e junções, tem a sensação de estar em um domínio nunca percorrido antes. Ele nunca tem certeza se aquela dobra é a que deixará sa sua peça perfeita. É o momento da criação. E esta sensação nenhum dobrador tem ao reproduzir os diagramas.

Não desmerecendo quem apenas seja um dobrador, pois o origami é a arte da paciência, da observação e da delicadeza. Mas o criador/origamista eu diria que é um mestre, um artista.

Tomoko Fuse é uma dessas artistas, e uma frase dela que percorre o mundo:

“Todo origami começa quando colocamos as mãos em movimento. Há uma grande diferença entre compreender alguma coisa através da mente e conhecer a mesma coisa através do tato.”

Eu ainda me considero apenas um divulgadora da arte do origami, eu sei dobrar algumas peças, não criei nenhum diagrama ou uma CP exclusivo.

Estou tentando através do origami encontrar o meu caminho para as artes.

E desse modo venho caminhando devagar para quebrar com o preconceito existente com o origami, mas creio que atualmente, o origami já mantém certo status de arte, e está sendo reconhecido. Museus e galerias têm cada vez mais elevado o origami à categoria de escultura contemporânea.

A grande divisão entre a antiga dobragem do papel e a nova surgiu em cerca de 1950, quando o trabalho de Akira Yoshizawa se tornou conhecido.

Foi Yoshizawa quem criou a idéia da dobragem criativa (Sasaku Origami) e inventou todo um conjunto de métodos que nada deviam ao origamis tradicionais mais antigos, permitindo dobrar uma série de animais e pássaros.

Yoshizawa foi o precursor da técnica do wet-folding, ou seja, dobrar o papel úmido, para se criar um volume e formas mais harmoniosas em seus modelos.

Esse processo foi um passo importante para que o Origami deixasse de ser conhecido apenas como uma brincadeira de criança e se tornasse uma arte reconhecida.

Em 1980, o japonês Jun Maekawa e o americano Peter Engel, que estudaram separadamente um do outro os aspectos geométricos de dobrar papel, e acabaram desenvolvendo o chamado origami complexo.

Os origamistas geométricos (físicos, matemáticos e arquitetos) descobriram que no ato de dobrar o papel além da atividade artesanal, criativa e artística, nela é encontrado o fenômeno de precisão matemática.

Quando fazemos origamis, obedecemos há vários princípios matemáticos formados por axiomas.

Em 1893, Tandalam Sundara Row publicou na Índia, o livro Geometric Exercises in paper folding (Exercícios geométricos na dobradura de papel).

Entre os teóricos mais conhecidos e atuais está o engenheiro Robert J. Lang que criou um programa de computação, o TreeMaker para projetar a construção de origamis com a precisão matemática. O origami sendo compartilhado com a informática.

Acredita-se que no Brasil a arte do Origami foi introduzida de duas maneiras: uma através de nosso país vizinho, a Argentina que possui muita influência da cultura espanhola (Miguel de Unamuno) e a outra, através dos imigrantes japoneses que aqui vieram, a partir de 1908, para trabalharem na agricultura.

Pois bem, depois de todas estas descobertas, revoluções e evoluções do origami, creio que não há dúvida que o origami não é apenas uma brincadeira de criança, e que o origami tenha grande importância nas artes.

Artistas, designers de objetos, de moda e de jóias, publicitários, arquitetos, engenheiros, físicos e matemáticos, também estão se rendendo e utilizando as técnicas do origami em suas criações. Podemos concluir que o origami pode ser usado de várias maneiras, desde o modo mais simples em confecções de artesanato até para construções de casas, monumentos e esculturas.

Em minhas oficinas, tenho ensinado não apenas a parte prática, o que a maioria das pessoas procuram, mas quero suscitar a curiosidade dos meus oficinandos para que conheçam melhor a história, a origem e o desenvolvimento do origami que é muito instigante e esclarecedor.

Existem muitos livros, artigos, monografias a respeito do origami e muitos sites na internet que divulgam esta milenar arte da dobradura de papel.

Aqui eu gostaria de acrescentar uma curiosidade para finalizar:

Uma gravura na edição de 1490, do livro Tractatus de Sphaera (Tratado sobre a Esfera), escrito pelo monge e astrônomo inglês Johannes Sacrobosco. O livro é um tratado de astronomia geocêntrica, e foi um livro muito utilizado em universidades européias ao final da Idade Média, até o advento do modelo heliocêntrico de Copêrnico, no século XVI.

Na gravura podemos ver um eclipse solar com a Terra ao centro, recebendo a sombra da Lua. Na Terra, o artista representou uma vila à beira do mar, e sobre este, dois barquinhos. O maior deles, particularmente se assemelha muito ao clássico barquinho de papel que todos aprendemos a dobrar quando crianças.

Não há como confirmar se a ilustração é realmente a de um barquinho de papel. Admitindo que seja, então seria a ilustração mais antiga de um modelo de papel, anterior ainda às primeiras aparições do origami em documentos japoneses — a menção mais antiga ao origami no Japão é de um poema de 1680, e as primeiras ilustrações de modelos, nas gravuras Ranma Zushiki, são de 1734. Há controrvérsias, mas estas são os documentos mais antigos encontrados sobre o origami, sendo assim, dizem que o Japão é o berço do origami.

Este fato, não temos como comprovar, mas indica que a dobradura de papel é uma arte milenar, e que ela perdura até os dias atuais, por ser criativa e desafiadora.

Tereza Yamashita

Jum Nakao – moda

About these ads
comentários
  1. Trabalho magnífico, parabéns! Muito bom saber mais sobre essa arte. Beijoca!

  2. Oi, Tânia.
    Arigatô!
    Abraços Dobrados

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s