[ Minientrevista com a professora, arte- educadora e orientadora de Sala de Leitura da EMEF Profa. Maria Berenice dos Santos, direto de São Paulo ]
A professora Daniela nós conhecemos na 2ª Semana de Literatura da EMEF Profa. Maria Berenice dos Santos, da qual participamos, com uma palestra e uma oficina de origami para os alunos do 2ª ano. Foi muito legal, e a partir de então ficamos amigas, trocamos e-mails e até dicas de origami, rs. Muito legal esta convivência e esta interação com professores e alunos. Confira aqui. Professora, parabéns pelo seu trabalho de incentivo à leitura. Nos vemos novamente em setembro, na 3ª Semana Literária. Arigatô Daniela!
Porta-retrato feito de revista by Tereza Yamashita
O que levou você a se dedicar às crianças e aos livros infantojuvenis?
DN: Acho que não consigo definir o que exatamente me levou a essa dedicação. Desde criança queria ser professora, brincava diariamente de “dar aulas” num quartinho nos fundos de casa. Escolhi trabalhar com crianças porque a curiosidade delas me encanta, elas estão abertas a aprender e dispostas a ensinar. A oportunidade de trabalhar na Sala de Leitura surgiu em 2009 na escola em que trabalho há seis anos. O que me levou a assumir este trabalho foi poder viver a experiência de me dedicar a duas paixões: à educação e aos livros, entremeadas por uma terceira paixão que é a arte. A literatura é uma arte, algo a ser vivido, sentido, experimentado, apreciado.
Em sua infância, quais os autores de que você mais gostava e quais os que mais a influenciaram?
DN: Eu sempre gostei de ler, apesar de não ter tido muitos livros de literatura infantojuvenil em casa. Lembro de alguns livros de contos tradicionais que eu lia, mas a maior parte das minhas leituras foram os livros solicitados pela escola. Também costumava ouvir as histórias de uma coleção chamada Disquinho. Mas essa pergunta me traz duas lembranças muito marcantes que gostaria de compartilhar. A primeira é de quando ganhei de uma tia o livro Alice no país das maravilhas, eu devia ter uns 8 ou 9 anos. Foi um dos presentes inesquecíveis que ganhei, tenho o livro até hoje. Sempre que tenho vontade, posso abri-lo novamente e mergulhar na história. Outra lembrança, já na adolescência, é dos livros do escritor Pedro Bandeira: A droga do amor e A droga da obediência. Foram leituras solicitadas pela escola. Devorei os livros e me lembro que eles ficavam bem guardadinhos numa gaveta e lê-los era como se fosse um ritual secreto, só os tirava da gaveta quando pudéssemos ficar a sós… eu e o livro. Adorava!
Qual a sua opinião, como educadora, sobre a literatura infantojuvenil contemporânea?
DN: A literatura infantojuvenil contemporânea é um universo instigante, tem muita coisa de excelente qualidade, mas é preciso saber selecionar. Enquanto educadora penso que a Sala de Leitura oferece e deve oferecer uma diversidade literária que contemple tanto os ditos clássicos quanto os contemporâneos e os diferentes gêneros para que a criança tenha a oportunidade de explorar esse universo, conhecer o que ele tem para oferecer e escolher aquilo com que ela se identifica ou não, pode ser também algo que proporcione conhecer outros “mundos”. Meu trabalho como Professora Orientadora de Sala de Leitura é ajudá-las nessa exploração, intermediar o contato entre livro e leitor, além de despertar o prazer pela leitura. E para isso não é preciso que elas saibam ler convencionalmente. Os alunos de 1° ano que estão em processo de alfabetização lêem muito e me contam muitas histórias.
Você acha que há preconceito contra a literatura infantojuvenil, que as pessoas acham a literatura adulta superior?
DN: Pode até ser que esse preconceito exista, mas até o momento não tive contato com ele. Ao contrário, o que observo hoje são muitos adultos lendo livros de literatura infantojuvenil com seus filhos ou até sozinhos e se deliciando. Os livros infantojuvenis de hoje são muito mais atraentes do que foram os livros da época em que esses adultos eram crianças. Muitos livros, apesar de terem um público determinado ao qual se destinam, dialogam com leitores de diferentes idades. Vários alunos já me disseram quando estavam realizando empréstimos: “Não trouxe o livro de volta ainda porque meu pai (ou minha mãe) está lendo”, ou ainda: “Minha mãe gostou muito desse livro e pediu para eu te perguntar se tem outro dessa coleção”.
Para você, que é professora-orientadora de uma sala de leitura, na prática o que diferencia a criança que lê da que não lê?
DN: Eu acho que, primeiramente, não diria o que diferencia a criança que lê da que não lê, mas sim o que diferencia a criança que tem acesso à leitura da que não tem. Porque a partir do momento que elas têm acesso e têm a oportunidade de explorar esse universo e encontrar algo com que se identifiquem não há as que não lêem. Sem dúvida que aqui já estou pressupondo que a leitura é algo essencial na vida da criança, uma forma de vivenciar outras experiências, dar espaço para a imaginação, a criatividade e o senso crítico. Penso que esse universo da leitura não se restringe aos livros, pode ser um gibi ou uma revista. Acho que esse processo de descoberta tem tempos diferentes que devem ser respeitados. Dificilmente haverá prazer na leitura se ela for uma imposição. Penso que a grande questão é o acesso, pois o livro ainda é um objeto muito caro. Na minha prática, enquanto professora, às vezes encontro uma criança que não teve acesso à leitura até aquele momento e demonstra resistência num primeiro contato com o livro. Aqui entra meu trabalho enquanto educadora ao contar histórias e ajudar essa criança a explorar esse universo literário. Isso envolve também conhecê-la, saber seus gostos e interesses para apresentar algo que desperte a sua curiosidade.
Mantém o blog: Plugado na Leitura
Daniela Neves nasceu em 1981 em São Paulo, onde mora. É formada em Educação Artística e Pedagogia e mestranda em Educação: Currículo pela PUC-SP. Trabalha como professora de ensino fundamental na Rede Municipal de São Paulo há 8 anos e desde 2009 como Professora Orientadora de Sala de Leitura da EMEF Profa. Maria Berenice dos Santos.


Daniela, você tem razão quando diz que o acesso à leitura é essencial na vida de uma criança. Infelizmente muitas ainda não tem esse contato prazeroso com o livro, nem em casa nem na escola. Parabéns pelo seu trabalho, tão precioso!
Obrigada, Tereza, pelas minientrevistas partilhadas.
Um abraço para as duas!
Sônia
Por e-mail:
Bravo! Bravíssimo! Tereza!!! Estou na correria, aparentemente distante, mas acompanhando sempre as minientrevistas. Amei a da Sônia Barros, minha conterrânea. Mas quero fazer uma menção especial a esta, com minha querida amiga e colega de faculdade, Daniela Neves.
Sempre muito bom!
Abraço e saudades!!!
Marcelo
Foi uma honra receber o convite para a minientrevista, foi um prazer participar e foi uma grande alegria ver o resultado.
Obrigada, Tereza, pela oportunidade de participar e pelo carinho e delicadeza que você tem para encantar as nossas palavras!
Parabéns pelo seu trabalho!
Um grande abraço,
Daniela
Obrigada, Sônia! E parabéns pelo seu trabalho também! Será um prazer tê-la conosco em uma de nossas Semanas Literárias!
Marcelo, obrigada pelo carinho de sempre!
Abraços,
Daniela